no constante aprendizado de colocar as palavras pra fora, por mais que eu tenha me calado nos versos por anos.
a nuvem negra que deixa os olhos embaçados.
demasiada realidade deixa o coração pesado.
o que eu quero dizer com isso tudo, eu nem sei.
só que agora eu carrego 3 décadas, 3 décadas daquela solidão que é tão sua. que não se faz se reconhecer direito, mas que é o seu lugar próprio. do tipo que ninguém pode tirar.
e veja bem, tenho os que me são queridos. mas tem dias que simplesmente não consigo me conectar.
a nada.
e aí você voltou com uma mensagem inesperada, um texto do passado e o seu jeito ansioso.
mas por conta do seu sorriso e do seu cheiro, eu resolvi ficar.
dessas coisas que não tem lógica mesmo, me recomendaram fazer um lista dos prós e contras. é bem possível que tenha mais negativos se te desmembrar em linhas, mas o simplesmente gostar não tem outro peso?
ao mesmo tempo que você lê um dos trechos de um livro que eu jamais leria, eu não consigo te ler.
nunca pensei que conheceria alguém que tem a mesma habilidade em se distanciar.
a praticidade entre nós é tanta que o dar as mãos ainda causa uma eletricidade. até certo incômodo.
de novo, do tipo de coisa que não se pode racionalizar. e talvez eu tenha me apegado demais a minha própria linguagem...
mas estou tentando.
estamos, né?
ou a nossa dinâmica é o calor dos corpos seguido do encontro dos nossos vazios?
mas bem. acredito que o tempo é o meu maior aliado.
eu realmente quero acreditar. e tem momentos que acredito, tem outros que não. mas se uma parte de mim confia, ela é forte suficiente pra não desistir.
a vida é isso, né? movimento.
ultimamente tem muita coisa acontecendo até, mas a sensação é de permanecer no mesmo lugar.
por favor, que eu não vire uma adulta chata e cinzenta.











