Um ano que tinha tudo pra ser sofrido, pode terminar mais que positivo na Gávea. Elenco desacreditado, contratações que não vinham rendendo, técnicos... E mais técnicos. Dentro do campo, o Flamengo estava longe de ser o que os torcedores esperavam. Mas eles não deixaram de apoiar. Eles nunca deixam de apoiar! Criticaram, vaiaram, xingaram... Mas no outro jogo estavam lá novamente. Com chuva ou com sol.
Fora dos gramados a situação era completamente adversa. Dívidas sendo pagas, CND's obtidas, esportes olímpicos ganhando autonomia. O Flamengo, na metade do ano, havia se dividido em duas partes: O coração e a razão. Estamos com a diretoria até o fim. O Flamengo está renascendo, diziam alguns. Promessas, promessas e mais promessas... Futebol é dentro do campo e estão nos levando para a segunda divisão, disseram outros. Comum, numa torcida de 40 milhões. Mas em momento algum, nenhum deles deixou de apoiar.
Caiu Dorival Junior, caiu Jorginho, caiu Mano Menezes... Ficou Jayme! O tranquilo Jayme de Almeida! Cria da casa. Nasceu com sangue de Rubro-Negro vendo seu pai desfilar talento na geração pré-Zico e companhia. Não tem como dar certo, ele é inexperiente; Diziam uns. É tudo o que o Flamengo precisa; Ele conhece o clube; Afirmaram outros. Comum, numa torcida de 40 milhões. Mas em momento algum, nenhum deles deixou de apoiar.
Eles não deixam de apoiar. Remo, Campinense e ASA. O Flamengo chegou às oitavas de final da Copa do Brasil. Não fez mais que a obrigação de um time grande. Cruzeiro. No primeiro grande desafio, logo o time com o melhor futebol jogado no momento. Era tudo que o Flamengo não queria. Era exatamente o que o Flamengo precisava. No jogo de ida, uma derrota de 2x1 fora de casa. Nada fora do comum. Quis o destino que Carlos Eduardo marcasse o "gol da classificação" para muitos. Sim, da classificação. O jogo de volta já estava predestinado. Ninguém ganha do Flamengo no Maracanã inflamado pela torcida se tratando de um jogo decisivo. Não em 2013. Do apito inicial até o gol de Elias, aos 43, para toda Nação, ou aos 44, para muitos jornalistas, em momento algum eles deixaram de acreditar de que a classificação viria.
No jogo de ida das quartas, um empate com o Botafogo. Normal, em um clássico. Não para os Flamenguistas. No jogo de volta, classificação com goleada e mais um show nas arquibancadas. Normal em um clássico. Apenas para os Flamenguistas. Unidos eles são mais fortes. Naquela quarta-feira, dia 23 de outubro , dentro do gramado aquele elenco já era formado por outros homens. A identidade de cada um era a mesma, mas o sentimento vibrava numa única sintonia com 40 milhões. Era impossível o Botafogo vencer e isso foi provado no gramado. Fora dele, nas arquibancadas, a superioridade foi mostrada desde a compra de ingressos. Eles assustaram, eles massacraram e mais uma vez, eles se classificaram. Próxima batalha: Goiás, pelas semifinais.
Um duelo decidido em apenas 90 minutos, quando de fato, só deveria acabar após 180. A Nação, como eles se autoapelidam, foi ao Serra Dourada. Se infiltrou na torcida adversária, dividiu o estádio, como fazem em qualquer lugar do planeta e empurraram o time para a decisão. Após o 2x1 na partida de ida, não tinha mais história. A vaga para a final era questão apenas de tempo. Sem medo de errar, embaixo de chuva eles lotaram o Maracanã, que já não é mais o maior do mundo. O estádio está ficando pequeno para uma torcida que não para de crescer. Saíram perdendo, tomaram um susto, mas no ritmo de "Vamos Flamengo" eles viraram e se classificaram. O elenco desacreditado deixou mais um pelo caminho.
Jayme de Almeida não ensinou ninguém a jogar bola e sim ensinou a cada um, um sentimento chamado Flamengo. Sentimento que fez o limitado Hernane virar o Brocador e que fez com que Elias se emocionasse. Cada jogador que passa por lá passa a ter a cor preta em metade do coração. O vermelho já estava lá, marcado desde que ele nasceu. 7 anos depois, a decisão da Copa do Brasil se reencontra com o Flamengo. Ela já estava com saudade... Nos gritos de "Libertadores, qualquer dia tâmo aí" eles estarão lá novamente, em mais dois duelos, com a certeza de dois triunfos. E ainda há quem duvide? Esse título só não vai para a Gávea se Deus não quiser. E há quem afirme que Deus é Flamengo também... No meio deles, eu sou mais um.
Matheus A. Berriel | Rubro-Negro sim, graças a Deus!