where have you been. - pov
Lá estava Nami. Largada na areia, seu cabelo bagunçado era mais uma teia cheia do pó que sujava também suas roupas. Depois de alguma hesitação, aqueles outros que outrora estavam consigo, rindo das idiotices que ela dizia enquanto bêbada, foram embora. Mesmo com ofertas de ajuda, a Hwang recusou-se de forma quase infantil - estava longe demais para voltar para o chalé. Após escutar a conversa de Sunmi e Nabi diminuindo cada vez mais, sentiu-se mais livre para abrir os olhos e fitar aquela enorme lua, que parecia tão pequena daquele ponto. Olhava seu brilho refletido, persistente e cegante. Semicerrou os olhos, analisando cada milímetro de tal astro. Aquele astro de quem chamava de mãe.
Hécate não era fácil. Era claro que aquelas oscilações de humor não eram tranquilas de se lidar - mas a Hwang tentava o tempo inteiro manter-se o mais plena possível. Mas com o álcool em sua mente, nada mais fazia sentido realmente. Agora, sozinha e solitária, sentia-se humilhada. As lágrimas haviam secado, deixando-a com uma sensação pós-choro extremamente desconfortável. Sentou-se na areia, encarando o brilho refletido de sua mãe na água do mar. Poseidon era realmente patético. “Por que você está tão, tão longe?”, disse para si mesma. “Onde você está? Você era para ser a minha mãe!”, gritou. “Minha mãe...”
A praia era solitária. Sua cabeça doía, mas tentava lembrar-se do que estava acontecendo naquela noite. Lucas. Aquele maldito nome havia invadido sua mente, sem nem ao menos bater na porta ou pedir licença. Como ele poderia ser tão indiferente? Nami se perguntava sobre se Afrodite fosse sua mãe, o inglês ao menos viraria o olhar quando ela passasse. Se Afrodite fosse sua mãe, Nami não precisaria ficar bêbada para rir com os amigos. Nami não precisaria sair de si para sequer ter amigos. Lembrava-se daquele maldito irmão que dormia serenamente no chalé de Afrodite. Aquela que deveria ser sua mãe. A coreana agarrou a garrafa vazia de alguma coisa que não sabia o que era e a atacou contra o mar, na direção da Lua, como se fosse atingí-la. Tudo que ouviu foi um barulho de vidro se estilhaçando. Ela continuava lá, firme e forte, como se debochando da sua impotência. Nami novamente sentou-se na areia e agarrou os joelhos, com força. A maré banhava os dedos desnudos dos seus pés e a Hwang desejava com todas as forças de que, toda vez que esta se afastava, levasse consigo todos os sentimentos que se misturavam num grande emaranhado de pânico.
Levou as mãos à cabeça enquanto tentava afastar seus pensamentos. Maldito seja aquele filho de Atena. Sentia um vazio enorme no lado esquerdo do peito. Não sabia porquê estava tão obcecada com querer que ele simplesmente sorrisse para si. “Você é uma merda de mãe.”, disse para a Lua. “Você ouviu isso? Você é uma merda de mãe!”, levantou o tom da voz. Sentia as lágrimas retornando para os seus olhos enquanto desejava com todas as forças poder ter o charme que o irmão tinha. Engoliu em seco e voltou o olhar para os chalés que estavam a pouco tempo dali. Ah, Lucas. Você sorriria para mim se eu fosse filha de Afrodite?








