Aquele era o centésimo quinquagésimo segundo dia de Selene na instituição — mas afinal, quem estava contando, certo? —, porém, poderia muito bem ser o primeiro. Não se equivoque, a morena jamais alegaria não ser deslumbrada pelos terrenos de sua nação — bem, aqueles que ela conhece —, contudo, havia algo de particularmente espetacular em Hyacinthum. Talvez fosse simplesmente o fato de se tratar de um ambiente novo. Um com o qual havia sonhado durante anos, mesmo que jamais houvesse ousado externar tais anseios — até porque, não era como se tivesse com quem compartilhar desejos tão egoístas. Sequer desprendendo mais do que alguns segundos de sua atenção à bebida quente em suas mãos, a princesa assoprou a fumaça próxima ao líquido de coloração escura com o olhar sobre a estrutura arquitetônica a sua frente, delongando-se no inspecionar de seus detalhes, tão distintos do que estava acostumada — entretanto, não menos belos. “— Se a beleza é uma tirania de curta duração, ao menos considero-me honrada por ter presenciado tal efemeridade. —” Disse para si mesma, recordando-se do alegado por um dos grandes nomes da filosofia grega.
Pierre não estava animado com a perspectiva de outro ano em Hyacinthum. Em apenas um dia, o garoto já sentia saudades das terras russas, e do palácio que sempre chamara de casa. Estava mergulhado em café e auto piedade naquela manhã, um humor preocupantemente comum, quando ouviu uma conhecida citação da garota ao seu lado. “Mas se aparência de rosas são sua única virtude, elas vivem esquecidas, e murcham abandonadas.” A frase de Shakespeare estava na ponta da língua, um dos únicos sonetos do poeta que Pierre apreciava verdadeiramente.

















