Sobre uma jornada
Quando olhei para mim
Estava atrás de algo
Que não sabia
O que era, enfim...
Não imaginava
Mas sentia na pele
Que o vento a cortava
Ao mesmo tempo
Cicatrizava
Não quis ficar
E assim fui caminhando
A brisa leve
trouxe a tarde
Deixou para trás
O calor e o fim do dia
Nessa hora saudade arde
O alaranjado e lilás do céu
Se desfez, perdeu o véu
Desvelou uma noite fria
Com estrelas a cintilar
Ou a luzir?
No escuro a lua veio iluminar
Nesse instante, imaginei:
“Falam tanto de seu esplendor
A lua cheia é bela, eu sei
Mas esquecem que quando mínguas
Não deixas de arrebatar”
Mesmo entremeada por nuvens
Tua silhueta denunciava
Que algum amor se avizinhava
Evocado pela batida forte de um tambor
Num toque suave de agogô
Na agilidade do pandeiro
Foi tanto sentimento
E instrumento
Que a madrugada passou ligeiro
Olhe!
O novo dia já quase raiou
Tá escutando?
São passarinhos cantando
Parecem bem-te-vis e sabiás-laranjeira
Saindo das acácias e voando para goiabeira
Deixando galhos e folhas
Balançando
Os primeiros e preguiçosos raios de sol
Avisam que de novo vai clarear
Que preciso repousar
Ou quem sabe tentar
Ah sim, agora entendi
Toda essa jornada
De angustia, inspiração e alegria
Sonhos e afetos
Tristeza e paixão
É porque estou caminhando
Dentro de minha poesia
Leandro De Martino Mota 10/25














