Enterro
Um buraco no coração
que cheira a manjericão roxo, recém colhido
Pego a pá, coloco a música
Ela sabe, de algum jeito. Não consegue impedir
Tenta, sem tentar. Chora, sem chorar
Dez pás de terra, foi-se
Sorrisos, abraços
Vinte pás de terra, vão-se
Velocidade, intensidade
Trinta pás de terra, quase lá
Cabeças, cabelos, toques. Recados, verdades, vontades
Algumas lágrimas e palavras jogadas ao vento
O buraco está coberto. Mas precisa chover
As raízes precisam tramar-se
E a terra, ficar forte novamente




















