Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ

Origami Around
🩵 avery cochrane 🩵

if i look back, i am lost

Love Begins
Sade Olutola

#extradirty

Jar Jar Binks Fan Club
No title available

No title available
The Stonewall Inn

pixel skylines
cherry valley forever

Andulka

blake kathryn

izzy's playlists!
One Nice Bug Per Day
macklin celebrini has autism
YOU ARE THE REASON

gracie abrams
seen from United States

seen from United States

seen from Uzbekistan
seen from United States

seen from Sweden
seen from Saudi Arabia

seen from Canada
seen from Malaysia
seen from United Kingdom
seen from Iraq
seen from United States

seen from United States
seen from Czechia
seen from Philippines
seen from Colombia
seen from United States
seen from Bangladesh

seen from United States

seen from United States
seen from Colombia
@notthephoenix-jean
{Evento} All hidden devils dancing - Jaena
Longe de seus planos iniciais para aquela noite em questão, a mulhercaminhava entre corpos desconhecidos; de alguns captava os pensamentos pecaminosos para aquela noite e de outros sentia pena por tal presença tão pífia naquele ambiente em que apenas os jogadores poderiam vir a sair com algum mérito. Por trás da máscara vermelha, o venenoso olhar azul buscava informações através de rostos anônimos, vez ou outra um sorrisinho lhe escapava pelos lábios. Estava ali apenas para assistir o espetáculo prometido pela anfitriã, isso é, se ela fosse boa o suficiente para entretê-la e fazer-se digna de seu título como dona daquele baile. Poderia ser magistral com suas palavras, mas não se fazem momentos memoráveis apenas com elas. Erguia a taça de champanhe entre os dedos para alguns e trocava palavras com outros, interessada em como aquela noite poderia terminar favorável para ela, usando de seu charme natural para conseguir qualquer tipo de vantagem sobre os homens ali presentes. Respirou fundo, o delicioso aroma férreo de sangue lhe invadindo, entorpecendo seus sentidos por um longo momento; a sereia fixou o olhar no colar com uma pedra que lhe valia mais que toda fortuna existente; e que sempre lhe acompanhava, lembrando-se de seu passado e de quando devorava homens no fundo do mar, uma coleção deles; para todos os tipos e gostos. Os dedos escorreram por seu corpo marcado no longo vestido negro, sua compostura deveria vir em primeiro lugar, sabia que poderia estar sendo observada, o riso voltando a desenhar seus lábios finos.
Logo substituíra a taça de espumante por um martini, a pele alva levemente arrepiada exposta pelos leves decotes de seu vestido. Os passos calmos e gloriosos dela guiando-a até o balcão; enquanto aquele baile não lhe prendesse a atenção como ela esperava, divertiria-se do melhor jeito que conhecia: bebendo. Sentou-se por ali, as pernas cruzadas e os cabelos ruivos caindo por suas costas, dando um charme a mais ao conjunto adquirido por ela em um último momento. Ao que a voz alheia fora reconhecida por seus ouvidos, Maena limitou-se em revirar os olhos, umedecendo os lábios e virando o olhar para o belíssimo par de sandálias que calçava; o riso alheio incomodou-lhe os ouvidos, visto que não considerava aquela uma situação nem um pouco digna de qualquer humor. “Por favor, limite-se em me dirigir a palavra em um local onde não nos reconhecerão. Não quero ser vista com alguém como você, querido.” A última palavra saiu de seus lábios como um veneno; um doce veneno, sim, porém não menos ácido que o esperado. Virou o rosto, evitando-o. Sequer sabia o nome daquele homem, como ele tivera tamanho disparate em vir incomodá-la com um assunto tão ridículo? A mulher procurou simplesmente permanecer intocável, perfeita, como se aquele pequeno imprevisto não houvesse acontecido.
