Especial de Natal, algemas e Alietro.
â Sabia que nĂŁo devia ter te convidado pra me ajudar a montar a ĂĄrvore de Natal.
Cruzei os braços no peito, fingindo estar ofendido.
â Por que nĂŁo? Eu sou um perfeito Assistente De Montar Ărvores de Natal. Totalmente prestativo. E sou gostoso tambĂ©m. NĂŁo negue, Alice. Sei que vocĂȘ tambĂ©m acha isso.
Ela revirou os olhos.
â VocĂȘ quebrou as luzes em menos de dez minutos. Isso Ă© parte da sua concepção de âser prestativoâ?
â Aquilo foi um acidente â eu disse, na defensiva, tentando arrumar os enfeites na ĂĄrvore e meio que estragando tudo. â E eu comprei luzes novas, entĂŁo meio que meu erro foi anulado.
Ela balançou a cabeça e apertou os låbios em sinal de reprovação, observando minhas mãos.
â VocĂȘ tĂĄ fazendo errado â disse, dando um tapinha no meu braço. Levantei as mĂŁos, como quem se desculpa.
â Desculpa, Miss Eu Sou Boa Em Tudo Que Eu Faço. Acho que minhas mĂŁos sĂŁo melhores pra outras coisas⊠Mas vocĂȘ sabe disso.
Ela me deu um soco no peito. Eu a empurrei. Incitei-a a continuar com o olhar, mas ela nĂŁo revidou.
â Eu nunca entendi muito bem o Natal â falei.
Ela me deu aquele olhar que dizia âah, lĂĄ vem o Pietroâ.
â O que Ă© tĂŁo complicado de entender? Sei que seu cĂ©rebro parou de se desenvolver aos 13 anos, mas caraâŠ
Ignorei.
â O aniversĂĄrio de Ă© Jesus, ou pelo menos acho que essa Ă© a definição da data, mas nĂŁo sei, eu era pĂ©ssimo na catequese⊠Enfim. O aniversĂĄrio Ă© de Jesus, mas Ă© a gente que ganha presente e se mata comendo chocolate e panetone.
Ela riu alto.
â Eu odeio panetone â reclamei.
â VocĂȘ sĂł conseguiria piorar isso se falasse âoh, o Natal Ă© uma data tĂŁo capitalista! Onde estĂĄ o sentimentalismo?â. Eu gosto de panetone.
Sorri, malicioso, e andei alguns passos até ficar atrås dela, empurrando o braço dela de leve e a fazendo derrubar a bolinha que estava arrumando na årvore.
â Ah, nĂŁo. Eu adoro capitalismo e feriados capitalistas e tudo mais. NĂŁo diria isso â beijei a bochecha dela. â E claro que vocĂȘ gosta de panetone. VocĂȘ Ă© estranha.
Subi a mão direita pelas costas da Alice por baixo da camiseta e distribui beijos pelo ombro dela. Agarrei o quadril com a outra mão e a puxei um pouco mais pra mim, minha barriga e todo o resto do meu corpo colado no dela. Ela virou o pescoço um pouquinho pra que eu pudesse beijar lå também.
â Pietro.
Raspei meu queixo pelo pescoço dela e ela se arrepiou quando sentiu minha barba arranhando. Virou a cabeça pra mim.
â Seu trabalho como meu assistente tambĂ©m envolve me distrair do que eu tĂŽ fazendo?
â NĂŁo, esse Ă© meu trabalho como seu⊠â e na metade da frase eu reparei que nĂŁo tinha um nome pro que eu era pra ela. â Escravo sexual.
Ela se virou de frente pra mim, as mĂŁos nas minhas costas, me mantendo perto e me encarando.
â Escravo sexual? â ela levantou as sobrancelhas. â VocĂȘ se considera isso?
Dei de ombros.
â VocĂȘ tem uma definição melhor?
Ela me beijou, provavelmente tentando evitar a pergunta.
Levei minha mão até a nuca dela e enfiei meus dedos entre os cabelos, primeiro agarrando e depois puxando. A empurrei pra parede logo atrås dela e a joguei lå com um pouquinho a mais de força do que o necessårio, mas ela pareceu gostar. Desci a outra mão pela lateral do corpo dela e subi a coxa dela pra minha cintura, enquanto ela roçava a outra perna entre as minhas.
Continuei esfregando nossos corpos enquanto a gente se beijava e Alice puxou e soltou meu lĂĄbio, pra logo apĂłs parar nosso beijo, justamente quando eu tava ficando animado.
â Amo beijar vocĂȘ, Pietro, vocĂȘ sabe o quanto, mas eu tenho que terminar minha ĂĄrvore de Natal e vocĂȘ nĂŁo tĂĄ ajudando â reclamou contra minha boca.
"Amo".
Ela subiu as mĂŁos por baixo da minha camisa, arranhando meu abdĂŽmen.
Balancei a cabeça e fiz biquinho. Ela fez biquinho também. Mordi o biquinho dela. Coloquei as duas mãos no quadril dela e fiz negativo com a cabeça.
