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❣ Chile in a Photography ❣

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he wasn't even looking at me and he found me

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@pegcsus
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taurus
“É, eu deduzi isso.” Respondeu imediatamente, devolvendo o tom seco. Theo não via o homem a mais de um ano agora e estar diante dele era como se tudo voltasse de uma só vez. Jonquil entrou na sua vida de forma misteriosa e saiu dela como um fantasma. Lembrava-se de gastar uma boa parte dos meses seguintes procurando por ele, porque de certo modo a relação estranha que tinham desenvolvido era a unica coisa que tinha naquele momento, nunca pensou que o mais velho sentisse por ele as coisas que ele mesmo sentia, nunca nem mesmo entendeu o que era aquilo de fato. Theo sentia verdadeira adoração e admiração por Jonquil, por sua inteligencia fora de serie e por todo o mistério que cercava sua vida. Lembra que chegou a pesquisar sobre a vida do outro, descobrindo quais eram os seus propósitos e objetivos e ainda que tivesse oferecido dinheiro a ele em troca da substancia química que vendia, para Theo aquilo ia muito além, então fora extremamente devastador quando se deu conta de que para o homem ele não passara de uma reles cobaia. “Então foi pra cá que você veio para se esconder feito um rato depois de tudo…” Olhou em volta dramaticamente. “Mas não se preocupe, não culpo você por ter ido embora sem saber se eu estava vivo ou morto, no seu lugar eu teria feito a mesma coisa…” Riu de forma sarcástica. “Afinal, eu fui só a droga de uma cobaia, hun? Mas me diga, você… Não está vendendo aquela porcaria para os estudantes aqui, está?” Inclinou-se na direção do mais velho em um ato dramático como se ele fosse lhe confessar alguma coisa. “Seria terrível se o que aconteceu comigo rolasse com mais alguém.”
tentava não se demonstrar tão afetado como encontro como estava. uma mistura de raiva, com culpa e tristeza. a frase do outro atingiu seu ego em cheio. as mãos que estavam enfiadas em seu bolso imediatamente saíram do lugar seguro, de punhos fechados levantando uma delas em direção do rosto de theodore. não conseguia acreditar que havia sido comparado com um rato pelo mais novo, mas ainda sim o que mais lhe incomodou fora a necessidade de parar sua ação antes de completa. jonquil grunhiu alto quando a mão alcançou poucos centímetros de distância do rosto do outro, recuando antes do impacto ser causado. deu alguns passos para trás, tentando recuperar sua compostura e voltar a olhar para os olhos castanhos de theo.
estava então com seu corpo alinhado depois de alcançar a distância, como se precisasse desta para manter controle de suas atitudes. a verdade era que, independente das palavras ditas, jonquil não queria machucá-lo. ― eu... ― por um momento a necessidade de se explicar para o mais novo cresceu em seu peito, mas o homem lutou balançando a cabeça levemente de um lado para o outro antes de concluir sua frase. queria dizer que havia buscado saber dele no hospital várias vezes, que havia escolhido se afastar para não arrastar o hale mais profundamente para seu círculo tóxico, mas nada daquilo saiu de seus lábios. ― cale a boca, hale. ninguém aqui sabe sobre isso. ― resmungou da frase do outro. jonquil havia continuado a traficar sem pensar duas vezes mesmo depois do ocorrido, mas não iria deixar aquilo claro para o outro. ele não precisava saber, nem mesmo ninguém. ― por que veio para cá? ― perguntou sem pensar duas vezes, deixando a curiosidade falar mais alto. o hastings não conseguia ainda acreditar nas possibilidades daquilo ter acontecido e a cegueira da situação lhe incomodava mais do que gostaria. para falar a verdade, tudo naquele momento causava desconforto. não gostava das coisas saindo de seu controle, ter theodore na academia iria ser um desafio que não tinha nenhuma vontade inicial de seguir em frente.
