Quantas vezes terei que te explicar isso?! Você não pode segurar um arco e flecha assim.
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Quantas vezes terei que te explicar isso?! Você não pode segurar um arco e flecha assim.
“E o que eu tenho a ver com isso?”
“Aaaaaah... Entendi... Eu acho.”
“The collector of souls, surrounded by screams. The guardian of hell, it precisely seems...”
#para ㅡ ice & fire ;
With @pc-baby
Mais um dia no Acampamento Pandora. Depois de quase 12 anos Nabi deveria estar mais do que adepta a rotina, aos acontecimentos que eram frequentes naquele ambiente. O único problema é que a prole do sol simplesmente não conseguia parar quieta nunca, precisava de novas ideias, momentos de inspiração.
Aquela tarde seria salva - mais uma vez - pela companhia de Baby. E pensar que há anos atrás, na chegada da garota mais velha, as duas praticamente se odiavam. Era quase uma explosão atômica a cada vez que se cruzavam, opostos como seus pais, com conflitos que chegaram a ser discutidos na direção do acampamento. E foi depois de uma dessas 'soluções' sugeridas pelos monitores que puderam conversar melhor.
Só foi preciso ignorar as diferenças por um tempo para, pouco a pouco, acharem pontos em comum. A filha de Quione compartilhava consigo cada frustração e alimentava a sua revolta, tinham objetivos parecidos e um ódio em comum foi o suficiente para fazê-las esquecerem o mesmo sentimento que nutriam uma pela outra.
ㅡ Por que a demora? Nabi questionava-se, olhando para os lados na floresta. Era simples, afinal sempre se encontravam ali. Não deveria ser difícil para a Ice Princess chegar sem ser vista pelos outros.
Por volta de 2011 a Choi havia encontrado esse bunker, aparentemente abandonado por semideuses mais antigos do acampamento e tomado para si como seu refúgio em muitos momentos difíceis. Só haviam duas pessoas que pisaram ali consigo desde o começo, seu irmão favorito e a Princesinha, como gostava de provocá-la. Mas diferente da outra prole de Apolo, a mais velha tinha assuntos muito mais sérios a discutir com Nabi ali.
Impaciente, apenas sentou-se no canto do forte, brincando com o pingente de clave de sol do cordão preto, que convenientemente era encantado para tornar-se seu arco de uso favorito. Olhava para a peça dourada, o lábio apertado em um breve bico emburrado pela espera. Faria aquela babo passar calor para aprender a não deixar uma parceira esperando.
where have you been. - pov
Lá estava Nami. Largada na areia, seu cabelo bagunçado era mais uma teia cheia do pó que sujava também suas roupas. Depois de alguma hesitação, aqueles outros que outrora estavam consigo, rindo das idiotices que ela dizia enquanto bêbada, foram embora. Mesmo com ofertas de ajuda, a Hwang recusou-se de forma quase infantil - estava longe demais para voltar para o chalé. Após escutar a conversa de Sunmi e Nabi diminuindo cada vez mais, sentiu-se mais livre para abrir os olhos e fitar aquela enorme lua, que parecia tão pequena daquele ponto. Olhava seu brilho refletido, persistente e cegante. Semicerrou os olhos, analisando cada milímetro de tal astro. Aquele astro de quem chamava de mãe.
Hécate não era fácil. Era claro que aquelas oscilações de humor não eram tranquilas de se lidar - mas a Hwang tentava o tempo inteiro manter-se o mais plena possível. Mas com o álcool em sua mente, nada mais fazia sentido realmente. Agora, sozinha e solitária, sentia-se humilhada. As lágrimas haviam secado, deixando-a com uma sensação pós-choro extremamente desconfortável. Sentou-se na areia, encarando o brilho refletido de sua mãe na água do mar. Poseidon era realmente patético. “Por que você está tão, tão longe?”, disse para si mesma. “Onde você está? Você era para ser a minha mãe!”, gritou. “Minha mãe...”
A praia era solitária. Sua cabeça doía, mas tentava lembrar-se do que estava acontecendo naquela noite. Lucas. Aquele maldito nome havia invadido sua mente, sem nem ao menos bater na porta ou pedir licença. Como ele poderia ser tão indiferente? Nami se perguntava sobre se Afrodite fosse sua mãe, o inglês ao menos viraria o olhar quando ela passasse. Se Afrodite fosse sua mãe, Nami não precisaria ficar bêbada para rir com os amigos. Nami não precisaria sair de si para sequer ter amigos. Lembrava-se daquele maldito irmão que dormia serenamente no chalé de Afrodite. Aquela que deveria ser sua mãe. A coreana agarrou a garrafa vazia de alguma coisa que não sabia o que era e a atacou contra o mar, na direção da Lua, como se fosse atingí-la. Tudo que ouviu foi um barulho de vidro se estilhaçando. Ela continuava lá, firme e forte, como se debochando da sua impotência. Nami novamente sentou-se na areia e agarrou os joelhos, com força. A maré banhava os dedos desnudos dos seus pés e a Hwang desejava com todas as forças de que, toda vez que esta se afastava, levasse consigo todos os sentimentos que se misturavam num grande emaranhado de pânico.