â NĂŁo.
â Sim.
â NĂŁo.
â Depois.
Ela empurrou meu peito e eu me afastei, mesmo contrariado.
â SĂł depois?
â SĂł depois.
â Certo. Sinto muito lhe dizer, mas como punição pelos maus modos e pela ingratidĂŁo, vocĂȘ acaba de perder seu assistente.
â Punição? â ela sorriu. â Ă mais uma benção.
Sentei no sofå e coloquei as mãos atrås do pescoço. Fiquei a observando montar a årvore, toda cuidadosa e atenta aos detalhes. Ela me olhava rapidamente de vez em quando.
â Para de me encarar â ela disse.
â NĂŁo tĂŽ encarando â me defendi.
â Quase nada.
â TÎ⊠Admirando.
â TĂĄ encarando.
â Ok, talvez eu esteja. Encarando com admiração.
Atirei uma das bolinhas da decoração nela.
Depois de um tempo em silĂȘncio, ela perguntou:
â O que eu vou ganhar de Natal do meu ex Assistente Gostoso?
Eu sorri com a referĂȘncia.
â Um vibrador â respondi. â Bem grande. E preto. Ele acende umas luzinhas tambĂ©m⊠Quase roubei pra mim.
Ela parou de arrumar a årvore e virou o corpo na minha direção, o rosto sério. Me espreguicei no sofå, a expressão mais inocente do que nunca.
â Pra que eu precisaria de um vibrador se eu tenho vocĂȘ? â ela provocou.
Levantei as sobrancelhas.
â Eu sou melhor que um vibrador?
Ela voltou a atenção pra årvore.
â Nunca experimentei um vibrador â se esquivou da pergunta, a voz baixa.
â Mas eu sou bom? â insisti.
Ela me olhou de canto.
â Cala a boca, Pietro.
Gargalhei.
â VocĂȘ nĂŁo negou!
â Quieto.
â EntĂŁo eu sou bom.
Ela revirou os olhos, com cara de tédio.
â Criança.
â Mas eu sou bom.
â Infantil.
â E bom.
Ela suspirou e nĂŁo respondeu, sabendo que Ă© inĂștil discutir comigo. Era realmente fofinho assistir ela arrumando a ĂĄrvore de Natal toda feliz.
â Alice â chamei.
â Pietro.
â Olha pra mim.
Ela olhou. Bati a mĂŁo na minha coxa.
â Vem cĂĄ.
Ela balançou a cabeça em sinal de negativo.
â Por que eu iria?
â SĂł vem.
Alice andou preguiçosamente na minha direção e eu me ajeitei no sofå. Ela sentou no meu colo de pernas abertas e se arrumou sobre mim, as mãos no meu pescoço. As minhas estavam nas coxas dela e eu a pressionava contra o meu colo.
â O que vocĂȘ acha que o Papai Noel vai te dar esse ano?
Ela me analisou, o olhar levemente malicioso.
â NĂŁo tenho ideia â e subiu uma das mĂŁos pro meu cabelo, na nuca. Levei a boca atĂ© o pescoço dela.
â VocĂȘ foi uma boa menina ou uma mĂĄ menina esse ano? â perguntei, movendo a boca do pescoço atĂ© a orelha. â Eu acho que vocĂȘ foi mĂĄ.
â Eu queria muito saber por que tudo que vocĂȘ fala soa tĂŁo pervertido.
Ela me beijou, movendo o corpo mais pra cima do meu conforme a intensidade do beijo aumentava. Apertei a coxa dela enquanto ela puxava meu cabelo. Ela parou de me beijar, mas manteve nossas bocas próximas, a respiração pesada batendo contra os meus låbios.
â Acho que fui uma menina mĂĄ esse ano.
Apertei a coxa dela com um pouco mais de força e depois sorri.
â SĂ©rio? EntĂŁo eu acho que vou ter que te punir.
â Isso envolve chicotes e essas coisas sadomasoquistas ou sĂł uns tapinhas resolvem? â ela puxou minha cabeça pra trĂĄs, deixando meu pescoço livre e o encheu de mordidas.
â NĂŁo sei. Pensei em comprar umas algemas e te prender na cama por um dia inteiro.
â Por que essa sua ideia nĂŁo me surpreende? â ela voltou a me olhar.
Dei de ombros e me fiz de indiferente.
â Sou previsĂvel.
Me inclinei para beijå-la novamente, mas ela me parou, o braço no meu peito.
â Por que nĂŁo?
Ela olhou pra trĂĄs.
â Ărvore de Natal. Ainda nĂŁo terminei.
E se levantou, saindo do meu colo. Me deixando totalmente⊠Ah.
â SĂ©rio? VocĂȘ me beija desse jeito e depois vai terminar a Ărvore de Natal? SĂ©rio?
â Garotas sabem manter suas prioridades.
E Ă s vezes eu esquecia como ela podia ser mĂĄ comigo.