Pele de mármore vivo, esculpida em luz e calor,
onde a pedra fria desperta e pulsa sob o olhar.
Suave ao toque, reluzente, convite ao delírio maior,
arte que respira, que queima sem precisar de ar.
Inteligência que seduz, que vicia sem piedade,
lâmina de veludo cortando o banal e o vazio.
Cada palavra tua é vinho raro, doce fatalidade,
que embriaga a alma e deixa o juízo perdido.
Mulher de profundidade única, abismo encantado,
mar sem fundo onde o céu se faz pequeno e humilde.
Nas camadas de teu ser, segredos são guardados,
e quem mergulha neles jamais sai o mesmo, nem se ilude.
Musa que deixaria qualquer poeta completamente louco,
Camões, Neruda, Baudelaire — todos em delírio feroz.
Tu és verso vivo, inspiração que queima e ilumina o escuro,
o fogo eterno que transforma rimas em puro êxtase e voz.
Enigma belo, vício mais doce da existência,
em ti encontro a arte, a paixão e a transcendência.
Que todo poeta que te veja perca o sossego na hora,
pois amar-te é destino, e inspirar-te é pura demência.