Realmente a outra não era nada previsível, não quanto ele esperava que fosse. O aroma da outra ainda lhe era um mistério, talvez por nunca ter-se deparado antes, mas Jean estava disposto a desvendar quem ela era, pelo menos por detalhes pequenos e inúteis como, por exemplo, o motivo de o sangue dela não chamar tanto a atenção quanto o esperado pelos humanos. Deu uma leve fungada, aproveitando o momento para inspirar o perfume da outra, que entrou e dominou suas narinas como um veneno forte. Levou um dedo para apoiar sua bochecha, inclinando-se de forma que ainda assim prestasse atenção na atitude da ruiva para com ele. "É para isso que as máscaras servem, meu doce. Para cobrir nossa identidade, nossos defeitos, pelo menos por hoje. Quer uma oportunidade melhor do que esta para aceitar meu atrevimento de lhe dirigir a palavra?" O modo como falara não chegou ao nível de ofensa que a outra tinha se pronunciado. Jean, todavia, não ligou para a indiferença que lhe fora atirada sem piedade, apenas levou aquilo como um diálogo normal. Não era como se em trezentos anos de sua maldita vida não soubesse lidar com o precário nível de conversação que certas pessoas tinham.
Não lembrava-se de uma vez que não tivesse contornado situações parecidas como a de agora, e não por ser convencido, mas por ser experiente. Curiosamente, o único fator que o impulsionava a ser mais firme com suas palavras era o de estar determinado a desvendar a raça alheia. Quer dizer, fora tão fácil descobrir os dois lobisomens que passou perto, com aquele cheiro ruim de cachorro molhado, mesmo que não fosse ao pé da letra. Seu lado vampiro sempre sobressaía quando não se tornava uma fera assassina e prestes a perder as estribeiras e tudo mais que pudesse botar em jogo. Jean ainda tinha muito o que aprender, e por que não começar ali e agora? Não havia limite para aprendizado, ele sabia bem demais. Todos os dias lhe ensinavam algo que ele só iria reparar depois, quando refletisse. No tanto, não pronunciou mais nenhuma palavra até que ouvisse uma da boca da ruiva, permanecendo quieto e com o copo parcialmente vazio em mãos, este o qual levou aos lábios e tomou um saboroso gole.
I’m the poison in your bones. My love is your disease, I won't let it set you free 'till I break you - POV
Seu último suspiro antes de engolir o líquido ardente, horrível, queimando sua garganta com voracidade... Ele se lembrava perfeitamente. Lembrava-se também da iluminação que se esvaiu de forma lenta, porém rápida o bastante para apagá-lo e depois quando voltasse a si, notasse a escuridão e o aperto em seus olhos, como se estivesse vendado - o que na verdade era -. Balançou a cabeça, tentando encontrar um feixe de luz para se localizar ou pelo menos se acalmar e saber o motivo de tudo aquilo. Seu olfato procurou uma explicação que seus olhos não podia enxergar, tal como sua audição fez o mesmo. Por mais útil que seus sentidos aguçados fossem, de nada adiantavam nas circunstâncias em que se encontrava. Jean não conseguia escutar nada, não conseguia farejar nada, não conseguia nem ao menos enxergar onde estava, mas pelo silêncio deduziu que ele estava sozinho. Não era como se fosse uma surpresa ou que aquilo o deixasse desesperado, ele tinha passado bons anos de sua vida vagando sozinho, era o melhor para ele e para os outros. Nem mesmo sua própria irmã esteve a salvo da fera que habitava Jean, que dirá aqueles alheios à sua situação. Sua postura vacilou no momento em que escutou as palavras de uma desconhecida cortarem sua respiração por alguns segundos. “Oh, a tortura. Tão bela, tão prazerosa. Os limites das pessoas são tão difíceis de decifrar, não acha? Vamos testar seus limites hoje, querido. Vamos ver o que você é capaz de aguentar.”
{Evento} All hidden devils dancing - Jaena