hydra
blanca riu; riu diante das palavras do outro, pois ainda que tivesse plena certeza de que nunca errava, de que estava sempre em uma posição privilegiada, ela entendia que não era um bom exemplo para ninguém. estava sempre quebrando regras, as ignorando e criando as suas prórias; sua mãe a dizia que o melhor era sempre não guiar seu relógio como os dos outros, que deveria fazer sua própria hora, seu próprio tempo ❛ eu devo concordar ❜ assentiu brevemente ❛ mas eu sou quase uma lenda por esses corredores, infelizmente ou não, sempre terá alguém me copiando ❜ havia um sorriso presunçoso em seus lábios e por mais que estivesse brincando, havia um quê de verdade em meio as suas falas; um sentir que havia sempre alguém a observando, estudando-a para que pudesse fazer igual e tomar-lhe o lugar que ocupava ❛ depende ❜ os olhos recaíram sobre a figura masculina ❛ voce tem limitações? alguma barreira que não deixa ultrapassar? ❜ questionou curiosa ❛ por que se a resposta for sim, você não vai servir. preciso de alguém sem escrúpulos. ❜
uma risada baixa seguiu o comentário de blanca, completando com um movimento indiferente de seus ombros. a carillo tinha uma atitude rebelde estampada em seus comentários e olhares, recebendo admiração do mais velho pela genuinidade em suas intenções. apesar de não gostar das pessoas, ele gostava de transparência. nunca em sua vida forçou algo que não tinha interesse, todos ao seu redor sabem que o que importa para ele é si mesmo e, se mesmo com suas intenções egocêntricas e moralmente corruptas ele conseguia ser transparente, qualquer um que não tivesse a capacidade de fazer o mínimo era automaticamente considerado inferior em seu conceito. que podia não importar para todo mundo, mas importava para ele.
― oh, não é tão fácil assim. ― seus olhos buscaram os da estudante. suas bochechas elevaram junto com um sorriso de canto, quase como desafiasse-a a jogar qualquer ideia em sua frente. ― eu não dou minhas cartas para ninguém e você só me conhece há... um ano? ― fez uma pergunta retórica. suas palavras saiam de sua boca como se fossem as coisas mais obvias possíveis. ― não irei te servir de qualquer maneira. não nasci para ser um seguidor de ninguém, hydra. ― a constelação fora dita de forma que apenas os dois escutariam, por mais que o corredor já estivesse quase vazio. ― isso você pode conseguir com qualquer estúpido dessa academia.
corvus
ah, se estivesse em solo Italiano… ah, se estivesse em Sicília… não haveria altura o suficiente no homem que fizesse Michelangelo repensar suas ações o suficiente de forma a evitar que acabassem realmente partindo para as vias de fato. teve que erguer parcialmente seu rosto para fitá-lo, mandíbula tensionada a medida em que o fazia, mostrando o quanto de autocontrole estava sendo obrigado a usar para simplesmente não esquecer que estavam em Arkadak e que, infelizmente, ele respeitava a instituição, mesmo que tão singelamente que pouco se sustentasse em seus pensamentos.
quanto mais se deixava conhecer de jonquil, mais tinha certeza de que seu sexto sentido estava certíssimo em gritar perigo cada vez que chegava perto do homem. o motivo, entretanto, ainda não havia sido descoberto pelo Italiano, o que não significava que não seria, em breve ou não. em seus bolsos frontais da calça, as mãos se fecharam em punho, mas assim que decidira deixar o ar escapar pelo nariz, fora capaz de sentir também seus músculos relaxarem, o que o levava a voltar a sua postura tranquila, tão parecida com a de seu Pai. então, abriu um sorriso e os braços, finalmente envolvendo-o.
na posição em que se encontrava, a vontade de provocá-lo era imensa e não foi capaz de se conter dessa vez. deixou um selar delicado nas maçãs do rosto de pegasus, soando sua risada contra o ouvido do maior, ainda que precisasse se esticar. sua masculinidade nunca fora frágil para se quebrar com algo tão pequeno.—— deveria resolver essa tensão sexual, mio amore.
