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@ouniversonomeucafe
Achei que ela ia pular nessa cena kk. Já assistiram a série?? O que acharam?! 😍❤️ #Série: The End of the F***ing World [1x01] + trechos da série: #LLLA_teotfw | #theendofthefuckingworld
Medos
Maria sempre sentiu medo de alguma coisa. Quando pequena, tinha medo da hora de dormir, porque sofria de insônia, não conseguia dormir, o escuro era apavorante. Por causa da falta de luminosidade tinha medo de que algum inseto subisse na sua cama.
Então, depois de muitas e muitas noites inquieta, apavorada e ansiosa com a hora de dormir, teve uma ideia: quando não conseguisse dormir leria seu livro de histórias bíblicas. Era o livro que mais gostava, aprendeu a ler com ele e tinha inúmeras histórias desde a criação da Terra, passando pela libertação do povo hebreu escravizado no Egito, até a ressurreição de Jesus. Uma saga incrível.
Apesar de que Maria não entendia muito bem como um corpo morto poderia reviver, mas aceitava, porque parecia que as coisas de Deus eram um tanto incontestáveis naquela época e era bom imaginar esse toque de mistério e magia no mundo.
Passado alguns anos, Maria conseguia dormir na maioria das noites e os medos tornaram-se outros. Na adolescência, desenvolveu medo de falar em público. Desenvolveu mesmo, porque durante o ensino fundamental era muito boa nisso, decorava suas falas e as pronunciava sem medo, como se ninguém pudesse contestá-la, como se tivesse completa certeza das verdades da vida.
A escola mudou e suas certezas também, logo ficou com medo. Ela ainda não sabe como lidar com isso, mas tenta e vai conseguir. A exímia oradora voltará. Mas ela percebeu que esse medo pode ter sido desenvolvido porque achava que estava sempre errada, achava que não sabia o suficiente para estar falando na frente de tanta gente ou que iriam julgá-la ou que não era o suficiente para aquelas pessoas. No final das contas, esse medo era de não ser aceita, de ferir sua própria dignidade.
Mas Maria, ninguém precisa saber tudo, aprenda isso. E todos nós estamos no mesmo barco, não se esqueça.
Ainda com esse medo, desenvolveu medo de olhar seu corpo no espelho. Começou a se recusar a ir na praia, por não ter cintura fina ou por não ter “barriga tanquinho”, por apenas metade de suas pernas estarem bronzeadas ou por se achar gorda para vestir um biquíni. Maria perdeu a coragem de fazer algo completamente simples, por medo do que as pessoas vão achar de sua aparência. Logo ela que mora na praia.
Só que um corpo é corpo, apenas isso. Pessoas reais raramente possuem corpo escultural ou tipo modelo, pessoas comuns se tornam únicas exatamente por suas DIFERENÇAS. Isso é algo básico da humanidade. Só que sempre queremos ser iguais as mulheres da revista, queremos ser iguais as mulheres que são tidas como lindas e perfeitas porque elas são aceitas. E tudo que, aparentemente, queremos na vida é sermos aceitas. Todas as nossas ações são baseadas nisso: sermos aceitos em um grupo.
Por isso fazemos coisas tenebrosas com nossos corpos ou tomamos atitudes que nunca pensamos, porque queremos ser iguais aos outros. Mas como isso é normal, provavelmente de qualquer indivíduo, ao menos é preciso discernir se estamos indo longe demais, se isso ou aquilo valem a pena.
Maria, pergunte a si mesma: “por que eu estou fazendo isso?”
Precisamos raciocinar mais sobre as nossas atitudes. Tudo isso é apenas a maneira como nós nos enxergamos, a visão borrada que temos do nosso eu, do nosso corpo.
Maria precisa mudar a percepção que possui de si mesma, aceitar-se como é. Porque ninguém no mundo pode ser igual, por isso que estamos aqui e por isso temos que aprender uns com os outros.
O que eu quis dizer com tudo isso é que, Maria, tu és incrível. A Maria do ensino fundamental te diria a mesma coisa. Eu também sou incrível. Todas nós somos, do nosso jeito. Mas só seremos livres, quando não sentirmos mais medo.
