rememberhowyoutasted:
Fuck you, Pedro.
Don’t you remember? Of course you don’t. I’m fucked up, I’m fucked up, I’m fucked up.
Guess I deserved that.
I- I don’t... I thought it was a dream. Actually I thought I was so high that I had a vivid dream.

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@pedromicis
rememberhowyoutasted:
Fuck you, Pedro.
Don’t you remember? Of course you don’t. I’m fucked up, I’m fucked up, I’m fucked up.
Guess I deserved that.
I- I don’t... I thought it was a dream. Actually I thought I was so high that I had a vivid dream.
rememberhowyoutasted:
Porque eu conheço minha amiga e conheço meu irmão. Não vai ser assim que vai acontecer.
Eu tentei te falar antes. Mas é isso que acontece quando as pessoas transam sem camisinha, não é?!
Eu… eu… I just can’t.
Não vai ser assim como? Os pareciam estar aproveitando bem o momento. Para de ficar regulando a transa alheia, Stella.
Tentou me falar antes? Tentou mesmo, Stella? Eu não... eu não acredito. Pro inferno com essa história de “é o que acontecem quando pessoas transam sem camisinha”. Você sabe que eu nã- eu não faço isso. Já o seu namoradinho, eu não tenho como afirmar.
rememberhowyoutasted:
Isso não vai acontecer hoje. Definitivamente não.
O que, Pedro? huh?! Fui muito direta pra você?
E o que te faz ter tanta certeza disso? Pelo beijo deles na piscina eu não me surpreenderia se rolasse.
Muito direta? Porra, Stella. Isso é algum tipo de brincadeira? Sua ideia de me punir por sei lá qual motivo dessa vez?
rememberhowyoutasted:
Nina e Domenico estão ocupados. E o resto não vai morrer se eu não estiver lá embaixo. Sinceramente? Não.
Essa Stella não estaria suspeitando de uma gravidez. Sua, inclusive.
Domenico finalmente vai transar com a garota, bom pra ele. Finalmente vai conseguir o que sempre quis.
What the fuck, Stella?
rememberhowyoutasted:
Eu poderia te perguntar a mesma coisa.
Eu só estou um pouco cansada e… não estou no clima de festa.
Você poderia, sim. Mas a festa não é minha. A minha presença não é importante. Acho até que você preferia que eu não tivesse vindo.
Not in the mood for a party? That’s... not Stella at all.
rememberhowyoutasted:
@pedromicis
Estou cansada, Domenico. Eu só vou deitar um pouco e mais tarde eu-
Oh. You’re not Domenico.
No, I’m not.
É a sua festa. Achei que você fosse estar lá em baixo curtindo com todo mundo.
rememberhowyoutasted:
Eu peguei na noite… naquele dia de manhã. E-eu… Era mais rápido.
What do you remember from that night, Pedro?
O que eu lembro daquela noite? Você está aqui para saber do quê eu me lembro, é isso?
Bom, você quer que eu comece a relembrar de qual ponto? De quando estava me arrumando para sair ou a partir do momento em que a festa ficou um pouquinho mais divertida depois que eu cheirei um bom tanto?
rememberhowyoutasted:
@pedromicis
Eu trouxe sua, hm, camiseta de volta.
E nós precisamos conversar.
Não sabia que ela estava com você. Achei que estivesse comigo.
Precisamos?
vinceamicis:
E ela realmente reencenou. Depois ficou uma hora falando mal do nosso pai, o que também não foi nada agradável. Falando nisso… Eu estava pensando em comprar um apartamento perto da boate, para facilitar agora que assumi as coisas por lá. O que acha de sair da casa da mamãe?
Apparently you’re still a pain in the ass. Algumas vezes acho que estou sonhando, que vou acordar na cela a qualquer momento, sabe? Parece que é errado estar do lado de fora. E eu encontrei Margo outro dia, o que só contribuiu para deixar tudo ainda mais estranho.
É isso que ela sabe fazer de melhor: encenar cenas que a colocam como vítima e reclamar do nosso pai, se colocando como vítima. Você está me chamando pra ir morar com você? Achei que você fosse morar com nosso pai. Se bem que acho que seria tão ruim quanto morar com a nossa mãe. Eu posso levar minhas coisas hoje mesmo, tenho certeza que vai demorar um mês pra ela perceber que eu não estou mais aqui.
Some things never change, you can count on that. Não sei, mas consigo imaginar. Errado não deve ser. Você foi condenado, pagou sua pena, agora está livre. Fuck. Encontrou ela como? E vocês conversaram?
vinceamicis:
Pelo visto a relação de vocês não melhorou em nada. Embora eu não tenha vindo aqui falar sobre a nossa mãe, ela já me alugou o suficiente no dia que saí… Mas você não estava em casa naquele dia. Achei que ia esperar seu irmão mais velho para matar a saudade.
O último natal foi há bastante tempo, Pedro. E você parece bem diferente desde lá. Ou pode ser o tempo passando estranho na prisão mesmo.
Não tem como melhorar uma relação inexistente. Sorry about that. Mas imaginei que ela iria querer reencenar a parábola do bom filho a casa torna e eu tava sem saco nenhum pra aguentar. E, de qualquer forma, você tá livre agora. Ocasiões para te encontrar não iriam faltar.
Foi literalmente ano passado, mas tudo bem, não vou discutir sobre a passagem de tempo com alguém que estava preso. Alias, como é estar de volta?
vinceamicis:
@pedromicis
Achei que não ia te encontrar em casa de novo. Nossa mãe disse que você passa bastante tempo fora.
Ainda é estranho ver como você cresceu.
Quem passa bastante tempo fora é ela. Acho que se eu estou aqui ou não, ela nunca percebe.
