&. valeriednymer:
Para a pergunta de Topaz, Valerie balançou a cabeça em negativa. “Meu pai cancelou qualquer festividade. Ele disse que vai me compensar mas eu não estou esperando nada, para ser sincera…” ela terminou de mastigar enquanto fitava a expressão da amiga. A lufana duvidada que Topaz estivera planejando, de fato, durante todo o ano, ficar treinando poções no período do natal. “Claro que eu te perdoo, não se preocupe” abriu um sorriso gentil, mas que não demorou por muito tempo. Val se conhecia o suficiente para saber que cedo ou tarde perguntaria acerca da situação para a amiga. Sendo assim, decidiu logo fazê-lo, mesmo que não fosse conseguir uma resposta imediata. “Aconteceu algo? Se sim, e é bem sério, não precisa me contar agora. Eu entendo” indicou com a cabeça o Salão cheio. Sabia como muitas pessoas poderia estar com os ouvidos antenados na conversa – depois de, no terceiro ano, terem espalhados alguns boatos inverdadeiros a seu respeito, a loira ficou mais atenta a esse tipo de coisa. Por fim, riu com menção ao furto de batatas. “O amor requer sacrifícios!”
“A verdade é que talvez seja obra do destino a gente passar o natal juntas. Podemos fazer valer a pena, que tal? Adoro dar presentes e você não vai escapar disso. Nunca escapa mesmo.”
“Entendi... Acho importante não criar expectativas, mas também não exclui a ideia, entende? Ele pode te surpreender.” disse, e a sensação não lhe foi boa. Não sabia se o mesmo acontecia com Valerie - e honestamente esperava que não, mas quando seus pais lhe diziam que ‘iam compensar’, na realidade nunca o faziam: era apenas uma desculpa para que seus corações ficassem tranquilos em ter magoado a filha. No entanto ela já estava acostumada, então pra ela só seria mais do mesmo. “Não, acho que não é nada que eu não possa contar agora.” disse dando de ombros, notando por canto de olho que tinham algumas pessoas prestando atenção. Achava aquilo esquisito, afinal, não era com eles que ela estava falando, e por isso não tinham nada que estar prestando atenção. “Os Mahoney não puderam me receber na casa deles, e minha tia tem outros planos.” disse, em poucas palavras, não chegando a mencionar os pais porque sabia que Valerie entenderia que aquela não era uma opção para a corvina. Topaz não era de contar as coisas de modo extenso, a falar de cada ponto da coisa, era mais seca, resumida. Não porque não achava necessidade de se estender nos assuntos, mas por não ter costume de fazê-lo. Abaixou o olhar ao prato, dando de ombros e logo rindo com a frase da outra “Mas eu não lembro de ter escolhido fazer esse sacrifício...” acrescentou em tom brincalhão, continuando a rir por ter sido agora contagiada pela risada alheia.
“Ah Val...” disse, rindo baixo. Uma das poucas pessoas que gostava de receber presentes era de Valerie. Na sua concepção, por ter sido muito “agraciada” pelos pais com presentes ao invés de afeto, havia atribuído a presentes o significado de puro materialismo. No entanto, notava que a melhor amiga ficava muito animada com essas coisas e além disso, lhe dava afeto também. O que fazia que, com ela, as coisas fossem diferentes. “Tudo bem, acho justo. Até concordo com isso de obra do destino, e fico feliz pelo tal destino ter ajudado. Estudar herbologia o tempo todo é incrível, agora estudar poções... é. Não ia aguentar.”