Levou as mãos à cabeça enquanto tentava afastar seus pensamentos. Maldito seja aquele filho de Atena. Sentia um vazio enorme no lado esquerdo do peito. Não sabia porquê estava tão obcecada com querer que ele simplesmente sorrisse para si. “Você é uma merda de mãe.”, disse para a Lua. “Você ouviu isso? Você é uma merda de mãe!”, levantou o tom da voz. Sentia as lágrimas retornando para os seus olhos enquanto desejava com todas as forças poder ter o charme que o irmão tinha. Engoliu em seco e voltou o olhar para os chalés que estavam a pouco tempo dali. Ah, Lucas. Você sorriria para mim se eu fosse filha de Afrodite?
#flashback ㅡ darkness and light
with @pc-minhyub November, 2006
Não faziam muitos dias que Nabi havia chegado ao acampamento em teoria, mas para a garotinha parecia uma eternidade. Sentia falta da mãe, era muito apegada a ela, mas como toda criança era um alvo fácil para distrações. Seus irmãos de Apolo simplesmente a mostravam algo novo e a pequena de sete anos de idade exclamava sua admiração, o sotaque típico de Busan mais acentuado que o normal e o riso fofo e infantil em seguida.
Seus dias eram praticamente os mesmos, pouco a pouco a criança se soltava tanto que quase não era contida pelos mais velhos ao expressar suas opiniões sinceras ㅡ e felizmente amigáveis na maior parte delas ㅡ e invadir o espaço pessoal alheio em busca de amizades. A típica energia do sol.
Foi em seu primeiro mês que conheceu Minhyub, aquele garoto bem mais alto que si, mas com uma aura tão solitária que a pequena não pode deixar de reparar nele. Ficava sempre afastado dos demais, parecia perdido e muitas vezes Nabi achava que os outros campistas não o tratavam como se fosse bem-vindo ali. Não entendia os motivos, mas não era boba quanto a o que ocorria ali. A Choi tinha pouca idade, mas sempre fora muito astuta e aquilo a incomodava tanto que sentia extrema necessidade de fazer algo.
ㅡ Quem é aquele? ㅡ perguntou ao líder de seu chalé, realmente curiosa enquanto passavam perto da casa grande. “É um filho de Hades, Nabi. Ele chegou tem pouco tempo, como você”, ela assentiu em compreensão e apertou os olhos, analisando a cena do tal filho de Hades indo para a direção dos chalés e puxando a barra da blusa de seu monitor.
ㅡ E por que ele está sozinho, ein? Os irmãos dele não são legais como vocês? O semideus mais velho riu, bagunçou os seus cabelos e meneou a cabeça negativamente. “Não tem como ele ter irmãos quando nem mesmo ele deveria estar aqui, Nabi. Os três grandes não deveriam ter filhos, segundo o que aprendemos”. Os olhos da prole do sol se estreitaram ainda mais ‘como assim?’, ela pensava. Tinha certeza de ter sido apresentada a um filho de Zeus. Por que somente o garoto de Hades era excluído assim? Isso não estava certo.
Em questão de segundos, desvencilhou-se da mão de seu meio-irmão, correndo em direção a aquele rapaz de aura sombria e ignorando os outros a chamando pelo nome. Não é como se algo ruim fosse acontecer por isso, é? Que seja. E foi com um grande sorriso e respiração ofegante que a pequena ‘pentelha’ se colocou a frente do garoto mais velho e estendeu a mão.
ㅡ Oi, eu sou a Nabi e vou ser a sua amiga!
what is this feeling?
september 2, 2018.
Num lugar como o Pandora, ter privacidade era realmente um problema, sequer tinha um espaço pra chamar de "seu", não havia coisas como "meu quarto", às vezes, queria ter o poder de diminuir seu tamanho, apenas para entrar na caixa entalhada com seu nome e ficar ali, sem que ninguém a incomodasse. Às vezes, precisava de um pouquinho de quietude, paz. E onde encontrar? Estava perambulando pelo acampamento, o chalé que compartilhava com seus meio irmãos foi descartado de imediato, o estábulo infelizmente não estava apenas com os cavalos, as forjas eram tão barulhentas quanto o refeitório e já começava a se agoniar.