O quanto eu cresci? Você me viu no último natal, Vince.
would you take me home? — damned
rememberhowyoutasted:
Nunca, em pleno verão, Stella sentia sua pele arrepiar daquela forma. Tampouco, sentiu seu corpo tremer daquela forma, como se descargas elétricas percorrem seu corpo com afinco. – O que você fez pra mudar isso, Pedro? Me responde então! Guarde seu sarcasmo pra você, eu não tenho paciência pra isso. – Respondeu entredentes. – Você isso por mim como um mero amigo. – Pontuar o que tinham como uma amizade a doía de formas diferentes; pelo limite que era colocado no que deveria sentir por Pedro, por achar que eles nunca passariam daquele ponto. Mas acima de tudo, por nem aquilo serem mais. Eles não eram mais nada um do outro. Apenas uma página do passado que Stella tinha consciência de que jamais superaria. – Pra ter certeza PRA QUE? Que porra de diferença faz isso pra você, Pedro? Pra depois você poder voltar pra festa de divertir com aquele monte de vagabunda? – Sentia seu nariz começar a querer arder, como se estivesse chegando no limite do aceitável de segurar o choro. Sua voz embargada já a denunciava, mas duvidava que ele pudesse prestar atenção nesse detalhe. Não queria chorar, aquilo seria humilhante demais. Por mais que tivesse perdido as contas de quantas vezes havia se acabado em lágrimas por tudo aquilo que eles não tiveram, ele não poderia vê-la naquele estado deplorável. Seria como abrir uma porta que ela não saberia fechar, que ela não conseguiria fechar. – Eu não tenho culpa de porra nenhuma! Eu fiz tudo o que eu podia, a porra do tempo todo! Eu te perguntei, duas vezes. Sabe o que você fez? Você escolheu não responder. Você escolheu não me responder. – Cada parte do que havia sobrado deu seu coração ardia. Como se fogo corresse por suas veias de maneira incessante.
Agradecia, apenas naquele momento, pela família de Pedro não estar em casa e não presenciarem o pesadelo particular de Stella. A voz alta e grave de di Amicis se debatia em seu ouvido, deixando cada célula sua em estado de alerta. Ainda que se desentendesse em alguns outros momentos, aquela era a segunda vez que brigaram daquela forma. E poderia afirmar que aquela vez, era muito pior. Por mais que a carga emocional e o álcool estivessem quase fora de controle na noite do acidente, nada se comparava com o acúmulo de mágoa daquele momento. O stress fazia Stella ficar sóbria quase automaticamente, sentindo sua cabeça latejar de forma dolorosa e torturante. O silêncio que se instalou no quarto zumbiu em seus ouvidos; como se aquele ato repleto de raiva, tivesse quase acalmado os ânimos dos dois. Suas palavras calmas lhe acertaram de uma forma que ela não poderia prever. Não sabia se era o tom, ou a forma como ele escolheu colocar na frase. Aquilo foi o suficiente para que uma lágrima solitária escorresse por sua bochecha. O caminho traçado pelo líquido salgado queimou sua pele. – Sabe o que é engraçado? Eu cheguei a pensar um dia que eu conhecia mais você do que eu me conhecia. – Seus olhos então se arregalaram de surpresa com o complemento da frase. Aquilo era muito para processar e nem sabia por onde começar. Seus olhos correram pelo rosto de Pedro, como se buscasse algum sinal de que aquilo era apenas uma piada de mal gosto vindo dele. – Eu não me apaixonei por você? Eu te dei tudo o que eu tinha e você escolheu fingir que não me ouviu. Eu estive do seu lado todas as vezes que você precisou de mim e eu nunca esperei nada em troca. Eu praticamente dei um pedaço da minha vida pra você, porque eu te amei e você escolheu não perceber isso também. – Antes que pudesse se dar conta, a palavra proibida havia escapado em meio a tanta adrenalina. Seus olhos continuavam fixos nos imensidão escura e incerta que eram os olhos dele. Engoliu seco, e de repente, um segundo pareceu uma longa e dolorosa eternidade.
Havia perdido a conta de quantas vezes pegara o carro levando consigo uma quantidade absurda de garrafas de cerveja, bebendo cada uma delas enquanto dirigia em alta velocidade pela mesma estrada em que ocorrera seu acidente com Stella. E em todas elas Pedro torceu para que um carro cruzasse seu caminho novamente, da mesma forma que acontecera na noite do acidente. Mas em cada uma daquelas vezes Pedro dirigia completamente bêbado até o sol surgir, voltando para casa são e salvo, porém se sentindo ainda menos vivo do que quando partira. Ele não era capaz de entender por que tudo acontecera com Stella no carro, por que ela fora a que ficara pior naquele acidente. Ele poderia ter morrido que não haveria problema algum, não se Stella estivesse bem e sem nenhum arranhão. Foi por isso que ele passou a noite no corredor do hospital, do lado de fora do quarto que ela ocupava. Pedro queria apenas ter a certeza de que ela estava bem, de que não havia colocado fim na única coisa boa de sua vida. E quando ele pode respirar minimamente aliviado por saber que ela estava acordada e viva, Stella o chutou para fora do quatro gritando que não o queria ver nunca mais na vida. Sem muitas saídas e entendendo que ela o odiava - afinal, quem não o odiaria? - o rapaz fez a única coisa que poderia: se manteve afastado. “ Nunca teve ninguém. Nunca. ” Soltou em tom exasperado, deixando claro que já estava ficando cansado daquela discussão. “ Você era a única. ” Reafirmou, sem saber por que, mas apenas seguindo seus instintos de ser franco naquele momento. “ Eu não sabia o que responder! ” Mais uma vez aproveitou enquanto a sinceridade ainda se fazia presente. “ Eu não sabia o que você queria de mim, eu não sabia o que eu queria... eu não sabia o que fazer, Stella! ” Seu peito subia e descia muito rápido, como se o oxigênio no quarto não fosse o suficiente, o coração batendo mais forte do que o adrenaline rush que sentira no momento em que colocara a droga para dentro do seu sistema.