Aquele canto era perturbador. O cheiro que exalava dos pescoços humanos próximos à ele, eram inadmissíveis. Rolou os olhos e pressionou-os diversas vezes, contendo a própria vontade dentro de si mesmo, antes que fizesse alguma besteira e se arrependesse de imediato. Lembrava-se prontamente do que Baal lhe dizia, de ele seduzir as garotas. Mesmo que certas vezes o fizesse, sua consciência o alertava do pior, e assim aquietava-se, ignorante a qualquer contato além do olhar. Limitou-se a ficar encostado numa coluna, apreciando goles fartos de álcool, enquanto pensava no motivo de estar ali. -A certamente era mais inteligente do que subestimavam ser. O poder de suas palavras tomavam níveis mais altos do que suas atitudes, se é que alguém se atrevia a enfrentá-la para tal. De repente, incomodado com o aroma de sangue pulsando pelo corpo de quem passava perto dele, que no caso eram muitas pessoas juntas em um só canto, Jean declarou que para precaução de futuras desavenças, era melhor ele se retirar para um canto mais reservado.
Antes disso, passaria no balcão das bebidas para reforçar sua noite com o líquido viciante. Esfregou-se no meio das pessoas para que chegasse no local, pousando o copo no mármore e olhando o garçom, afim de que ele o visse e fosse atendê-lo. À medida que entreabria os lábios para pronunciar seu pedido, Jean logo se deparava com os outros que ganhavam a atenção do homem. Calou-se e esperou que ele o notasse por fim, mas enquanto isso, relaxado no mármore, o moreno olhou para o lado, por puro instinto. A surpresa não foi extrema, até porque a cidade não era lá tão enorme para não encontrar rostos conhecidos novamente, mesmo que cobertos agora por uma máscara. A ruiva, no entanto, ele lembrava-se bem, por conta de um próprio descuido que o aborreceu durante aquele dia todo. Ele se virou parcialmente, de forma que tivesse total visão da outra ao seu lado, reconhecendo-a antes para que não fizesse confusões. Mas era a mesma pessoa, até mesmo por conta do modo como se portava ali sentada. Mesmo com a música alta, Jean sabia que ela o escutaria bem, devido á proximidade que ele tomou para apenas falar com ela. "Lindo o par de sapatos. O meu dinheiro serviu certinho para você comprá-los?" Afastou-se rapidamente para ver a reação da outra, sorrindo de canto com um humor que talvez apenas ele achasse que existia ali, mesmo que não achasse aquilo tão engraçado. A máscara de cor preta cobria-lhe todo o rosto, senão a boca e olhos, dando o ar da misteriosidade, assim como a outra e todos os demais do salão.
Tonight I start the fire... Tonight I break away.
Espero que você tenha um bom motivo para me tirar de casa a essa hora.
Tenho. Você quer saber agora ou depois?
São exatamente duas da manhã. E, sim, você acaba de inserir cem dólares em minha caixa de gorjetas. Agradecida.
Posso pegar de volta? Porque, de certa forma, ainda estou dormindo.
Me senti ofendido com esse “Se sair de inocente.” O que você quer dizer com isso? Escute aqui moço, eu sou inocente okay? E sim, você faz isso. Toda vez que uma menina passa você lança esse olhar e você sabe muito bem de que olhar eu estou falando, ai todas elas caem derretidas por você. E só para deixar claro antes que surja qualquer duvida: Eu sou uma pessoa inocente.
Realmente eu devo concordar com você. Você é muito, muito chato. E se pudermos não falar sobre o meu lado “demoníaco” eu agradeço, okay? Você sabe muito bem que eu abandonei essa vida de “Fodas as boas almas.” a muito tempo. Você me suporta? Como assim!? Eu sou a pessoa mais legal com você! Sou um dos unicos que ficam ao seu lado não importa o quão sem graça, o quão metido a bonitão você seja. Estou me sentindo muito ofendido com seus comentários, senhor Jean, vou querer uma casquinha dupla sabor menta e cobertura de chocolate para compensar essas suas mancadas. A Lana… Tudo bem, então sem tocar no nome dessa pessoa até o final do sorvete, depois do sorvete eu penso se vou te ajudar com a minha lábia perfeita ou não. E não se ache muito, vai estragar a magia da coisa.
