eu te amei em alguma vida passada onde nossas ancestrais eram bruxas e faziam rituais ao redor do fogo e do outro lado eu via o seu rosto incediar diante da fogueira. a gente deve ter se escondido na floresta e retirado fruta de algum pomar enquanto eu olhava pra você de esguela e tentava diferenciar o seu cheiro de algum fruto proibido, tão proibido quanto você. eu devo ter renascido alguma plebeia e você uma rainha inalcançável, devo ter jurado fidelidade à você e ao seu reino enquanto mataria e morreria pela sua segurança, pedindo aos deuses pra que fizessem você enxergar que mesmo eu não sendo boa, você deveria me escolher. nessa vida, eu vim absolutamente comum, passo despercebida, tropeço em tapetes, fumo pra esquecer, bebo café demais, leio pra esconder as faltas, beijo procurando encaixe, durmo pouco. você vai me encontrar nesse plano se eu não fizer um escarcéu? em outra vida eu queimei alexandria por você, nessa existência eu só tenho algumas palavras soltas enquanto penso no cheiro do seu cabelo, no preto dos teus cachos, nas suas coxas quentes. liga dizendo que foda-se eles, que vai atravessar a cidade e me encontrar naquela praia a noite, beber um vinho barato e mentir que me ama. não sofrer de amor não da poesia, baby. algo tem que valer a pena.