jonquil abominava todo tipo de toque vindo de pessoas sem qualquer indício de intimidade, mas ali ele estava mais interessado em não ser a primeira pessoa a se afastar, ter controle o bastante da situação para seu ego não ser afetado. controle, a maldição do narcisus do século vinte e um era exatamente o seu egocentrismo. jonquil sabia seu futuro, seguindo a lenda que envolta o seu nome logo estaria morto por suas atitudes e mesmo assim não controlava suas ações ou muito menos tinha intenção de fazer o seu mundo girar em torno de outra coisa.
o abraço foi recebido com um aperto forte, batendo duas vezes nas costas do outro. o toque em seu rosto teve como consequência um sorriso forçado, completamente cínico e com os lábios comprimidos. seu corpo enrijeceu, tornando-se mais tenso depois da atitude do mais novo, porém seguido de um respirar fundo logo sua compostura retornou ao normal.
― não temos isso. ― respondeu com a sobrancelha arqueada, separando os rostos mas ainda mantendo a distância mínima entre os corpos masculinos. jonquil olhou diretamente nos olhos do outro, com sua mão direita caminhando até o queixo de michelangelo deixando uma expressão pretensiosa desenhar em sua face. ― and your ass couldn't handle me. ― falou com um murmurio, esquecendo completamente do redor entre os dois ― e principalmente das câmeras que os cercavam. jonquil não era uma pessoa sexual, mas sim controladora de uma forma que relações intimas muitas vezes magnetizavam um prazer momentâneo.
with @everyone !!
virgo
&. ━━ ❛ stéfano estava tão focado em julgar e avaliar os uniformes padronizados dos novatos que nem se deu ao trabalho de reparar quem estava em sua volta, apenas queria continuar os seus goles quentes de vodca enquanto observava cada um deles. pretendia se infiltrar no meio da multidão para de fato parecer que saiu com eles do auditório, mas esperou um tempo para ver se conseguia achar algum rosto conhecido no meio deles.
depois de algum tempo, consegui avistar blanca, sua melhor amiga, de longe enquanto ela fumava um cigarro e se dispôs a atravessar o mar de gente até o encontro dela, até que sentiu um corpo sendo empurrado em sua direção de uma forma tão brusca ao ponto de fazer sua garrafa cair no chão, derramando todo o líquido imediatamente. “olha por onde anda infer…” antes que pudesse terminar sua fala, viu de quem se tratava e não conseguiu disfarçar a expressão de desgosto que tomou seu rosto. “era óbvio que era você!” revirou os olhos.
― com certeza. ― a tonalidade ríspida tomou conta de jonquil, fazendo com que virasse seu corpo em direção de stéfano com uma expressão sombria fixada em seu rosto depois do comentário do estudante mais novo. ― é um costume meu trombar nas pessoas que não suporto. adoro ter motivo para trocar palavras com você. ― o sarcasmo estava presente em todas as palavras que saíram de sua boca, acompanhadas por uma aproximação tempestuosa em direção do estilista, ficando poucos passos distante do outro.
o dia poderia estar ruim, mas ainda não tinha estourado daquela forma, chamando atenção de todos por suas palavras altas. a atenção fez com que jonquil revirasse mais uma vez os olhos, querendo estar em uma das aulas de luta para poder explodir em seu adversário. mas naquele momento apenas respirou fundo. ― go fuck yourself. ― ainda era um bolsista, sem se dar o direito de ter ações como aquelas expostas para as pessoas.
lupus
Percorria os corredores à passos frugais, o isqueiro prateado corrupiando dentre os dígitos da canhota, um malabarismo medíocre para a ruiva que atinava os corredores. Buscando entretenimento nos minutos precedentes à aula de música, a feição de Jonquil coincidiu com o intuito da holandesa. Uma pessoa para perturbar. Como uma criança prestes a aprontar, anulou a distância entre ela e o rapaz, um sorriso ladino nos lábios. “ —– Jonquil, como você está, darling? Aproveitou as férias?—– ” o braço direito envolveu um dos do mais velho, consciente de que o contato irritaria o moreno, afinal, essa era sua intenção. “ —– Aposto que sentiu minha falta, huh? Estava contando os dias para me ver, imagino. —– ”
respirou fundo ao perceber a fien ao seu lado. ― claro que aproveitei. você não estava por lá. ― sua tonalidade estava mais seca do que o normal quando o assunto era a ruiva. seu dia estava cheio momentos infortúnios e a companhia da mulher não era o melhor remédio para ele, pelo contrário, ela irritava-o mais do que necessário. ― really?! ― murmurou ao sentir o braço da outra lhe tocando, mas sem muito ânimo para iniciar mais uma discussão com ela sobre espaço pessoal. sem intenção de que a empresária percebesse sua rispidez por um tempo maior, apenas continuou andando para o caminho da aula de esgrima. ― who? me?! ― perguntou em uma tonalidade mais relaxada em comparação com a anterior.