Eu sei que você é inocente, não estou contradizendo, mas vai que né... Você se aproveita da oportunidade de eu paquerar, porque eu admito, eu paquero, tudo bem, e tenta se aproveitar da menina no momento de carência dela. Nunca se sabe...
I know... Não toquemos nesse assunto jamais, prometo, como muitas outras coisas que prometi. O quão metido a bonitão? Sejamos francos, eu sou lindo, não tenho porque fazer cu doce, Baal. Eu faço melhor: uma casquinha tripla com tudo o que você quiser. Não precisa nem me dizer, apenas peça e eu pago. Isso, talvez, pague as pisadas na bola? Espero que sim, porque vai me deixar mais liso do que meu cabelo, certamente.
Não, ele não gira. Mas todos sabemos que você ama quando eu dou um sorriso, não só eu como as garotinhas que você fica paquerando na porta da universidade. Você deveria parar de fazer isso aproposito. Tem pessoas te chamando de o tarado, é meu caro.
Seu trabalho é muito chato e esta te transformando em um chato ainda maior. Não sei como ainda te suporto… mentira eu sei sim, é por causa do sor… Brincadeira. Já tentou conversar com ela de novo? Sabe, um dialogo pode resolver tudo. Se quiser eu posso tentar convencer ela, sou bem convincente de vez em quando. E sim, definitivamente você é desse jeito, me deixa completamente louco. Eu estou pensando em seguir isso como carreira sabe, sinta-se honrado, te peguei como modelo.
Você parece uma criança boba quando está sorrindo, Baal, apenas por isso. Hey, hey, hey! Eu não paquero com elas, elas é quem flertam comigo, eu apenas acompanho o ritmo. Uhg, como se eu bem ligasse para isso... Acho que é você quem se aproveita dessa situação para se sair de inocente.
Bom, deixa eu te contar uma novidade... Eu sou chato, com ou sem trabalho. Me surpreende que um demônio como você seja mais animado que os demais. Quer dizer... "Vamos botar essa caceta abaixo, fodam-se as boas almas", essas coisas, sabe? Ou pelo menos é isso que consta em uns livros. Você não me suporta, você gosta de mim porque eu te suporto, só por isso. De vez em sempre, você quer dizer! Sua lábia é ótima, Baal, mas prometi que não iria mais lhe importunar sobre a Lana. Estou tentando cumprir isso, mesmo sentindo uma leve coceira. É um ótimo começo, se for eu como modelo, sabe por quê? Você conseguirá a fama bem mais rápido, vai por mim... Literalmente.
Não lhe trará dinheiro, mas lhe trará meus sorrisos! E cá entre nós, isso é muito melhor que dinheiro.
Se você sabe que ela não ira assinar por vontade propria, por que continua insistindo em acompanhar o caso? Sabe, você poderia tentar outra coisa. Você sempre me promete a mesma coisa. “Ah, Baal. Não precisa mais fazer isso, estou ocupando muito do seu preicoso tempo meu pequeno.” E logo em seguida vem encher a minha cabeça com essas coisas novamente. E sim, essa foi a melhor imitação de você que alguém já fez, eu sei, eu sei. Não precisa ficar enchendo minha bola.
Não é como se o meu mundo girasse por cada sorriso que você dá quando toma sorvete, mas é melhor do que não ver sorrisos, você está certo.
Porque esse é o meu trabalho, eu tenho que organizar tudo, e não adianta ela pedir os papéis e não me entregá-los de volta para cadastro. Eu poderia... Mas o que sugere? Eu, definitivamente, não sou assim, não mesmo! Ou sou?... Argh! Mas isso é para o meu trabalho, eu sei que você compreende muito bem. Aliás, se bem que a voz ficou até parecida mesmo... Até que você pega o jeito para imitação, não é para menos, óbvio.
