Ando por aí querendo me encontrar.
Ando por aí sem tempo nem para pensar em mim, quem liga pro coração, então? Eu ligo! Ligo e (re)ligo quantas vezes forem necessárias. Já dizia a Banda Mais Bonita da Cidade que o coração não é tão simples quanto pensamos, corretíssimo. Ele é envolto de centenas de disfarces, de armaduras (e amarguras, porque não.). Ele é o soldado da linha de frente e não tem medo da batalha, pelo contrário, esta sempre disposto a duelar seja para vencer, perder, viver ou morrer de amor. Na biologia descobrimos que quem sente de verdade é cérebro, mas que graça teria levar isso adiante? O coração é o protagonista com mais presença, impossível substitui-lo (a ciência que me desculpe).
No mundo de concreto, interrogações e “falta de tempo”, felizes são aqueles que não perdem a essa batalha e inundam corações e (re)formulam sonhos por aí, abraçam o mundo (e as pessoas), fazem parênteses e parentes em meio a desconhecidos e que em momentos de crise cortam o S. Por mais clichê (e a vida é cheia dele) que pareça ser, parar(!) é necessário. PARA! Agora pensa comigo, qual foi a última vez que tu sorriu por nada? Que tu amou por nada? Que tu se doou por alguém? Qual foi a última vez que tu foi, simplesmente, tu? Sem máscaras e modas, sem dramas e famas, sem vergonha e sem demasiada formalidade? Somos tão automáticos, que automatizamos o que sentimos, o que falamos e o vivemos. Como computadores excluímos arquivos não desejados, aumentamos o volume quando é ou não necessário, abrimos mil janelas e as vezes esquecemos que é preciso fechar algumas para que novas possam ser abertas. Notamos que as vezes o nosso HD fica lotado e decidimos então que é hora de nos formatar. Mas será que isso realmente ajuda? Não.. Então, porque não rebobinamos que nem fazíamos para vermos os filmes outra vez. Rebobinamos para rememorar cada sorrisos e ver que o HD do coração sempre terá espaço e mais espaço.
Embora todos esses devaneios pareçam histórias infantis, pareçam a terra do nunca para o Peter Pan e o coração para o Homem de Lata, eles formam a ponte para a alma de cada um. Formam um laço daqueles que não se desfazem e não deixam marcas, apenas unem o passado, presente e o futuro. Unem cada sentimento. E esses entrelaçados feito duas mãos que se encaixam, sincronizam alma, corpo e sentidos. Sincronizam felicidade e compartilham, sorriem e disponibilizam oportunidades de tentar, (re)começar e sem pestanejar: acreditar.
(Pietra Fernandes)