Um silêncio total seguiu a fala de Pedro. Para alguém que reagira facilmente acertando um tapa em seu rosto, Stella parecia agora estar bem aturdida. Mas logo a loira recomeçou o seu discurso gritado. Ainda bem que sua mãe e seu padrasto não estavam ali, ou seria um showzinho muito interessante para eles presenciarem. Ele havia sentido seu coração quebrar uma vez, quando Stella o colocou para fora do quarto de hospital, mas ali naquele momento... ali ele sentia a dor do coração se partindo em dobro, triplo. As palavras dela trouxeram a percepção de que ele era muito mais burro do que pensava ser. Como ele poderia ser tão idiota? Como? Ele talvez merecesse aquela vida miserável, já que era absolutamente um idiota. Passara tanto tempo ignorando o que sentia, se mantendo calado sobre o que sentia por Stella que nunca, nem sequer por um minuto, considerara a possibilidade de que ela talvez pudesse ter sentido algo por ele. Seu coração ainda batia forte em seu peito e ele realmente não conseguia entender como um coração quebrado era capaz de bater tão forte. Sem pensar muito em qualquer coisa, no que eles ainda eram um para o outro, no que sentiam ou no que ela seria capaz de fazer, Pedro fez a única coisa que ele tivera vontade de fazer durante todos aqueles meses. Sua mão direita deslizou para a nuca de Stella, trazendo o rosto dela para mais perto do seu enquanto ele se abaixava um pouco. Seus lábios logo encontraram os dela, não sendo nenhum pouco calmo, querendo aproveitar o momento antes que ela o empurrasse e acertasse outro tapa em seu rosto.
would you take me home? — damned
rememberhowyoutasted:
Independente do lugar que estava, Stella sempre sabia de cor o caminho que a levaria para casa de Pedro. Aquilo era mais do que instinto de sobrevivência e dizia muito sobre o que Stella era. Por mais que desde a época do acidente não tivesse feito aquele caminho, e tampouco, passado perto de onde ele morava. Desde o momento em que Pedro atravessou a porta de seu quarto, Stella procurou cortar o mal pela raiz. Como se pudesse apagar qualquer rasto do garoto em sua vida, como se ele nunca tivesse existido. Acho que de alguma forma, puxando o curativo de uma só vez, seria menos complicado lidar com o fato de que ele não queria da forma como ela o queria. Mas hoje, passados cinco meses, percebeu que seu método pouco se mostrou eficaz. Tomou todas as decisões erradas até ali. Aceitou namorar com Andrea sem nem mesmo ter um mínimo interesse no outro, como se ele a pudesse manter distraída o suficiente de não pensar mais em Pedro. Como se Andrea pudesse ser um substituto para o que Pedro era em sua vida. Mas Stella, precipitada e orgulhosa como sempre, não poderia admitir que o lugar que Pedro ocupava em sua vida, era intocável, e ninguém, nem em seus sonhos mais distantes, poderia chegar minimente perto. A resposta ao seus gritos e sua ordem veio em uma risada, comprovando o que ela já sabia: ele havia feito de propósito. A forma como ele parecia se manter à vontade em seu carro, ligando o rádio, fazia ela se questionar de tudo. Sentia-se quase esmagada pela tensão no ar, e ele trocava de estações livremente, como se nada houvesse acontecido entre os dois. “You were everything, everything that I wanted. We were meant to be, supposed to be, but we lost it…” Antes que a cantora americana pudesse prosseguir com a música que mais parecia uma narração da história de Pedro e Stella, a loira bateu no rádio depressa, desligando-o. Não o respondeu, porque não sabia como responder. Ou melhor, não poderia responder do jeito que seu coração queria.
Parecia em vão qualquer tentativa que Stella tinha de tentar acertá-lo, seja fisicamente ou não. Por ser minúscula perto dele e ele nem mesmo se mover um centímetro com as investidas contra seu peito, e por mais que berrasse a plenos pulmões, seu rosto ainda era impassível. Como se nada estivesse acontecendo, como se nem mesmo ele tivesse ingerido uma gota de álcool e sabe se lá o que mais naquele noite. Pedro sempre foi difícil de decifrar, e agora o difícil, parecia impossível. Artois sentia suas bochechas vermelhas e seus olhos queimarem, como se por um milagre divino, estivesse prestes a chorar. Algo que fez em raríssimas vezes na vida, e nunca na frente de alguém. – Sabe por que você não tem ninguém? Porque você escolheu isso! – Cada palavra que saía de sua boca era um soco em seu próprio estomago. Pela primeira vez em meses falava livremente sobre aquilo que a matava pouco a pouco por dentro. Descontava toda suas frustrações que carregou por tanto tempo naquelas palavras. Queria tirar aquele peso de seu coração. O peso de não estar cumprindo a promessa que fez para ele. “Nunca estaremos sozinhos.” – Isso tudo é culpa sua. Se quer se culpar por algo, se culpe por um ser merda que escolheu a própria desgraça, Pedro. Não por perder o controle do carro, mas por escolher ser sozinho. – Seu maxilar tremia, assim como o resto do corpo enquanto colocava para fora. Sentiu seu corpo gelar à medida que ele segurou seu dedo apontado. Pela primeira vez em meses sentiu o toque dele; quase havia esquecido como suas mão eram sempre quentes. Antes que pudesse responder a altura, sua mão livre aterrissou com força e espalmada sobre a bochecha de Pedro, deixando ali a marca de seus cinco dedos. Sentia sua mão arder com o golpe, mas aquilo não era nada perto de como seu coração doía. Naquelas palavras, tinha outra prova de que enquanto havia se apaixonado e amado cada detalhe dele, para ele, era somente alguém que ele transava sem compromisso. – Como eu fui burra de escolher logo você, não é? – Seus olhos eram fixos no rosto de Pedro. Seu peito descia e subia de maneira tão rápida como se pudesse a qualquer cair dura no chão, como se o ataque de pânico estivesse novamente se aproximando. – I mean, fui escolher justamente aquele que nunca ia se apaixonar de volta. – As palavras saltaram de sua boca, sem que ela pudesse evitar. Pela primeira vez em toda sua vida, havia se declarado para alguém. O que não imaginava, é que seria em uma situação tão triste como aquela.