― quero dizer, quem veio correndo atrás do outro aqui não fui eu. ― o sorriso convencido fez com que olhasse para a mulher pela primeira vez durante aquela conversa, achando a oportunidade perfeita para não ficar calado dando muita liberdade para ele não parar de falar. ― deve ter pensado muito em mim, uhn? eu fico grato pelo elogio. ― com a mão livre, levou para os cabelos arrumados de fien, fazendo questão de bagunçá-los com um movimento rápido sem perder o ritmo de seus passos. ― espero que não tenha tentado ligar para o número falso que te passei, minha querida anholts. ― deu uma piscada antes de voltar sua atenção completamente para o caminho em frente, esperando chegar logo em seu destino e finalizar aquela interação.
corvus
a esse ponto, Michelangelo tinha noção de sua personalidade excêntrica que o poupava de pessoas não dignas de sua atenção. contudo, nem mesmo seu jeitinho havia lhe poupado da presença insuportável de jonquil. era até mesmo difícil evitar que exibisse uma expressão de repulsa ao vê-lo. certamente, a sua relação com pegasus não era a das melhores, principalmente desde que, do momento em que o vira, sentira a imensa necessidade de investigá-lo e nunca baixar a guarda ao seu redor. limitou-se a um enrugar de se nariz em puro desconforto com a visão alheia, mas ainda assim sua coluna continuava tão ereta quanto antes.—— as if —— poderia ter imitado chér, ainda assim seu tom era extremamente diferente.
até mesmo um tanto ansioso com o encontro, sentiu a tensão em seus ombros, entretanto, aumentar brevemente. —— não fique tão ansioso esperando por um abraço, jonquil —— lhe indicou com a sobrancelha arqueada e um olhar que apenas imitava o alheio, sorria ao mesmo modo que o homem a sua frente. —— sei que sentiu minha falta… mas olha, eccomi qui¹ —— o tom era parecido com o de alguém que procurava acalentar uma pessoa próxima, mas havia muito mais nele do que apenas sua ironia.
a risada que saiu dentre seus lábios era mais perto de um sopro audível. não demorou para dar um passo a frente, diminuindo um pouco o espaço entre eles e automaticamente liberando a passagem no meio do corredor enquanto escutava as reclamações dos outros estudantes. mas não iria negar para si mesmo que aquela era uma forma de desafio, curioso em até onde o outro iria em meio ao público que passava para fora do auditório. ― um abraço? é tudo que eu queria! ― o sarcasmo era palpável e seu sorriso já desaparecia da sua face.
jonquil não era conhecido por sua gentileza ou pela quantidade de aliados. era um lobo solitário em todos os sentidos da expressão: animal, territorial e insociável. a aura tóxica que lhe cercava causava inimigos tão facilmente que não se assustava mais com pessoas como michelangelo que não tinham motivo concreto para tal desconfiança. pelo contrário, ao invés de se importar ele fazia questão de dar um real motivo para alguém desprezá-lo tanto. quer dizer, não era necessário nenhum esforço. uma das coisas que conseguia admitir sua atitude arrogante pingando de seus fios de cabelo até as unhas cortadas dos pés.
apesar de seu comportamento desafiador, seu corpo estava completamente relaxado. todas as chances de consequências de suas atitudes passavam brevemente em sua mente, mas nenhuma delas calavam o orgulho. ― i mean, se você insiste. ― abriu os braços, devolvendo um sorriso para os seus lábios. completamente cínico, sem intenção de seguir com a ação, mas se aproveitando da diferença de altura para olhar ainda mais para baixo.
