O bip bip da mensagem iluminou o visor do celular jogado na cama de solteiro soterrada de cobertores no quarto bem maior que o que Jidae passava os dias da semana no dormitório do campus. Ele amava voltar pra vila, pra sua casa de infância, pro cheirinho de comida da mãe e todo o conforto de ter uma suíte só pra ele ao invés de banheiros compartilhados e um quarto com cheiro de… quatro jovens dividindo um quarto.
Na sua casa de família, Jidae se sentia mais relaxado, mais acolhido, com mais disposição. Os que dizem que a Universidade suga sua energia não estavam mentindo, e passar aqueles finais de semana em Nami restauravam seus health points.
Jidae não ouviu a notificação do celular por cima do barulho do secador de cabelo no pé do ouvido, somado com Pearl Jam bombando na sua JBL no topo da estante de discos. Jidae não conseguia tomar banho sem ouvir música, ou fazer qualquer coisa sem ouvir música aliás, e seus pais, mais fãs de um som polido e refinado ainda achavam graça de como o filho mais novo tinha esse pé no grunge. Ao menos a fase em que Jidae sonhava em meter um piercing na língua passou sem matar a mãe do coração, mas ele tinha vários furos nos lóbulos pra compensar, hoje com argolas douradas bem grossas balançando no ritimo que ele sacodia a cabeça e secava os cabelos vermelhos ao mesmo tempo.
A mensagem só foi lida quando Jidae se jogou na cama já vestido pro dia, porque naquela casa não tinha essa de ficar de pijama na preguiça, ele tinha poucos dias pra aproveitar a vila antes de voltar pro trabalho em Seoul, e cada minuto era precioso.
“Eh…” Jidae sorriu pro celular apesar da cara confusa. Fazia um pequeno milênio desde que ele e Seung hyung tinham trocado mensagens, e Jidae se lembrava nitidamente de parecer um chato que não calava a boca sobre como a vila onde ele morava era incrivel e sensacional. Garoto propaganda #1 daquele lugar, e pelo jeito a mágica tinha funcionado, atraindo mais um pro charme da pequena ilha branquinha de neve.
Tô ai em quinze minutos, hyung. :) foi a resposta digitada nas pressas, e foi só o tempo do Jidae se empacotar com casaco, touca e cachecol, passar no quarto do seu irmão-hyung pra dar um beijo na testona dele, sinalizando que ele iria sair pra patinar, e foi só meter o pé na rua pra sentir aquele murro de vento frio no nariz. Jidae só conseguiu sorrir.
Porra, como ele amava o inverno.
E, cumprindo com sua promessa (mais ou menos), vinte minutos depois ele chegou com o nariz vermelho e um sorriso quadrado aparecendo por cima do cachecol, caminhando em direção ao rosto conhecido da época de Universidade. Jidae fungou por conta do frio e a franja vermelha nos olhos, acenando oi pro seu hyung.
“Que isso, uma miragem?!”
Fazia realmente muito tempo desde a última vez na qual ele entrara em contato com Jidae, sendo esse afastamento assim como vários outros do pessoal que conhecia da época da faculdade uma coisa que foi acontecendo de maneira quase que natural. E, principalmente durante seus primeiros anos dentro do escritório do tio tinham sido definitivamente os mais corridos. Era a epoca na qual ele mais queria se demonstrar capaz para o mais velho, buscando toda e qualquer oportunidade de demonstrar seu interesse em seguir adiante com tudo aquilo. Quando muito conseguia arranjar um tempo para si mesmo, mas em geral sua mente estava apenas direcionada para o trabalho; os casos que deveria resolver. Com o passar do tempo, claro, na medida que foi pegando casos mais importantes e consequentemente em menor volume que Seung pode aos poucos se dar o luxo de refrear um pouco. Mesmo assim seu ritmo podia ser considerado muito mais frenetico do que estava acostumado a observar nas pessoas ali da ilha.
Inicialmente, por mais que tivesse de fato contatado o mais novo ele não esperava algum tipo de resposta. Também, fazia tanto tempo que não conversavam que ele não conseguia encontrar motivo algum para o outro querer entrar em contato com ele outra vez. Haviam conversado bastante a respeito da ilha, mas na época ele não conseguia entender o fascinio que o outro parecia demonstrar com relação a tranquilidade e serenidade que a ilha parecia lhe oferecer. Estava tão obcecado com o que estaria fazendo quando saísse da faculdade, o que teria que demonstrar que dificilmente aceitaria um convite do mesmo para visitar o lugar. Por isso surpreendeu-se um pouco quando, não muito tempo depois de enviar a mensagem ao mesmo ele sentiu o celular vibrando levemente em seu bolso sinalizando a resposta. Um pouco surpreso Seung tornou a levar o copo mais uma vez os lábios, suspirando demoradamente enquanto tornava a observar a bagunça que os mais novos faziam sobre a neve. Deveria estar se sentindo angustiado por estar passando uma quantidade de tempo significativa não fazendo nada que poderia ser classificado como útil, mas a sensação era ao mesmo tempo tão relaxante que ele realmente não se importou. Permitir-se focar em coisas tão pequenas como a sensação do vento gelado contra seu rosto é algo que não podia, não queria se dar o luxo anteriormente. Levando em consideração que sempre havia se demonstrado ser um maniaco por trabalho, subitamente em uma ilha aconchegante como aquela não lhe surpreendeu que Jidae tivesse demonstrado bastante surpreso em encontra-lo ali. Também não havia explicado nada ao mesmo. — Talvez fosse se não estivesse aqui a trabalho. — replicou com um sorriso levemente entretido, mas imaginava que o outro tivesse suposto algo assim. Ele era mesmo uma pessoa previsivel. — Desculpe te decepcionar. Aquele convite pra me mostrar as coisas aqui na ilha ainda esta valendo ?