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Fresno-Alegria Cancelada
"Que risquem do dicionário a solidão!"
"É chegado o dia em que a gente vai parar de fazer as coisas pela metade, para fazê-las de verdade. Não mais direi meias-palavras, muito menos acreditarei em meias-verdades. Eu quero a verdade por inteiro, e quero que ela seja dolorida, se tiver que ser, ou prazeirosa, ou como eu bem quiser - mas que seja de verdade! Eu quero conhecer as pessoas por completo, ir além da casca e, em suas almas, encontrar as ferramentas para curar as feridas da minha. Para que isso aconteça, vou me relacionar além da superfície, e ver que há algo por detrás dos olhos, e que o abraço não traz apenas calor. Que risquem dos dicionários a solidão."
(Lucas Silveira)
“Você nasceu pra ser espinho e eu cicatriz.”
— Visconde.
Agora é a sua vez.
Lucas Silveira - vozes, piano, output arcade, TS808, vocoder. LETRA: Voa sem temer Ama sem pensar Joga pra perder Um dia vai ganhar Vive pra
Voa sem temer, ama sem pensar, joga pra perder, um dia vai ganhar, vive pra aprender, e pra me ensinar, abraça o que vem, e doa sem cobrar. Agora é a sua vez,sem rastro pra seguir, a maneira mais difícil de viver, foi a que eu escolhi... Agora é a sua vez, se for sofrer como eu sofri, saiba que não importa o quanto for doer, devemos resistir. Devemos resistir...
Visconde
Você não aguentaria um só dia vestindo a minha pele.
Sobre canções
Minha vida sempre foi movida pela música, cada momento tem sua própria trilha sonora na minha cabeça.
Quando era pequeno escrevia pequenas músicas para situações básicas de uma criança normal.
Com meus quinze anos comecei a escrever pois me sentia sozinho, e fazer canções era a única coisa que me mantida feliz com alguma coisa.
Aos meus dezoito anos descobri que sofria de depressão, e essa foi a época mais complicada na minha vida. Todos me cobravam, me chamavam de fresco e qualquer outra conotação. E novamente o que me salvou foram minhas canções.
Aos vinte e dois comecei a namorar e escrevi tantas músicas para ela, que chegou a um ponto onde nem ela queria mais me ouvir, e novamente todo que me ouvia era meus caderno.
Aos vinte e quatro meus surtos de ansiedade voltaram mais fortes do que nunca e simplesmente isso fez com que ouvesse uma espécie de bloqueio mental, onde fiquei anos sem compôr nada.
Chego então aos meus vinte e cinco anos e volto a compôr. Nesse meio tempo acabei meu namoro, minhas crises continuam e estou cada vez mais sozinho. Novamente sou apenas eu e me caderno.
Saldo dessa história? Minha ex namorada ganhou trinta e cinco músicas, meus amigos dez, a mina que eu curtia 12 e mais 20 músicas sobre coisas aleatórias. Mas e sobre mim quantas foram? Foram todas, só quem ninguém vai escutar.
Componho músicas que ninguém vai ouvir, escrevo letras que ninguém vai ler e faço discos que nunca irei lançar.
Invisibilidade
Todos os dias somos as mesmas pessoas.
Suplicamos por atenção a cada segundo de nossas vidas, mesmo que não seja necessário, queremos atenção.
Mas eu sou um caso a parte. Eu sou o cara que ninguém nota. Eu sou a pessoa que necessita de atenção, mas não recebe.
Toda hora, que me sinto sozinho, percebo que realmente estou, ninguém quer minha atenção ou me dar atenção.
É duro pensar que o problema é ser eu. Sou o famoso "Não fede e nem cheira."
Essa falta de atenção me faz um mal, que ninguém consegue imaginar e quando estou perto do fim, ainda acho forças pra tentar continuar. Pego meu caderno e meu gravador e saio escrevendo músicas.
Essas músicas são as únicas coisas que me trazem alguma lucidez, e eu sei, que esse caderno onde escrevo canções é a única coisa que me escuta, onde posso falar tudo. Por mais que o caderno não me responda, isso é mais do que toda atenção que já me deram, e as vezes eu sinto que é toda atenção que posso ter, até porquê, eu não sei lidar comigo quem dirá que outra pessoa saberá.
Como nada muda
As vezes parece que tudo está mudando, mas na realidade não está.
Pela segunda vez esse ano estou tendo outro surto de ansiedade e isso acaba comigo.
O problema é que não sei o motivo de surtar, apenas acontece.
Pode ser falta de atenção, ou atenção de mais ou qualquer outro motivo.
É nessas que vemos que nada muda.
Posso estar nadando contra a maré, mas ele sempre me puxa de volta.
Tenho ansiedade, penso eu todo dia. Tenho que me controlar, mas às vezes simplesmente não dá.
E quanto tenho meus surtos é que vejo que estou sozinho demais.
Amigos que são amigos apenas nas horas boas, sua garota que finge que nada está acontecendo, é esse tipo de coisa que passo a cada surto ou pequena crise de ansiedade.
Minha lucidez fica apenas nos textos e músicas que escrevo, e são elas que impedem de enlouquecer de vez.
Não são as pessoas, objetos, dinheiro ou quaisquer outras coisas que trazem de volta. Sou apenas eu que faço isso.
E após algumas longas horas, toda essa dor começa a passar. Mas eu sei que não vai passar. É apenas um alívio momentâneo, e essa dor que sinto não vai embora, apenas fica adormecida dentro de mim até chegar a hora de voltar pra me avisar que nada muda, você não muda, as pessoas não mudam, o mundo muda mas você não consegue ver.
“Porque sonhos chegam devagar e se vão muito rápido.”
— Passenger
Mr.Robot (2015)