hydra
para o último ano, blanca tinha alguns planos que precisavam ser colocados em ação para que isso fosse refletido em seu comando quando voltasse para a espanha. era uma mulher que costumava sonhar baixo, mantinha os pés no chão para que a utopia não lhe enevoasse a consciência; mas quando jonquill adentrou em seu campo de visão, ela tornou-se uma sonhadora. tinha planos que envolviam a ele mas antes de falar-lhe sobre negócios, precisava conquistá-lo um pouco mais. desta maneira, por mero interesse, não reclamou quando o cigarro fora pego, empurrando sua agonia para o mais fundo de seu âmago antes de responde-lo ❛ e desde quando eu sirvo de exemplo para alguém? ❜ questionou de maneira risonha, os ombros sendo balançados ❛ a menos que você o faça. diga-me, tem a mim como exemplo? isso me deixaria surpresa. ❜
ficou um pouco frustrado com a falta de reclamação da blanca de sua atitude, mas não deixou a mesma ser demonstrada em sua expressão facial. apenas seguiu com o cigarro em suas mãos, jogando-o no lixo que se encontrava há dois metros de distância e acertando sem dificuldade. ― você sempre foi um ótimo exemplo, carillo... ― comentou com um sorriso cínico pousado em seus lábios, como se desafiasse a calmaria posta na personalidade em sua frente. não por maldade, mas por curiosidade. ― exemplo de quem não repetir as atitudes, mas é uma cláusula anulável dependendo do público. ― por fim, escorou suas costas completamente na parede, olhando para aqueles que estavam passando em sua frente.
― iria gostar de me ter como pequeno pupilo? ― pela primeira vez em seu dia não estava tendo uma conversa agressiva com alguém, então não hesitou em aproveitar aquele momento antes de se enfiar no quarto pelo resto do ano e não precisar interagir até ser obrigado mais uma vez. ― o que teria para me ensinar, mr. miyagi? ― deu uma risada, ainda observando os calouros passarem pelo corredor até finalmente estarem sozinhos.
taurus
Theodore não teve nem um porcento de duvidas quando seus olhos encontraram a pessoa do outro lado do salão, e se tudo pareceu se confirmar no momento em que o outro também fez contato visual. O choque estampado no rosto dele e a vergonha no seu o fizeram desviar o olhar mais do que depressa. Não esperava por aquilo, mas que golpe de mestre do infortúnio. Um ano inteiro sem ver aquele homem e de repente ali estava o que parecia ser um fantasma dele. Seu coração acelerou e suas mãos de repente tremiam, precisando fechar os olhos depressa e concentrar-se para que pudesse voltar a si o mais rápido possível. Theo raramente tinha descontrole de suas emoções, costumava ser calmo e centrado até mesmo em situações de nervosismo extremo, mas aquilo era diferente, ele era diferente e queria muito que ao abrir seus olhos tudo não passasse de uma mera brincadeira do destino. Quando os alunos foram dispensados, o rapaz mais do que depressa apressou os passos para fora do auditório na esperança de que a multidão o escondesse, mas fora em vão, como um rato encurralado lá estava Jonquil vindo em sua direção. As palavras dele, ríspidas, fizeram Theodore recuar imediatamente e então reunir todas as forças que tinha para se impor e responder de uma vez. “Com certeza não estou atrás de você!” Não era exatamente o que queria ter dito, mas a necessidade de se explicar de alguma forma o dominou, apavora-se só de pensar que sua admissão na academia teria alguma coisa a ver com o mais velho. “Eu estudo aqui, e o que você faz aqui?.” Esperava que a entonação de sua ultima sentença estivesse carregada de cólera o suficiente para que o outro sentisse.
