Carta aberta ao meu transtorno de ansiedade
Carta aberta ao meu transtorno de ansiedade
Eu sei exatamente quando você vai chegar e eu logo já solto um: "por favor, agora não." As mãos começam a formigar lentamente, junto com uma sensação estranha de desmaio, meu coração acelera, como se estivesse prestes a beijar alguém que gostamos, só que com a sensação de que aquele beijo será o último, mas na verdade, nunca é.
"quero a minha cama, quero minha cama, quero minha cama" são pensamentos constantes, o peito aperta, dói, às vezes falta ar, o choro fica engasgado ou ele fica comigo até a hora de adormecer. Você me machuca todas às vezes em que eu preciso vomitar, por causa da grande náusea que me causa.
a sensação é de estar morrendo lentamente, me afastando de todos, não sinto vontade de conversar e muito menos avisar que não vou poder ir em algum compromisso. Depois disso vem a culpa, de decepcionar quem eu amo, por não estar presente em momentos especiais para eles, como se eu não me importasse e não quisesse estar por perto. Mas eu quero, queria muito, só que é tão difícil explicar, é tão dolorido falar em voz alta.
A mesma Bianca, Bi, Bia, Bibi, que um dia esta completamente feliz, maquiada e dançando é a mesma do dia seguinte quando você bate na porta e começa a sussurrar que algo ruim está prestes a acontecer e a melhor coisa a se fazer é ficar isolada dentro da minha casa, com a constante sensação de que tu nunca mais vai ir embora. Mas você vai e eu fico como um oceano calmo, após um dia de tempestade.