Você é muito chato Jean. A todo momento fica me perguntando sobre essa criatura, pense em algo mais produtivo de vez em quando, como me levar para tomar sorvete.
Mas antes que me mate ou volte a me perturbar com esse assunto, eu ainda não posso te dar a resposta. Ela vai decidir hoje mais a tarde no escritório. Depois quando ela decidir eu te passo a informação okay? Agora vamos tomar meu sorvete! Ye!
Ah, claro, isso sim irá me sustentar e me dar dinheiro, certo? Vamos logo tomar esse sorvete, porque já estou ficando com vontade também, de tanto você falar.
Ela só vai decidir quando fizerem por ela, diga logo isso. Aquela, sim, é uma mulher indecisa por demais. E trouxa! Anyway, estamos devidamente quites. Não precisa se preocupar, eu não vou mais nem citar o nome Lana na sua presença... Durante os próximos cinco minutos, até que eu me aborreça e te peça novamente.
Ah, vamos la por favor. Você prometeu que depois do jogo iriamos tomar sorvete. Você sabe que sorvete para mim é como o ar, eu preciso dele para poder sobreviver. Vamos, vamos, vamos!
Fine! Você não consegue esperar míseros sessenta segundos até que eu recupere o fôlego? Eu prometi, e você também prometeu me ajudar a saber se a Lana, que te passei as informações, já assinou os malditos papéis de divórcio, lembra? Você fez?
JEAN CHANTER DUÈRE. 305 YEARS, APPEARS 20. HYBRID OF BEAST AND VAMPIRE. GREG SULKIN. CLOSED.
I’m just gonna do here what I gotta do here ‘Cause I gotta keep myself free
LIFE FOR YOU IS S H A D E S OF GREY
Quando nasceu, Jean foi rapidamente retirado de sua família verdadeira, que de tão pobre ao menos tinha comida para lhe dar. No lugar dos pobres Chanter, o pequeno menino foi entregue à outros pais, ricos, poderosos e extremamente influentes. Os Duère eram uma família perfeita, e aqueles que tinham a felicidade de ser acolhidos em seus braços eram reconhecidos como donos de imensa sorte, e tratados como reis de sangue azul. Com suas dezenas de filhos adotados, todos eles recolhidos das mais pobres famílias francesas da época, mesmo com seus enormes montantes de dinheiro, os Duère eram reconhecidos como pessoas de bom coração e lindos sorrisos, família que há séculos cuidava de quem não tinha condições. O pequeno Jean foi um dos sortudos que acabou caindo na graça do Sr. Dimitri Duère.
Quando era criança, poderia ser considerado o diamante dos olhos daquele senhor. Era amado mais que os outros, tinha mais roupas, mais cavalos e adornos. Por mais que assim fosse, nenhum dos outros filhos reclamava, já que o lindo Jean não era de se gabar pelos presentes que ganhava. Teve sempre em mente que estava ali porque tivera imensa sorte, e seus sorrisos encantadores não deixavam que alguém ficasse com raiva do mais simpático dos filhos do Sr. Duère, que além de filho era irmão, e sempre cuidara dos seis irmãos e sete irmãs com tanto carinho que chegava a ser assustador, embora fosse deveras explosivo. Era apenas alguém chegar perto das meninas, principalmente, que Jean mostrava unhas e dentes, pronto para acabar com a raça daqueles que diziam querer a mão de suas pequenas em casamento.
Quando o garoto não estava cuidando dos irmãos, estava trancado na gigantesca biblioteca dos Duère, estudando, afinal contos nunca foram sua leitura favorita. A coisa que o rapaz mais adorava estudar, porém, eram árvores genealógicas. Jean era capaz de guardar nomes, datas e locais com facilidade surpreendente, e era a pessoa indicada para dizer tudo sobre uma família, se era de boa índole ou até mesmo se havia algum tipo de criminoso ou sangue real nos laços sanguíneos. Foi indo atrás de sua própria família, os Duère, que Jean encotrou Dominique Duère, a menina que possuía a mesma idade que ele, e era, assim como o rapaz, de Paris. Eram coincidências que o moreno poderia deixar passar, não fosse o nome do meio encontrado no grande livro: Chanter. Intrigado, Jean passou a investigar sua própria árvore juntamente à árvore da menina, percebendo que em certo ponto elas se encontravam e seguiam a mesma linha. Em pleno século XVIII, o moreno decidiu que encontraria aquela menina, residente em Lyon e casada com o conde Duère daquela região.
