Eu não queria me envolver com ninguém, eu tava de saco cheio desse papo de amor, de querer ser amada e você achou graça, achou meio incrível uma mulher nao sonhar em se casar, ter filhos, uma família, achou um absurdo eu querer passar o resto dos meus dias sozinha.
Ria quando eu dizia que tinha dois fígados por que o coração já tinha removido a um tempo. Curtiu minha loucura, minhas gírias, minhas pérolas. Gostou da minha voz, do meu rosto, do meu corpo, vivia dizendo o quão linda eu era e que seria impossível eu conseguir ficar sozinha desse jeito, já que eu era uma pessoa sensacional, segundo você é claro. Foi ai que você começou com seu jogo sujo, com seu plano terrível e eu por um pouco de descuido entrei na trama, respondi com sinal verde a alguns flertes, comecei a sentir uma necessidade de falar com você a todo momento, de ouvir mais e mais a sua voz, acordava cedinho pra acompanhar virtualmente o teu trajeto até o trabalho. Não me importava em passar essas horas acordada. Então comecei a me policiar, havia alguma coisa familiar acontecendo, eu conhecia aquela mal-dita sensação, o frio na barriga, a quantidade de vezes que olhava pra sua foto, o número de vezes que olhava pro celular pra vê se havia alguma mensagem tua, sempre tinha, e me pegava sorrindo a cada “amor” que você escrevia, a cada frase clichê, mas que mesmo assim é bacana de se ver. Comecei a bancar a durona, já havia visto que tava fodida mesmo, não dava mais tempo de tomar um choque de realidade por conta própria. Os amigos? Ah os melhores “corre, é furada!” , “vamos no centro , na mesa branca desfazer esse trabalho que fizeram” , “sai dessa, ele não vale nada”. Mas e quem disse que isso adiantou? (Preciso ouvir mais meus amigos). Quando finalmente comecei a criar histórias lindas e imaginárias na minha cabeça, diálogos que nunca teremos e momentos que nunca vamos viver, eu me vi desesperada. E o desespero veio a cavalo umas horas mais tarde daquele mesmo dia, você havia voltado pra sua ex namorada. A mesma que você jurava que queria ter bem longe de você, mandou um buquê de rosas vermelhas pra ela, que não perdeu tempo e publicou o quanto te amava e estava feliz. Foi então que me vi como um tapetinho embolado num canto da porta, me vi como um pano de chão sujo que não vale a pena ser lavado. Me vi mais uma vez desacreditada nisso que chamam de amor e eu não quero me envolver com mais ninguém, to de saco cheio desse papo de amor e de querer ser amada.