Oxaguiã é a fala que corta como aço amolado. O Oxalá jovem é a leveza impetuosa de quem sabe que a justiça precisa ser semeada, a cada instante, com as mãos e com a voz. Suas contas são brancas, a pureza de Obatalá, mas entre elas brilha o azul celeste – a permissão dos céus para que a sua paz seja ativa, inquieta, arengueira.
Ele é o filho da disputa, aquele que ergue a espada como um opaxorô.
Sua guerra é na arena das ideias. Oxaguiá é do discurso. Suas palavras são tecidas na lógica dos tambores e na melodia do vento, capazes de erguer aldeias e desmontar fortalezas de arrogância. Ele não fala para agradar. Fala para iluminar.
Ele reconhece o discurso canalha. Aquele que se veste de "mero pensamento diferente", de "opinião polêmica", para mascarar a podridão do mau caratismo. Ele sabe que a tolerância cega é um campo fértil para a injustiça crescer. E o seu espírito guerreiro se nega a ser cúmplice do mal pela omissão.
Não há "alívio" na língua de Oxaguiã para quem é uma pessoa ruim. Ele não debate com a má-fé. Ele a desmonta. Ele não "concorda em discordar" com a crueldade. Ele a nomeia e a combate. A sua luta é por justiça social, sim, mas uma justiça que começa por não pactuar com o vil, por não chamar de "diferença" o que é, no fundo, um projeto de opressão.
Oxaguiã é não baixar a cabeça diante do discurso enviesado, a não temer o conflito necessário.
Às vezes, a mais profunda paz nasce do combate direto àquilo que a ameaça.
E Oxaguiã é o senhor dessa paz que se conquista com a voz erguida e o coração limpo de complacência com o mal.
Meu pai. O que divide meu ori com Oxalufã. “Não arregue para quem não presta. Seja lá por qual motivo for”.
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