Seu pai ficou preocupado, e mesmo com a notória habilidade do rapaz em montaria, não deixou que Jean fosse atrás da garota, chamada Dominique. O rapaz era inteligente, muito mais do que o normal, e soube naquele instante que algo estava extremamente errado. Por que havia sido separado daquela menina? Quem era a família que sempre cuidara dele, alegando proteção? Foi então que passou a estudar mais, apenas trocando seus usuais livros de histórias familiares por grossos volumes de capas azuis, cheios de tediosas histórias fantásticas. Foi em meio àqueles livros que Jean encontrou o nome que tanto desejava, esquecendo-se de Dominique por alguns breves instantes antes da fúria. Os Duère eram, na verdade, uma poderosa família sobrenatural Francesa, tendo representantes por todos os cantos do grande país. Vampiros, sereias, trolls, bruxos, anjos caídos, fadas, elfos e, no caso de Jean, lobisomens.
O garoto, que nunca tivera a paciência mais longa do mundo, chegou revoltado ao escritório de seu pai, exigindo explicações sobre aqueles absurdos. Sentado em uma cadeira de veludo negro, Jean escutou tudo prestando total atenção, mesmo não acreditando em todos aqueles nomes até alguns minutos antes. Ao acabar, exigiu que fosse transformado, tanto por curiosidade absurda quanto para comprovar a veracidade daquilo tudo. E a transformação que devia ser simples e sem muitas complicações, acabou sendo razão para grandes dores de cabeça. Jean ficou com febre, de cama durante semanas, balbuciando o nome de sua provável irmã. Durante cinco meses, tudo o que saía de sua boca era saliva, sangue e o único nome: “Dominique.”
Todo esse tempo depois, bateu à porta dos Duère de Paris um casal composto de um homem de olhos vítrios e lábios finos, cabelos brancos em um rosto inacreditavelmente jovem, junto de uma linda mulher de olhos verdes e pele morena. Tinha por volta de seus vinte anos, um lindo anel de jade em seu anelar esquerdo, e o sorriso mais irônico que já se vira. Quando estendeu a mão para ser beijada, pronunciou seu nome como a mais linda música “Dominique”. E à partir do instante em que chegou no quarto de Jean, o garoto respirou novamente, e deu um de seus melhores sorrisos. Não fossem seus olhos loucos, tudo poderia estar bem.
Jean ficou calmo, se recuperou e recebeu os cuidados de sua irmã, como ela explicou mais tarde. Foi agraciado com a marca dos Lobisomens Duère, um círculo com uma pata no centro, marcada à ferro em sua anca esquerda. Dominique disse que ela e seu marido ficariam pelo tempo que fosse preciso, e se assim não tivesse sido, uma tragédia incalculável certamente teria ocorrido, despertando a curiosidade dos habitantes e fazendo brotar o sangue nas ruas de Paris. Na primeira lua cheia de Jean, seus olhos ficaram vermelhos como o fogo, e seu único instinto era matar, destruir e dilacerar. Dimitri já temia tal fato, mas não tinha forças para deter uma fera. Foi Remmi, esposo de Dominique e chefe dos vampiros franceses o responsável por apaziguar Jean, dando-lhe uma mordida no braço, imobilizando-o por completo.
Quando Jean acordou, sua anca esquerda ardia pela brasa quente, uma cruz sobre a pata negra, ultrapassando os limites do círculo. Ele era o primeiro Duère a pertencer à duas famílias. Procurou pela irmã, mas tudo que esta havia deixado fora uma carta timbrada com a mesma cruz saindo do círculo, e letras grossas dizendo que um dia voltariam a se ver. Descrente de tal fato, Jean esperou que seu pai morresse, revogando a posição de líder do bando e dando-a à uma menina recém mordida que julgara ter bom coração. Após as formalidades, Jean saiu da mansão Duère com grande quantia de dinheiro e a vontade de descobrir o mundo.