― quais são as chances?! ― a pergunta retórica saiu na língua chinesa quase que como uma súplica por uma intervenção divina enquanto desviava seu olhar para o corpo docente mais uma vezes, vendo-os fora do auditório desnecessariamente grande. sua cabeça realmente tentava contar a porcentagem exata da chance deles realmente se encontrarem depois de jonquil sair da califórnia. inferiores à zero. ainda que fosse no estado em que moravam eram baixas, quem diria em outro continente. infeliz com a resposta, apenas grunhiu.
não esperava nada mais do que um tratamento severo vindo do rapaz, então não se surpreendeu com a tonalidade de sua voz. talvez aquela fosse a primeira vez na sua vida que sentia vontade de se explicar para alguém além de sua mãe. ele tentava ignorar os seus pensamentos em relação ao hale desde o tempo que não o vira mais, porém naquele ano seria impossível. já tinha oitocentos motivos para não estudar naquela acadêmia cheia de ignorância e ódio direcionado aos seus colegas, aquele em sua frente era mais um motivo. seu aprendizado valeria tanto a pena assim? pegar o dinheiro que tinha guardado e sumir fosse o bastante, mas sua vida valia mais do que atitudes não pensadas.
negou-se a explicar seu distanciamento para o outro. orgulho, não deixaria ninguém vê-lo vulnerável, ele não gostava daquela ideia. escondeu suas mãos trêmulas nos bolsos da sua calça, olhando mais uma vez para os olhos de theo. ― eu estudo aqui. ― foi direto, seco, tentando tomar sua postura de indiferente que normalmente compunha sua personalidade.
@halletheos
se, alguma vez, as expressões de jonquil demonstraram, naquela acadêmia, algo além de desprezo ou raiva, ele não conseguia citar muitas delas, mas nenhuma dessas transformações chegavam ao pé do choque quando seus olhos encontraram theodore no meio das poucas pessoas que já se organizavam dentro do auditório depois do aviso sonoro feito pela diretora.
olhou ao seu redor, confirmando se a inicialização da apresentação estava perto, mas respirando um pouco aliviado por ainda ter tempo de confrontar a figura conhecida. sem deixar seu corpo travar mediante a situação, hastings caminhou diretamente para o outro, diminuindo a distância entre eles o bastante para que sua respiração fosse direcionada para o rosto de theo.
― o que está fazendo aqui, hale? ― retornou a uma distância confortável por não saber como o outro reagiria em relação a si. sua tonalidade saiu ríspida, como se demandasse uma resposta com esclarecimento. não duvidava da capacidade dele em se encontrar na acadêmia, mas era claro o desconforto pela companhia: esta dada um pouco devido aos sentimentos, mas principalmente pela culpa que entupia sua garganta em uma especie de exaltação.
mensa
❛ ┊ ✶ Sophia não é religiosa, não acredita em qualquer força divina, mantendo-se cética em todos os casos e baseando suas crenças nos diversos tipos de ciências existentes. No entanto, assim que adentrou a sala e viu que a única carteira desocupada era ao lado de Jonquill Saffaron, se pegou por alguns segundos implorando para todos os deuses que intercedessem através de um milagre e o fizessem desaparecer dali. Direcionou-se até a carteira desocupada, jogando seu material contra a estrutura madeirada com pouco delicadeza, sentando-se formalmente em seguida. —— Parece até ironia ter que assistir uma aula de Relações Diplomáticas ao lado da pessoa mais desagradável de Arkadak. —— Foi o que disse em um tom alto o suficiente apenas para que ele a ouvisse, como quem estivesse falando sozinha. Ainda que suas palavras fossem carregadas de uma aversão imparcial, não era uma mentira. Porém, mesmo que fosse um dos seus passatempos preferidos, quem era Sophia para o julgar? Considerando o último encontro dos dois, não havia muito para contestar, e ainda assim, a advogada preferia fingir que nada tinha acontecido.
ao escutar a voz de mensa, ou melhor, sophia, jonquil não conseguiu reprimir o murmurio em desaprovação pela aproximação da outra. até o momento, aproveitava-se da solidão, então não hesitava em distribuir olhares ameaçadores para as pessoas em sua volta quando estes tentavam ocupar a cadeira ao seu lado. não era atoa que seu lugar era deveras comum, sempre na fileira dos cantos, de preferência na primeira ou última carteira para não ser completamente rodeado por corpos agitados atrapalhando seu foco. não esperava que sua companhia fosse logo aquela, que cercava seu pensamento de arrependimento devido ao último encontro.