“ Ah, claro, eu escolhi ser sozinho. Eu! ” Replicou com sarcasmo, sentindo um nó começando a se formar na garganta. “ Foi você quem me mandou embora, Stella! ” Gritou de volta, dessa vez o seu dedo indicador passando a apontar para ela, se chacoalhando no ar de for enérgica. “ Eu passei a porra da noite inteira do lado de fora da porra do seu quarto. ” Falou com raiva, não se preocupando mais em controlar o tom. “ Eu briguei com os seus pais e com um monte de gente para poder ficar lá, só para ter certeza de que... de que você estava bem. De que eu não tinha acabado com a única coisa boa na porra da minha vida. ” Já começava a sentir sua veia do pescoço saltar, latejando um pouco a cada nova palavra que ele atirava na cara dela. Stella não era a única ali com muita coisa guardada para si por mais de cinco meses. Pedro tinha muito para dizer, mas se ele começasse, talvez aí seria realmente o fim dos dois. “ E você me mandou embora. ” A raiva deu lugar à uma sensação extremamente ruim, a sensação de estar sendo rejeitado por ela novamente. A sensação de estar sendo colocado para fora do quarto dela no hospital sem que ela nem escutasse qualquer coisa do que ele tinha para falar. “ Então não venha bancar a terapeuta de quinta categoria agora e falar que eu escolhi isso quando você também tem culpa aqui. ” Concluiu, não restando mais nada da raiva inicial de, como se o fogo tivesse queimado por completo e agora só restasse as cinzas do que um dia fora Pedro.
Falava quase ao mesmo tempo que ela, parecia uma briga para saber quem poderia jogar mais verdades na cara do outro e seguir em pé. Mas o tapa. Pedro não esperava por aquilo. O impacto da mão dela em seu rosto foi ardido, e mesmo com a cocaína e o álcool em seu sangue, ele sentiu o tapa doer muito. O rosto virou com o impacto, fazendo o rapaz deixar de olhar para ela e encarar o chão. Sua mão livre foi até a bochecha, se colocando sobre onde ela havia o atingido pra tentar aplacar o formigamento que começava a surgir. Ele merecia aquele tapa, ele sabia que merecia. Por isso não falou nada, não revidou o que ela falava. No entanto, o que ela disse a seguir o atingiu ainda mais do que o tapa. “ Você gosta tanto de fingir que me conhece tão bem... ” Falou com uma calma que não pertencia a ele, que não poderia pertencer a ele naquele momento. “ Se tem uma pessoa nesse quarto que não se apaixonou, foi você. ” Despejou o que havia guardado para si por tanto tempo. Seus olhos estavam novamente fixos nos dela. Não era um teste, mas ele estava aguardando para ver a reação dela, como se estivesse dependendo daquilo para viver naquele instante.
would you take me home? — damned
rememberhowyoutasted:
Ainda que gostasse de passar uma imagem de durona e inabalável, somente aquelas palavras de Pedro já lhe transtornaram de uma maneira que ela não era capaz de caracterizar. Poderia se irromper em lágrimas, poderia abrir a porta do carro e colocar para fora tudo que havia no seu estômago, mas continuou firme, olhando para a rua vazia. Não acreditaria naquelas palavras, não queria acreditar. Poderia responder que ela não era mais a mesma, e isso antes do acidente. Desde o momento em que ele optou por ignorar sua pergunta mais cedo naquela noite, a partir daquele momento em que o único som escutado dentro do carro, era a música abafada que vinha da festa. Stella achou que jamais achou que algum dia alguém poderia habitar seu coração intocável, sobretudo, de modo algum achou que um amigo poderia quebrar seu coração. Pedro mostrou que estava completamente errada, duas vezes. Perdeu completamente a compostura quando pegou uma garrafa de água vazia que estava no vão entre o banco e a porta do carro, para arremessá-la no rapaz do outro lado do carro. Se antes se sentia nervosa pelo comportamento dele na festa e por estar tão próxima fisicamente dele novamente, agora se via completamente irritada. – SHUT THE FUCK UP! Now you’re the funny one, huh? Go fuckyourself! – Gritou, sentindo seu rosto queimar. – Nunca mais você fala isso! – Ordenou, sentindo seu pé ficar mais pesado sobre o pedal do acelerador. – Tira a porra do pé do meu banco. – Ele estava fazendo aquilo de propósito. Ela tinha certeza disso. – Você para festa beber e não tem uma pessoa sóbria para te levar pra casa? Você tem realmente grandes amigos e uma ótima namorada.– Sabia que não deveria ceder as provocações, mas o impulso de revidar de forma sempre pior, era mais forte do que ela.
O silêncio dentro do carro era um completo incomodo. Era sufocante a falta de palavras, parte de si preferia que estivessem gritando um com o outro do que estar daquela forma tão dolorosa. Abriu a janela do carro, como se o vento que entrasse ali pudesse lhe ajudar a respirar melhor. A notícia de que os familiares de Pedro não estavam em casa não foi nenhuma surpresa. Não sabia dizer se aquilo era bom ou não; estando fora, não veriam Pedro naquele estado. Porém, duvidaria que Pedro pudesse se manter em casa e tranquilo o resto daquela noite. Juntou as sobrancelhas em desaprovação a ordem de Pedro. Quem ele pensava que era? Não era de se surpreender o fato de deixá-la sozinha, sem ter culhões para ouvir a resposta. Aquilo não poderia ficar daquela forma. Com as mãos atrapalhadas, se soltou do cinto de segurança e saiu do carro, trancando-o as pressas. Não soube dizer se a porta da dos di Amicis não estar trancada era só outro desleixo ou uma deixa para ela. Não queria, mas seu coração se agitou com a possibilidade. Seus passos eram pesados conforme subia a escada que a levaria para onde ele certamente estava. Ao adentrar no cômodo, mal teve tempo de se sentir nostálgica, de se deixar ficar inebriada com o cheiro dele impregnado pelo local. – Qual é a porra do seu problema, Pedro? É valentão o suficiente para arrumar briga, mas não o suficiente para me ouvir falar? – Disse enquanto se aproximava o empurrando na altura do peito. Estava completamente fora de si, tomada pela raiva, principalmente, pela mágoa. – Está vivendo sua vida feito um lixo, cheio de autopiedade… – Seu peito descia e subia rapidamente, seu coração mal sabia acertar as passadas das batidas. Com o dedo apontando para o peito desnudo de Pedro, Stella se via solta das amarras. Como se não suportasse nem mais por um segundo a situação que ambos se encontravam nos últimos meses. Não aguenta mais guardar a mágoa e a amargura para si. Não era justo. – Sabe do que eu culpo você, Pedro? De ser a porra de um covarde! E eu me culpo acima de qualquer coisa por ter deixado você me usar como sua distraçãozinha.