Passou anos viajando por onde lhe dava na telha, sempre se escondendo nas noites de lua cheia, com medo do que poderia fazer. Nas vezes que esqueceu de se acorrentar, ou quando a lua o pegou desprevenido, acidentes horríveis aconteceram, dezenas de pessoas morrendo por suas mãos. Afinal além de um Vampiro, era um fera, e tudo o que desejava era sangue e dor. Ao percorrer todos os lugares que queria, centenas de anos depois, Jean foi parar em Silvermoon, recostando-se finalmente, disposto a se aquietar em um pequeno apartamento, já que todos os luxos ganhos quando mais novo haviam sido esquecidos.
I ASKED YOU WHY PEOPLE D I E, YOU SAID WE ALL HAVE A DESIGN
Jean acordou com o som de um grito. O rapaz vivia recebendo visitantes em seu apartamento, abrigando aqueles que não tinham dinheiro no segundo quarto que possuía, e por alguns instantes pensou que fosse sua hóspede fazendo tanto barulho. Ao chegar cambaleando de sono ao lugar, porém, encontrou a pequena elfa chorando encolhida em cima da cama. Seus instintos protetores o fizeram abraçar a menina que chorava compulsivamente durante horas, pensando em tudo o que havia vivido, nas pessoas que amara. A fera sabia que morreria em breve, e se sentia feliz por isso, afinal nunca desejara imortalidade, e finalmente poderia descansar. Jean sequer soube o que aconteceu ao seu redor, antes de morrer abraçado à elfa, vítimas de uma explosão do lado de fora. Seu último pensamento foi a promessa não cumprida de que veria Dominique novamente.
PURGE THE PAST, LEAVE NO TRACE B E H I N D
Voltando à sua vida normal, Jean continuou trabalhando na prefeitura como chefe de cartório, responsável de registrar cada criança, casamento, divórcio e adoção que aparecem em Silvermoon. Não conta para a maioria das pessoas, mas leva com ele um antigo caderno que pediu à uma bruxa para enfeitiçar. Neste grosso volume vermelho encontram-se gigantescas árvores genealógicas, pertencentes à todas as pessoas que conhece e considera importantes na sua vida. O garoto deixa algumas noites disponíveis apenas para desenhar as elaboradas árvores, das quais cuida com muito carinho. Por conta de seu feitiço, sempre há uma página em branco para a diversão do francês, e a família que chama sempre aparece ao toque de seus dedos. A família que mais chama, e que sempre lhe deixa sorrindo feito um bobo, é a nem tão humilde Duère, com a qual mantinha contato, porém acredita ter perdido o endereço, não sabendo que as pessoas que tanto ama já estão mortas.
I L O O K FOR YOU BY THE UNDERPASS
Mesmo que Jean seja uma das pessoas mais carinhosas do mundo, sua paciência expira com tanta rapidez que chega a ser assustador. No mesmo instante que abraça pode estar xingando a pessoa em quem despejava o amor. Protetor até demais, Jean foi criado para ser um Alfa, cuidar dos outros mais do que dele mesmo, e por mais que o tempo de sua criação tenha sido há centenas de anos, ela foi sólida o suficiente para perdurar. Jean e seus sorrisos encantados são capazes de fazer qualquer um se apaixonar, da mesma forma que seus olhos de gelo podem deixar pessoas fortes caídas de medo. Um tanto louco por ter a fera dentro de si, Jean é uma pessoa diferente das demais, que não gosta de se aproximar muito de ninguém. Por ter passado muito tempo viajando se acostumou a ter várias pessoas ao seu redor, mas não conhecer a maioria delas, e gosta assim. Dentro de si, Jean sente uma imensa vergonha de ser um assassino.
When the darkness comes - POV
San Francisco, 1785. (17:32)