não que fosse algo anormal, mas em seu primeiro dia no internato já havia encontrado literalmente todo mundo que não suportava da escola noturna e ele não poderia se achar mais amaldiçoado. ― está chateada por perder o seu trono? ― perguntou retoricamente, retribuindo o tom baixo que a aula demandava, virando sem chamar atenção do docente da aula de relações diplomáticas, com certa relutância para observar os traços da britânica.
olhando para os olhos da outra, em sua cabeça rodava algumas lembranças que não deixava demonstrar em sua feição exterior. se fosse qualquer outra pessoa, a noite não teria sido tão ruim. jonquil odiava o fato de sua excitação corresse em volta de intelecto ou ódio, tornando momentos como aquele comum. mas apenas fingiu que nada aconteceu, continuando com a arrogância estampada em seu rosto. ― relaxa, é só abrir a boca que você consegue recuperar ele. eu diria que é um talento ser tão insuportável como você.
virgo
&. ━━ ❛ por mais que soubesse que era obrigatório assistir aos discursos da diretora, stéfano fazia questão alguma de ouvir ela falando tudo que ele já sabia. preferia mil vezes ficar em seu dormitório desenhando do que no auditório, mas sempre dava um jeito de aparece lá no fim só para fingir que estava no ambiente desde o começo. “eu amo o quanto os novatos usam o uniforme certinho sem darem uma customizada em nada.” revelou em meio a risadinhas fracas enquanto bebia vodca disfarçada em uma garrafa de água. “não que a customização seja permitida, né… but who cares???”
de modo dramático, escutar a fala de stéfano quase fez com que os olhos do homem saíssem de suas órbitas em uma ação exagerada de revirá-los. aproveitando da chance de que o outro não percebeu que estava ao seu lado, apenas permaneceu em silêncio ignorando mentalmente a existência do mais novo, não se importando com o cheio de vodca que estava ao seu lado enquanto os outros pareciam desesperados para sair do auditório.
estava finalmente encontrando abertura para sair daquela posição, sem muita paciência para conversar com mais alguém naquele dia. até que seu corpo foi jogado em direção daquele que evitara previamente, em consequência de uma atitude não pensada de uma das malditas crianças que haviam chegado naquele ano. não fez questão de olhar para trás e saber como o outro estava, apenas fuzilou com o olhar o rosto do culpado e começou a andar.
corvus
paciência não era bem o forte da família Galiardi, contudo ainda haviam entre eles figuras extremamente de paciência notável. Michelangelo, contudo, não era bem um deles e assim que a voz de helena, a molto doce¹ diretora do local, finalmente se calara nos alto-falantes, suspirou aliviado —— talvez ela devesse para de tratar esse lugar como um presídio, então —— comentou ironicamente em seu típico sorriso sarcástico, tão parecido com o que de seu Pai. não estava nada satisfeito com a ideia de mais bolsitas lhe rodeano, mas resistiu a apenas estalar a língua no céu da boca, desgostoso. as mãos enfiadas em seu bolso eram reflexo do tempo passado na Itália, convivendo com os ( Seus ). ao ver a pessoa que se situava ao seu lado conforme andava pelo corredor de saída do auditório, não foi capaz de conter a mudança em sua expressão.
a comoção pública quando bolsistas foram citados pela diretora era satisfatória aos olhos do homem. talvez pelo fato de saber que suas notas eram superiores à maioria daqueles ali, em literalmente todas as matérias que fazia parte, jonquil poderia ter defeitos escapando de seus ouvidos, mas sua capacidade intelectual não era uma. a desculpa que pessoas mimadas achavam para diminuir outros por sua falta de dinheiro era visto como uma inferioridade excepcional em seus pensamentos arrogantes. a arrogância citada era demonstrada em seu modo de falar, andar e até em seus olhares para qualquer um que tentasse interagir.