Era estranho estar em um carro com Stella novamente. Naquele momento as posições estavam invertidas, mas ainda assim ele não era capaz de evitar pensar na noite do acidente. Talvez se tivesse deixado que ela dirigisse, nada tivesse acontecido. Mas não havia nada que ele pudesse fazer naquele momento sobre o que acontecera meses antes. Não havia falado para irritá-la, nem para deixar ela chateada. As palavras apenas escaparam de sua boca sem que ele pensasse realmente no que dizia. E fora uma surpresa perceber que ela ainda se importava a ponto de ficar tão puta da vida. Riu quando a garrafa o acertou, mal doendo ao atingi-lo. Ela podia ter tido a intenção de machucá-lo, mas fora apenas adorável a tentativa dela. Ainda ria quando falou novamente. “ I was always the funny one, you never knew how to joke. ” Deu de ombros, levando sua mão até o botão do rádio para ligá-lo. Tirou o pé do banco de couro branco do carro, sorrindo novamente por ter surtido o efeito que sabia que surtiria. Ao menos alguma coisa que ele ainda conhecia em Stella. O sorriso sumiu quando ela ralhou com ele novamente, as palavras o atingindo de uma maneira que ele não esperava ser atingido. Levou alguns segundos trocando as estações do rádio até encontrar alguma que não estivesse tocando o pop rock italiano que ele achava meloso demais. Parou em uma estação que ele sabia tocar apenas rock, mas não reconheceu de primeira a música que tocava. Sabia que ela falava para irritá-lo, mas que também esperava por uma resposta. E foi por isso, apenas por isso, que falou novamente. “ Eu não tenho ninguém. ” Falou como se estivesse falando a coisa mais trivial do mundo, como se estivesse comentando sobre o farol ao qual se aproximavam. Não havia mágoa em sua frase, nem irritação ou raiva. Era algo que ele já havia se acostumado e com o qual não tentava lutar mais. Ele sabia que estava sozinho na vida, ele sentia que estava sozinho. E da única vez que havia ousado não se sentir sozinho, bem, acabara expulsado de um quarto de hospital pela mesma garota que agora o acusava de ter péssimos amigos.
Já em seu quarto, ele queria apenas tomar um banho e cair na cama, esquecendo toda a festa e os últimos minutos ao lado de Stella. Arremessou sua camisa suja de bebida e sangue num canto do quarto, logo abrindo o zíper da calça e a tirando ao mesmo tempo que tirava o tênis. Estava prestes a entrar no banheiro quando Stella surgiu na porta de seu quarto, completamente irritada e se aproximando com determinação dele, como se pudesse bater nele a qualquer momento - e ele sabia que ela faria isso se fosse necessário. “ E o que você tem de tão importante para me falar? Vá em frente. ” O empurrão dela não o fez nem balançar, Pedro continuou imóvel no meio de seu quarto. Ouviu atentamente cada uma das palavras dela, algumas doíam mais do que um soco, mas ele continuou parado como se nada do que ela dizia fosse capaz de surtir qualquer efeito nele. Quando ela pareceu terminar, Pedro falou novamente, segurando o dedo que ela apontava para ele. “ Só não se esqueça que você também me usava para o mesmo fim. ” Respondeu, se inclinando para chegar mais perto do ouvido dela. O perfume de Stella repentinamente o acertou em cheio, quase fazendo com que ele perdesse o fio do que havia se aproximado para dizer. “ Você só queria alguém para manter a cama quente enquanto o Andrea estava fora. ” Falou em tom malicioso. Já não tinha mais nada a perder. Se aquela frase desencadeasse tudo que Stella ainda tinha pra falar para ele, que fosse.
would you take me home? — damned
rememberhowyoutasted:
A atitude que teve naquele momento em se colocar no meio da briga, tentando a todo custo tirá-lo dali, não havia sido algo que acontecido sem antecedentes. Aos poucos, conforme voltava a sua rotina normal após o acidente, as notícias sobre o que Pedro fazia e deixava de fazer, chegavam ao seus ouvidos. Se esforçava para transparecer indiferença, como se não se importasse com o caminho tortuoso que ele estava optando por seguir. Stella poderia ser muitas coisas, mas não seria hipócrita de julgar alguns comportamentos de di Amicis, sendo que muitas vezes, ela fazia o mesmo. Mas, não havia qualquer maneira de evitar sentir a preocupação dilacerante que crescia exponencialmente em seu peito. Via como se Pedro estivesse indo para um caminho onde ela não o encontraria nunca mais. Onde não conseguiria alcançá-lo para trazê-lo de volta para si. Tantas outras vezes se viu a um passo de interferir quando o via pegando outro copo, ou quando o via fazendo uso de mais drogas do que um corpo normal poderia aguentar, ultrapassando o limite do que poderia ser considerável aceitável, apenas se divertir um pouco mais aquela noite. Mas ela não fazia mais parte de sua vida. Ela não tinha mais esse direito. E pensando bem, não sabia se um dia o tivera. Contudo, aquela noite parecia ter sido a gota d’água. Não suportaria apenas observar Pedro acabando com sua própria vida assim. Uma vez prometeu que nunca estariam sozinhos se tivessem um ao outro. Por mais que isso tivesse caído no esquecimento por um tempo, ela estava ali e não o deixaria sozinho. Ainda que negasse, de forma ou de outra, sua vida sempre seria interligada com a dele. Ia contra tudo que havia se forçado a acreditar por meses. Mesmo com tantos impedimentos, nunca pareceu tão fácil estar em uma situação complicada.
