Eu sou um céu em guerra daqueles que ninguém entende o clima.
Tem dia que eu sou sol queimando tudo, intensa, viva, quase impossível de conter… e no outro, eu desabo em tempestade, daquelas que alagam por dentro e ninguém vê.
Carrego uma bagunça que não é desleixo, é excesso.
Excesso de sentir, de pensar, de lembrar.
É como se meu coração não tivesse botão de pausa, como se minha mente nunca me deixasse descansar.
E no meio disso tudo, tem algo em mim que ninguém realmente compreende.
Não é drama, não é fraqueza, é um ciclo que me puxa e me empurra, que me leva do alto ao fundo sem pedir licença.
Eu tento explicar, mas parece que minhas palavras sempre chegam rasas demais pra um mar tão profundo.
E o que mais dói… é ver nos olhos das pessoas a incompreensão.
Os julgamentos silenciosos, as perguntas que vêm carregadas de “por quê você é assim?” como se fosse escolha, como se fosse fácil ser diferente de mim mesma.
E isso me entristece.
Me faz querer me calar, me esconder dentro de mim, como se eu fosse um problema difícil demais de entender, como se sentir tanto fosse um erro.
Tem dias que eu me amo, me acho forte, bonita, capaz de tudo… e em outros, eu me perco de mim, me sinto pequena, insuficiente, como se eu fosse difícil demais de ser amada e quero me esconder do mundo por me sentir um lixo.
E isso dói.
Dói mais quando ninguém entende, quando acham que é escolha, quando não enxergam a luta silenciosa que eu travo todos os dias comigo mesma.
Eu sou feita de extremos, de luz demais e de escuridão demais, e às vezes eu só queria um meio-termo… um respiro… um pouco de paz dentro de mim.
Mas mesmo assim, mesmo em pedaços, mesmo bagunçada, mesmo incompreendida… eu continuo aqui.
Sentindo tudo.
Sobrevivendo a mim mesma.
E, de alguma forma, ainda tentando ser inteira.
Um desabafo que estava guardado a muito tempo... Sam.