com michelangelo não seria diferente. o desprezo era recíproco e não demorou para retribuir a expressão do outro quando percebeu o olhar direcionado a si. com um grunhido em desaprovação, revirou os olhos, parando de andar para ficar de frente ao conhecido corvus. a ideia de suportar o homem em suas aulas comuns eram decepcionante, mas intensificadas quando encontrava-o na escola noturna. um ano naquela acadêmia e já não suportava a metade das faces que via diariamente. ― come on?! já vai pular em mim ou algo assim? ― sua fala acompanhou uma tonalidade desafiadora, por mais que colocasse um sorriso indiferente em seus lábios inicialmente. ― não precisa ficar tão animado em me ver.
hydra
afirmar que havia prestado atenção no discurso da diretora era claramente uma mentira, passara boa parte do tempo brincando com o isqueiro dourado que mantinha no bolso e fora a primeira a sair do auditório, antes mesmo de todo protocolo ser finalizado. blanca jazia encostada em uma parede, ignorando o fluxo de alunos que passavam por ela —- não tinha paciência para a maioria dos novatos, toda aquela euforia a deixava irritada. com um cigarro entre os lábios, o isqueiro fora em direção a ponta do mesmo, parando apenas para dar atenção a quem jazia a sua frente, julgando-a ❛ ¿qué? ❜ questionou enquanto abaixava a mao que segurava o isqueiro ❛ vai dizer que é proibido fumar no corredor? ❜
jonquil não se surpreendeu ao escutar o discurso decorado da diretora, se distraindo mais com os comentários ignorantes ao seu redor do que prestando real atenção a fala da mulher. apesar de ter convivido com alguns estudantes no ano anterior, ele estava realmente com a cara mais decepcionada possível por ter voltado a acadêmia. se contasse a quantidade de pessoas que aturava naquele local, ainda sobraria dezoito dedos (se forçasse) do seu corpo.
não demorou para caminhar para fora do auditório quando todos foram liberados, ignorando faces conhecidas para não realizar conversas curtas sobre férias ou qualquer outra estupidez.
escutar a voz de blanca foi a única coisa que conseguiu parar seus pés, mesmo o comentário não sendo direcionado para si, apenas ignorou a pessoa na frente da espanhola e escorou seu corpo na parede ao lado. ― it is. ― deu de ombros enquanto as palavras sem emoções saiam de seus lábios. a indiferença em relação da situação era obvia, mas isso não impediu de tomar o cigarro da mais nova por pura implicância e apagá-lo na parede de tintura recém retocada sem se importar em deixar uma sujeira disposta para visualização de qualquer ser perfeccionista. ― já está querendo sair dando um péssimo exemplo?
playlist criada por jonquil saffron hastings.
um gosto peculiar para um homem que só sentiu amor uma vez na vida. felizmente, para jonquil, este sentimento ele tem noção que carregará consigo pelo resto de sua vida: o amor incondicional por camellia, sua mãe. a dona de olhos castanhos hipnotizantes e um dos sorrisos mais lindos do mundo, ao seu ver. as melodias clássicas foram escutadas pela mulher desde que jonquil consegue se lembrar. o apreço pela senhora que não teve capacidade de cuidar do filho por muito tempo não foi diminuída pela falta de criação do jovem perdido no mundo, mas intensificado sempre que ela sorria ao lembrar-se da criança que completava a família. um amor em muitos momentos platônico, a admiração não morria pela guerreira e protagonista de uma história bela que sempre ouvia de seu pai e muitas vezes precisava repetir quando pedia para relembrar de seus momentos de ouro.
i. take five, dave brubeck ii. la vie en rose, louis armstrong iii. feeling good, nina simone iv. fly me to the moon, frank sinatra v. fever, peggy lee vi. laughing on the outside, bernadette carroll vii. put your heard on my shoulder, paul anka viii. can’t take my eyes off you, frankie valli ix. bang bang (my baby shot me down), nancy sinatra x. red house, jimi hendrix xi. the thrill is gone, b b king xii. my babe, little walter xiii. beer drinkin’ woman, memphis slim xiv. that’s life, frank sinatra xv. when you’re smiling, louis armstrong xvi. lady bird, nancy sinatra & lee hazlewood xvii. wicked game, chris isaak !!
NOTORIOUS dir. Alfred Hitchcock