– Não, você não é assim. – Gritou de volta, sentindo seus olhos passando pelo rosto endurecido de Pedro. Tentava buscar ali, algum mínimo sinal de que o seu Pedro ainda existia. Que aquele que ela amara incondicionalmente em segredo ainda estava vivo em algum lugar. – Você não é o Pedro que eu conhecia. — Falou de forma tão baixa que não teve certeza de que ele pudesse ter escutado com exatidão suas palavras. Os nós de seus dedos já estavam brancos devido a força que exercia em puxá-lo, quando finalmente ele pareceu ceder, sentiu um ínfimo alívio percorrer seu corpo, como se a situação estivesse resolvida. Mas aquela noite estava longe de acabar. Era estranha a sensação de estar em um carro com ele de novo, sendo a última vez foi naquela maldita noite. Flashbacks invadiam sua mente com força, fazendo seu estomago embrulhar. Mas hoje era diferente, ela quem dirigia, o que a fez pensar que se talvez naquela noite estivessem em posições trocadas, talvez o acidente não tivesse acontecido e tudo poderia ter tido um final diferente. Sentia seu coração bater com força, e suas mãos seguravam com uma firmeza extra o volante. – Não. – Afirmou. – Você bebeu e… Você não pode dirigir assim. – Seus olhos eram pregados na rua a frente, tentando ignorar toda a confusão que preenchia seu corpo tão pequeno. – Por que você veio dirigindo? Você estava sozinho? – Questionou, engolindo seco. Sem saber o porquê de ter perguntando isso, porque provavelmente não gostaria da resposta que ouviria. – Tem alguém na sua casa? – Sabia em como era a relação de Pedro com sua família e como ele aparecer em casa daquela forma lhe renderia mais um problema. Assustou-se com a facilidade que a ideia de leva-lo para sua casa pareceu tão plausível em sua mente por alguns segundos.
Ela não o assustava ao gritar de volta, tentando acompanhar o tom dele - e não conseguindo. Porém ele já estava irritado e o que ouviu dela foi a gota d’água. “ O Pedro que você conhecia ficou naquele acidente. ” Respondeu, sentindo as palavras doerem ao passarem por sua garganta. Mas aquela era a única verdade com a qual ele podia contar naquele momento. Não era mais o mesmo desde o acidente, não queria mais ser o mesmo, não se não tivesse Stella ao seu lado. Parecia uma criança emburrada ao entrar no carro, observando-a sair da vaga e começar a ganhar velocidade pela rua. “ E qual o problema de dirigir assim? Pelo menos morro sozinho dessa vez. ” Suas palavras estavam recheadas de sarcasmo. Ele tinha consciência de que brincava com algo que não deveria, mas naquele momento ele queria que tudo se explodisse. “ Um dos poucos benefícios de ser filho de quem sou. Estou respondendo um processo pelo acidente, mas ainda posso pegar um carro. ” Deu de ombros, se encostando no banco do passageiro e colocando um dos pés sobre o banco, algo que ele sabia que ela odiava. Já que não conseguiria se livrar dela, ao menos poderia ficar confortável no carro. “ Defina sozinho. ” Questionou novamente em tom sarcástico, não conseguindo acreditar que ela estava insinuando que ele havia levado outra pessoa para a festa. “ Mas, se quer saber, estava tão sozinho quanto você. ” Disse na intenção de soar com duplo sentido, já que ela não estava sozinha, mesmo que Andrea não estivesse naquela festa.
Não ousou olhar pra ela, seguiu com seus olhos fixos na janela da porta do passageiro. A cidade passava por eles conforme Stella dirigia pelo conhecido caminho até onde ele morava. Ao chegarem à entrada de sua casa, Stella finalmente falou. “ Suíça. ” Respondeu de forma apática, sem elaborar melhor. Sabia que ela seria capaz de entender o que aquela localização significava. Sua mãe e seu padrasto estavam na Suíça, viagens de negócios, não retornariam tão cedo. O casal viajava com muita frequência, sozinhos desde que o garoto tinha pouco mais de doze anos e se tornou um excesso de bagagem nas viagens. Deixavam-o sob os cuidados de Benedetta, uma espécie de governanta-babá que cuidava do garoto desde que sua mãe havia se casado novamente. E, talvez, Benedetta fosse a sua única referência de mãe. O jovem havia mandado a senhora para casa no dia em que os pais viajaram, dando folga a ela ao menos pelo final de semana - afinal, até a mulher que ele amava como mãe já tinha seus próprios filhos, precisava também cuidar deles. Passou a mão por onde o babaca havia acertado o soco, percebendo que havia um pouco de sangue ali. Os segundos se passavam, o motor do carro já estava desligado, mas nenhum dos dois ousava falar. Levou sua mão direta à porta, abrindo-a finalmente. “ Nunca mais se meta no meio de uma briga. Muito menos por mim. ” Falou, quebrando o silêncio finalmente. Sabia que o que havia falado não era nada agradável, porém não esperou pela reação que ele sabia que viria. Desceu do carro batendo a porta do passageiro atrás de si, caminhando tranquilamente até a porta de sua casa. Qualquer um que o visse andando daquela forma, dono de si e sem tropeçar em nada, nunca poderia imaginar o quanto havia bebido ou quais drogas havia usado. Abriu a porta, não se preocupando em trancá-la atrás de si, nem em ver se Stella havia deixado o lugar em segurança. O interior da casa estava escuro e em um silêncio sepulcral, subiu as escadas e chegou a seu quarto por puro rumo. A primeira coisa que fez foi começar a tirar a camisa.
would you take me home? — damned
rememberhowyoutasted:
Ainda que fosse verão, uma brisa gelada passou pelo corpo de Stella do lado de fora da casa em que a festa acontecia, fazendo a pele da sua barriga exposta se arrepiar. Não sabia diferenciar se aquilo era fruto do clima mais gélido daquela madrugada ou da relação fria que havia se instalado entre ela e Pedro. Era difícil suportar o termos que se encontravam naquele momento. Termos os quais ela havia exigido. Para quem perguntasse o que havia acontecido naquela noite, Stella afirmava com propriedade que não se lembrava de praticamente de nada; apenas de flashs do carro deslizando sobre a pista molhada. Mas Stella era uma grande mentirosa. Se lembrava de todos os detalhes daquela maldita noite. De como Pedro a arrastou para fora daquela festa, de como seu peito doía ao gritar com ele de volta, dizendo que ele não poderia simplesmente fazer aquilo, de tratá-la como um objeto quando ele desejava. Sobretudo, se lembrava do olhar perdido de Pedro quando lhe foi questionado o porquê de eles não assumirem então algo sério. Aquilo sim lhe doeu, mais do que qualquer pancada ou corte. Mas novamente, ela quem havia errado de esperar algo a mais de quem não estava disposto a lhe oferecer. Ao seu ver, ela havia sido somente mais um passatempo de Pedro.
