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- Ah! - Exclamou após ouvir uma curta explicação, precisava admitir que aquilo era bem melhor do que esperava. Carolyn podia lidar muito bem com uma pessoa com memória fotográfica, ou boa para se lembrar de rostos aleatórios. - Eu adoro o uniforme, mas eu odeio aquele amarelo. - Soltou um suspiro dramático. A garota já se achava branca demais, e com os cabelos loiros, se sentia um tanto quanto sem graça quando usava o cachecol. Não havia nenhuma cor interessante, nada para chamar a atenção. - Azul e verde, essas sim são cores boas. - Comentou para ninguém em particular e quase balançou a cabeça. Por que estava falando tanta baboseira para alguém que estava conhecendo agora?
Ergueu as sobrancelhas e quase disse Uau! Apenas o seu pai trabalhava e ele precisava cuidar de sustentar a casa sozinho, e alimentar mais três bocas - a esposa e as duas filhas. Os Kurz não passavam necessidade, tinham até uma vida bem confortável, mas estavam longe de poderem pagar por um motorista particular. - Ok. - Deu de ombros e apenas torceu para que aquele motorista não tratasse Lyn e suas amigas com hostilidade por elas não serem sangue-puro e nem alunas da Sonserina. Dorcas não parecia ser ácida como Atlas e não as chamaria para uma armadilha.
Soltou um suspiro aliviado ao ver que não precisaria entrar em um carro onde um completo desconhecido iria dirigir e então sorriu, louca para fazer inúmeras perguntas à Dorcas, mas com medo das respostas e mais medo ainda de parecer uma pessoa extremamente inconveniente e fazer com que ela nunca mais tenha interesse ou vontade de conversar com Carolyn. - O que acha de irmos na Florean Fortescue? - Começou a andar em direção às lojas que pudessem achar mais interessante para passarem uma tarde agradável. - Eles tem um sorvete de framboesa com nozes picadas que é maravilhoso!
Listou em sua mente as lojas que se lembrava de haver ali: vassouras, corujas, livros, caldeirões, vestes…. O único lugar que parecia bom para as quatro era a sorveteria. - Talvez deixemos o chá para Hogsmead? - Mordeu o lábio após a pergunta. Sabia o que a confirmação da morena implicava: que iriam se ver novamente e que combinariam de sair na próxima visita ao vilarejo quando voltassem à Hogwarts.
Seus lábios se curvaram em um sorriso. Ela não era de falar muito, então era engraçado ver alguém que certamente não tinha problema algum em usar palavras para se expressar. Não era muito típico das pessoas com quem se misturava – jogos, contar vantagem, e celebrações exageradamente narcisistas eram melhores retratos da alta sociedade bruxa. “Bom, eu sou assustadoramente branca──” comentou, sem mais pretensões. Ela gostava da cor da casa, gostava da Sonserina, mesmo com algumas ideias distorcidas. Mas afinal, qual dos fundadores não tinha? Salazar era soberbo, Helga era passiva, Godric era agressivo e Rowena acreditava em conhecimento acima de tudo. Todos esses traços podiam rapidamente se transformar em defeitos.
Tentou parar de pensar em casas, escola – sangue. O que importava mesmo para Dorcas aquele ano era diferente. Se Voldemort estivesse mesmo a ponto de guerra, não seria um ano fácil para ninguém.
Parcialmente, era um risco ter Alex ali escutando aquela conversa. Ele poderia falar qualquer coisa para o seu pai – e Dorcas sabia que ele não iria gostar muito de vê-la com qualquer outra pessoa que não sonserinos puro-sangue. Porém, ela também estava confiando na habilidade dele de manter a discrição – ele fazia isso para o seu pai e ela seria herdeira, logo deveria fazê-lo para ela também. Certo? Ela não queria analisar a situação demais, deixaria para lidar com as consequências caso acontecesse, mas o seu pai já não podia controla-la muito. Afinal, era uma bruxa completa, maior de idade, e se não fosse pelo fato daquele ser seu último ano escolar, logo poderia se ver livre de obrigações familiares.
Concordou com um aceno de cabeça. “Mr. Fortescue sempre tem um sabor em produção que eu gosto de chamar de saber surpresa. Claro que ele não faz propaganda, mas depois de 17 anos vindo ao mesmo lugar, a gente aprende algumas coisas.” Disse, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. “Claro.” Para Dorcas, a vida era cheia de promessas vazias, como aquela. Ela não sabia se elas conversariam ou não quando chegassem em Hogwarts, mas para o momento aquela era a coisa certa a se dizer. Foi assim que sua mãe lhe ensinara – damas sempre sabiam exatamente a coisa certa a se dizer. “Afinal, quem não gosta de sorvete?”