Oracle
Seen in The Oatmeal Facebook page, written by James Miller of A Small Fiction, a collection of flash fiction posted daily, little stories meander from the mundane to the fantastic (Twitter, Instagram).
O caminho
“Mais uma vez atravessamos um ano. Que passou correndo, passou como um sopro quente. Como aquele ar abafado dos ônibus em uma rodoviária no verão. Ela sentiu esse ano de uma maneira diferente dos outros anos. 2017 deu-lhe um abraço e enxugou suas lágrimas nas noites em claro que passou, quando era difícil demais respirar e acertar as batidas do coração. 2017 ensinou como ela podia melhorar e o que podia ser feito. Alguns fantasmas deram um pouco mais de espaço também e ela pode ser um pouco mais livre, ser ela outra vez.
Conheceu-se um pouco mais, fez as pazes consigo mesma. 2017 pode não ter trazido a paz de espírito completa, já que nada é pacífico quando se olha pela janela, mas trouxe a tranquilidade ou um caminho para uma vida mais leve e cheia de sonhos. Sonhos. Maria voltou a sonhar, depois de anos envolta na sua própria escuridão e achando tudo completamente sem sentido. Maria falou de sua maior angústia e agora também pode encontrar um novo caminho. Em 2017, a melhor coisa que pode ter acontecido ocorreu: encontrou um caminho para buscar suas próprias verdades.
Uma vez recebeu um bilhete de um anônimo em um lugar muito especial que dizia: "Apegue-se a verdade para que todas as forças entrem em um equilíbrio perfeito". Mas o que o anônimo ainda não sabia era que ela ainda precisava encontrar as suas próprias verdades. Ela está no caminho. Venha 2018. Ela está pronta.”
but the story never ends.
People thought dragons were gone forever, but here they are.
“Amazing thing to see.”
Quando te der saudade de mim Quando tua garganta apertar Basta dar um suspiro Que eu vou ligeiro te consolar
Chico Buarque
não te escrevo há anos, prometi para o bem da minha saúde mental não mais fazê-lo. digo que todas as pessoas merecem palavras de amor, é um carinho ímpar tanto para quem escreve quanto para quem lê. eu só não destino mais afeto a quem recebe amor e devolve cicatriz. mesmo assim, desejo que receba cartas felizes e sonhadoras, pro teu peito aprender que sentir é também ser ameno sem precisar preencher corações alheios com altas dosagens de culpa.
eu só vim até aqui por um desvio de percurso que trouxe teu nome. falei de você para uma desconhecida pelo simples prazer da ausência. quando o que era dor torna-se vazio, enche-se, por si só, de puro alívio. quem recebeu meu choro ganhará também o sossego de quem se vê livre. hoje eu te vi num trecho e não doeu. você não me causa absolutamente nada, isso talvez seja tão triste para você quanto é feliz para mim. agora eu escuto um homem no outro lado do quarto cantar e penso que estou feliz. e tudo bem doer e chorar e pensar que o amor não tem sossego. ainda tenho conclusões tristes, porém elas não me fazem renegar os dias ensolarados. falar de você soa difícil porque é uma força descomunal escrever sobre quem não toca, ao contrário de quem me recorda todos os poemas de amor. nesse momento, numa noite qualquer de julho, eu sou feliz. e nesse instante aquele homem com ânsias de menino merece todos os parágrafos, até os que um dia foram teus. talvez tenham sido para ele, eu só desconhecia as ruas do trajeto. hoje me vejo livre para prender-me a quem quiser. sinto muito, mas não mais por você.
Beyonce and The Twins vs Art — (7/15/2017)
É tanta coisa que nem sei o que escrever, muito menos sentir. As borboletas se acumulam no meu estômago e parece que a qualquer momento serão postas pra fora, involuntariamente, como um instinto natural, o organismo que ainda tenta sobreviver. Me sinto tão saturada, tão imersa numa realidade extremamente densa, quero sair. Mas como e pra onde? Eu não sei o que fazer da minha vida, só quero ter leveza, só quero pertencer a mim de novo, conseguir ter o super poder do auto controle, quero ser dona de mim. Mas não sei o que fazer, pra qual caminho correr. Eu não sei. As borboletas queimam no meu estômago e isso precisa acabar.
30/08/2016
Murilo Mendes, “O Menino Experimental”; pág 90.
dance! dance!