Colocou os braços sobre a barriga desnuda, como se pudesse se proteger do frio, fosse do clima, ou do que emanava Pedro. Parecia que anos haviam o separado desde a última vez. Lembrou-se de quando ainda era estranhos na escola em que estudavam, e se perguntou quando era a diferença para o que eram agora. – Stop acting like this! – “Because I care.” Completou em sua cabeça. Era irônico o fato de que Stella havia nutrido sentimentos verdadeiros pela primeira vez por alguém que não tinha intenção de fazer o mesmo. Sobretudo, Stella havia se importado com alguém além de si mesma. Sentia seu coração se comprimir dentro do peito ao vê-lo daquela forma. Ainda que estivessem frente a frente, pareciam estar longe demais um do outro. – Para de agir igual a um idiota. Você não é assim. – Ralhou. Levou a mão de maneira firme para o rosto do rapaz, virando o para que pudesse ver. – Shut the fuck up. - Sentiu um choque percorrer seu corpo ao sentir a textura da pele quente sobre seus dedos. Ainda que tentasse negar, ou ao menos disfarçar, era impossível dizer que qualquer outra pessoa o conseguia afligir um mínimo efeito parecido com aquilo. Como se isso não fosse o suficiente, não havia como negar que o lugar que Pedro ainda ocupava em seu coração era único e inatingível por quem quer que fosse. – Eu vou lá dentro buscar gelo. – Anunciou se virando. – Não saí daqui. – Ordenou, como boa mandona que era. Antes que pudesse dar o primeiro passo, reconheceu o grupo da briga na porta da casa, como se estivessem procurando Pedro para continuar aquela briga inútil. – Pedro, por favor. – Implorou com todo seu coração. Já sentindo o medo crescer em seu peito de imaginar o que certamente aconteceria se continuassem ali. – Vamos embora, por favor. Eu não quero te levar pro hospital. – Sua voz saiu aguda e ofegante. Tirou do bolso a chave do carro e acionou o alarme. Segurou seu braço com ambas as mãos, tentando-o novamente o tirar dali o mais rápido possível. – Eu te levo pra casa. Só vamos sair daqui, pelo amor de Deus. – Em horas como essa, desejava ser um pouquinho maior, para que ao menos conseguisse ter algum efeito sobre Pedro.
Não deviam ter saído de casa na noite do acidente. Tudo já estava condenado desde o início. Quando chegaram à festa naquela noite, Stella lhe fez uma pergunta, uma única pergunta a qual Pedro deliberadamente escolheu fingir que não tinha ouvido enquanto manobrava o carro. E tudo teria sido mais fácil se ele tivesse respondido ela com o que ele realmente queria dizer: que sim, eles estavam naquela festa como um casal, já que era assim que ele queria estar em todos os momentos com ela dali para frente. Mas ele ficou em silêncio e naquele momento ele soube que havia perdido Stella por completo. Naquela noite bebeu mais do que costumava e cheirou mais do que deveria. E a combinação foi a suficiente para colocar em sua cabeça que deveria ir atrás de Stella, que precisava convencê-la a voltar atrás, que diria para ela tudo o que deveria ter falado quando estavam saindo do carro. Mas quando chegou até ela, todas as sua intenções foram por água a baixo e Pedro sentiu algo lhe acertar como um soco no estômago: no momento pensou ser raiva, mas depois ele soube que era apenas ciúmes. Stella, sua Stella, estava conversando próxima demais de outro cara. E quando ele colocou a mão na cintura dela, a puxando para mais perto, Pedro nem sequer pensou antes de se aproximar dos dois e pegar a garota no colo, carregando-a para fora da festa e a colocando no chão apenas quando chegaram novamente ao carro. Entraram no carro e a briga começou. Gritavam demais, gesticulavam muito como bons italianos que eram. E quando Stella soltou aquelas palavras, mais uma vez ele sabia que devia responder que aceitava, que queria ficar com ela. E ele estava pronto para fazer isso quando percebeu o farol alto do outro carro entrando pelo vidro. Aquaplanagem fora o laudo oficial. No susto com tudo, Pedro pisara no freio forte demais, o carro girou na pista e capotou devido a alta velocidade em que se encontrava. Alguns diziam que era um milagre que o acidente não fora fatal. Mas para o inferno com milagres. Ele se sentia morto desde que ela gritara para ele ele fosse embora. Para ele teria sido melhor ter morrido no acidente do que seguir sua vida como se Stella nunca tivesse feito parte dela. Era como se existisse um buraco no lugar que ela ocupara. Um buraco que ele tentava ocupar com qualquer coisa: garotas, drogas, brigas. Mas não havia nada, absolutamente nada que fosse capaz de aplacar a ausência de garota em sua vida.
Praguejou de forma exasperada, querendo arranjar uma maneira de descontar a frustração crescente dentro de si. “ Eu sou assim. ” Respondeu em tom irritadiço, querendo apenas sair dali o mais rápido possível. Não sabia qual seria o efeito de ter Stella tão perto de si novamente. Tentou virar o rosto novamente, mas o toque dela era firme em seu queixo, mantendo o rosto dele fixo em sua direção. A observou pela primeira vez desde que chegaram até o lado de fora. Era como se o tempo não tivesse passado, como se ele a tivesse visto na noite anterior. Continuava exatamente a mesma, linda como sempre. Balançou seu rosto com força, se livrando do toque dela antes que ficasse enfeitiçado por completo e fizesse algo que não deveria. Se pegou quase pedindo para que ela não saísse de lá, para que não o deixasse sozinho ali, mas as palavras travaram em sua garganta. Ele viu o grupo na porta da casa ao mesmo tempo que ela, automaticamente suas mãos se fecharam em punho, se preparando para a briga que ele sabia que viria. Mas foi algo na maneira como Stella pediu por favor que fez ele desistir da ideia. Bateu a porta com irritação quando finalmente se sentou no banco do passageiro do carro dela, odiando parecer que estava fugindo de uma briga. “ Não precisa me levar pra casa, pode me deixar logo ali, estacionei lá na frente. ” Falou, levando a mão ao bolso de sua calça em busca da chave de seu carro.
