Como disse Siken: se você me ama, não me ama de uma forma que eu entenda. E isso não é ingratidão, talvez lucidez tardia. Porque há amores que existem apenas para quem os sente, não para quem os recebe. Amores que se dizem profundos, mas nunca descem até o chão onde o outro pisa. Amores que pedem compreensão infinita, enquanto oferecem gestos quebrados, presença intermitente, cuidado em idioma estrangeiro. O amor que eu entendo não diminui. Não me pede para caber. Não prefere que eu esteja onde fico contra a minha vontade, onde o corpo entra em alerta e a ansiedade se instala como regra. Não me mantém onde não me sinto em casa, onde não sou bem-vinda, onde minha presença é apenas tolerada. O amor que eu entendo não me silencia. Não me empurra para lugares onde não tenho voz. Não constrói vínculos onde não tenho escolha, onde existir exige negociar comigo mesma o tempo todo, onde permanecer custa mais do que partir. Eu não preciso de um amor perfeito, preciso de um amor legível. Um amor que não me faça duvidar do meu lugar. Que não me ensine a aceitar migalhas como se fossem intensidade, que não use afeto como argumento para controle, nem permanência como prova de lealdade. Porque amor que prende não cuida, vigia. E amor que exige tradução constante não acolhe, desgasta. O amor que eu entendo me deixa inteira. Livre para ficar. Livre, inclusive, para ir. Enttao você pode até me amar, não questiono, só não de uma forma que eu entenda.
