would you take me home? — damned
rememberhowyoutasted:
Old habits die hard. Talvez fosse por isso que Stella se encontrava naquela situação. Ao menos, era o que ela queria acreditar. Ainda que tudo tivesse dado errado, não era como se o que sentia fosse acabar junto com o que tinham, seja lá o que fosse. Antes de qualquer sentimento que tivesse aflorado há pouco tempo quando ambos estavam na faculdade, Pedro era seu melhor amigo muito antes disso. Ainda eram jovens demais na escola quando se aproximaram. Ainda que di Amicis tivesse seus problemas familiares, era sempre ele quem conseguia iluminar os dias nublados de Stella. Pedro era divertido, era alegre e a fazia se sentir como se pudessem dominar o mundo se quisessem. Pedro era seu companheiro, seu fiel escudeiro; sempre aceitava as loucuras que Stella sugeria, todas aquelas que a maioria das pessoas torciam o nariz. Quem dera se tivesse declinado a ideia idiota se ficarem juntos quando estivessem entediados, talvez ainda pudessem ser ao menos amigos. Sobretudo, era Pedro que fazia Stella sentir como se estivesse realmente viva.
Seus batimentos cardíacos eram acelerados e chegavam a ecoar em seus ouvidos. Era completamente desesperador o vê-lo daquela forma, como se seus olhos não pudessem enxergar nada mais a sua frente a não ser o outro que estava envolvido na briga. A camiseta manchada de sangue lhe embrulhava o estomago de uma forma conhecida; exatamente como o viu parado em frente a maca que ocupava no hospital. Agora, Pedro parecia ter uma aura pesada sobre ele, como se estivesse envolto a uma escuridão que Stella não poderia mais alcançá-lo. Ele não era mais o Pedro di Amicis conhecia. Ou ao menos que achava que conhecia. – Pedro, por favor, para! – Sua voz era estridente e seus olhar era desesperado pelo o que achava o que aconteceria em seguida. Por um milagre, ele finalmente a ouviu e parou. A voz do outro rapaz soou distante, quase como se não conseguisse discernir o que ele estava falando. Seus pés davam passos atrapalhados e suas mãos tremiam constantemente conforme o puxava para fora da casa. – Você está ficando louco??? O que você pensa que está fazendo? Eles estavam em três, quatro!! – Sua voz era trêmula conforme parava de frente para ele. Ficou na ponta do pé para que pudesse ver com exatidão os estragos feitos no rosto de Pedro. Agia como se aquilo jamais tivesse deixado de ser normal entre os dois. – Você está bem? – Disse com firmeza enquanto o puxava para o seu carro, estacionado do outro lado da rua. – Você… Você precisa sair daqui.
Ele odiava Stella por ter proposto aquela ideia absurda. E se odiava ainda mais por ter sido idiota o suficiente para aceitar o que ela sugeria. A ideia era interessante, apenas sexo quando não tivessem ninguém melhor ou quando estivessem no tédio. No começo até havia funcionado muito bem, acabavam na cama um do outro no fim da noite, depois de terem aproveitado tudo o que podiam em alguma festa. Das primeiras vezes ele estava sempre too high para sequer se lembrar de todos os detalhes, mas conforme foi aprendendo como era ter o toque de Stella em sua pele, qual era o gosto do beijo dela, Pedro foi sendo tomado por algo que ele nunca havia experimentado na vida. E pra um rapaz que havia experimentado toda e qualquer droga que chegara até ele, tudo na garota se revelava ainda mais viciante do que qualquer coisa que já havia provado. Havia ficado tão viciado nela que nem sequer notara o quanto estava envolvido, apenas percebeu quando já era tarde demais. O acidente fora o fim. E, para ser sincero, ele não a culpava por expulsá-lo de sua vida, se estivesse na posição dela ele teria o chutado pra fora. Mas mesmo afastado há tanto tempo, mesmo se mantendo longe em respeito ao que ela havia pedido, ele não conseguia evitar pensar nela. E nem sair em defesa dela. Principalmente quando aquele babaca dizia coisas como aquelas. Em menos de um segundo ele já estava vendo tudo vermelho e tudo que queria era continuar socando o outro até que aquela sensação fosse embora. Porém a voz de Stella o tirou de seu transe, algo que apenas ela tinha o dom de fazer.
“ I don't care, Stella. I don't fucking care. ” Gritou em resposta, deixando clara toda a sua frustração. Ele tinha noção do que poderia ter encontrado se os amigos do babaca tivessem comprado a briga dele. Mas, sinceramente, Pedro não poderia se importar menos. Nos últimos tempos ele não estava sendo nada seletivo com as batalhas que escolhia para si próprio. Parecia que quanto maior fosse a chance de sair derrotado, mais chamativa era a briga para ele. Além do mais, ele sabia que poderia acabar apanhando dos quatro, mas faria um estrago significativo em pelo menos dois do grupo. “ I'm fine. ” Falou em tom emburrado, virando o rosto para que ela não pudesse ver onde o babaca tinha acertado o soco. “ I can do this by myself. ” Anunciou enquanto puxava seu braço do toque dela, não a seguindo até o carro como era a intenção da garota ao puxá-lo pelo estacionamento. “ Seu namorado não vai gostar nada de saber que você está comigo. ” Seu tom era deliberadamente malicioso, mas apenas para tentar mascarar como morria de ciúmes ao falar de Andrea. Por mais que os dois garotos fossem amigos há anos, e continuassem tendo uma boa relação, para Pedro as coisas não eram mais a mesmas. Principalmente depois do outro ter retornado de um intercambio e dado um jeito de pegar a sua Stella de volta sem nem ao menos se esforçar. Era como se tudo que acontecera entre ele próprio e a garota fosse apenas ela guardando espaço para quando Andrea retornasse, como se fosse apenas para não ficar sozinha enquanto o outro estava na Inglaterra.