Talvez não seja uma boa ideia.
Tenta.

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@pensamentosporescrito
Talvez não seja uma boa ideia.
Tenta.
caralho, eu sinto muito a sua falta.
Se você conseguiu me encontrar e me mandar mensagem aqui, eu tenho certeza que consegue em outro lugar. Me chama.
03 da manhã.
Há anos já não escrevo, e sinceramente, já nem sei mais se consigo. Não tenho um cigarro, uma cerveja, e tenho uma porra de um dia gigantesco e cheio de problema amanhã. Minha cabeça dói de pensar, tudo dói, como o momento em que acordei de ressaca no domingo, o vinho do sábado a noite amaciou meu fígado como um boxeador num saco de pancadas.
Não sei ao certo porquê estou aqui escrevendo novamente depois de tanto tempo, me sinto mais perdido agora do que me sentia aos catorze anos. E odeio essa merda dessa sensação de que vivo num ciclo que sempre me leva a sentar na mesa do bar e resmungar sobre a vida, sobre como tudo é um lixo, e sobre como eu não sei, nunca soube, e provavelmente nunca saberei lidar com o maldito momento onde estrago tudo que estava dando certo. Mesmo que a culpa seja inteiramente minha.
De certo, minha escrita não é mais a mesma, e nem ao menos isso eu consigo entender. O que mudou? Por que mudou? O que estou fazendo errado? Eu não consigo me aliviar nisso, eu não consigo mais ser sincero comigo mesmo, não consigo olhar pro que sinto e aceitar que isso é assim, e, que hora ou outra passa. Impotente perante a mim mesmo. Criei um monstro que me devorou, e até pra sair da cama tenho que me arrastar. O conforto do álcool é a porra da minha sina. Só isso me levanta, pra depois me atirar em uma sarjeta como um qualquer.
Me afogo em orgulho, sou um cretino. Tenho me escondido em multidão, me refugiado em erros que me arrependo no segundo seguinte, e nenhuma das mentiras que conto a mim mesmo durante as madrugadas me engana. Venho andando no meio-termo, o umbral em vida, não me encontro, não encontro eles, não sinto, nem os socos acordam. E Baco me esclarece o que eu já deveria ter notado que é claro; “Eu disfarço tudo com cigarro, cerveja e sorriso”.
Rennan Franco
It’s that thing when you’re with someone, and you love them and they know it, and they love you and you know it… but it’s a party… and you’re both talking to other people, and you’re laughing and shining… and you look across the room and catch each other’s eyes… but - but not because you’re possessive, or it’s precisely sexual… but because… that is your person in this life. And it’s funny and sad, but only because this life will end, and it’s this secret world that exists right there in public, unnoticed, that no one else knows about. It’s sort of like how they say that other dimensions exist all around us, but we don’t have the ability to perceive them. That’s - That’s what I want out of a relationship. Or just life, I guess. — frances ha, 2012
dauðalogn.
Ela teve outra recaída emocional. Essas crises dela têm sido frequentes, levando em consideração o fato de que ela está feliz. Isso me preocupa. Me destrói hoje como me destruía há anos atrás saber que a machuco, mesmo sem intenção. Eu sou pra ela uma memória horrível. E sei que assim como as memórias horríveis que carrego comigo, eu machuco, faço doer, faço rasgar o peito e arder o estômago.
Eu entendo que ela vai me esquecer, e me deixar pra lá, quero dizer, ela tem que me deixar pra lá, certo? Ela tem a própria vida pra seguir, os próprios planos, porra, ela tem o cara dela! Por mais que eu queira negar, as vezes nas manhãs seguintes as noites de bebedeira, eu imagino como seria se ela tivesse estado lá. Do jeito que passamos tanto tempo planejando. Ela teria me impedido de arrumar tanta confusão? Teria me impedido de tomar mais uma garrafa de cerveja? Nosso plano era pra que um acompanhasse o outro, nas noites que o frio nos cortasse o rosto, ou que o calor nos impedisse de tudo. E veja só no que deu, nem sequer nos vemos mais. Há anos.
Eu ainda lembro do seu abraço, e do seu tom de voz quando me repreendia pelas minhas atitudes idiotas. E nem toda a cachaça do mundo pode me fazer esquecer do seu perfume, que ficava impregnado na minha jaqueta com cheiro de cigarro. Mas eu sei que isso foi só uma recaída, e que amanhã ela vai acordar e tocar a vida, como sempre fez, e vai estar tudo bem... Não vai?
Rennan Franco
Sobre o que somos, o que fomos, e o que queremos ser.
Somos sombras disformes dos heróis do passado. Buk dizia que heróis estavam mortos, mas ele não conheceu minha geração. Chuck Palahniuk descreveu bem nossos problemas, e eu posso citar tais problemas em pelo menos três línguas.
Multidões cheias de dentes brancos, como as luzes que a polícia usa para iluminar os rostos daqueles que na marginalidade apavoram os de dentes perfeitos. Dentes tão alinhados que dão nojo. Bocas barulhentas que emitem grunhidos sociais. Falam tanto e não dizem nada. Estagnados. Imóveis. Mortos. Completamente mortos. Não conhecem a loucura de uma noite de dor, uma noite de desespero. Todos eles dormem bem, e trabalham na manhã seguinte muito bem. Se fingem de vivos muito bem. Pois eu digo, PRO INFERNO COM TODOS ELES!
Não fumam, não bebem, são perfeitos. São exemplos.
Eu não sou como eles, nem quero ser. Não quero viver uma vida em vão, por mais que isso seja uma esperança fantasiosa. Buk dizia que nada apagaria Camus, que ririam de Dostoiévski. Talvez o velho estivesse errado.
Armas Atômicas,
Tempo.
NADA
Apagará a dor,
enquanto for possível
ler
pintar
ou tocar uma bela música
Em instrumentos fantásticos
que eu nunca serei capaz de tocar
Não temos propósito, lugar ou motivos.
Mas você que me lê, tem? Eu espero que tenha. Nossa maldição é não termos onde nos encaixar. Odiamos uns aos outros, na marginalidade, não sabemos se devíamos ou não nos disfarçar, e fingir que somos parte dos dentes brancos. Ou se abraçamos o fato de que não seremos nada se nada deixarmos.
Rennan Franco.
fumei 25 cigarros esta noite e você sabe sobre a cerveja. o telefone tocou apenas uma vez: era engano.
Charles Bukowski (via bukowski-brasil)
Te ensinarei como conseguir o mais puro inferno.
Pra ela eu tenho dedicado garrafas de amor e pequenas doses de ódio durante noites a fio. Sofrendo nas manhãs seguintes com ressacas de ansiedade, vomitando medo, sentindo sede de violência, e dor de cabeça de angústia.
Levar esse tipo de vida não se mostra nem um pouco fácil, e depois de tanto tempo, e tantas decepções, não sei mais dizer se o que aparentava ser tudo que eu queria, seria o que eu realmente preciso. Todas essas decisões falhas, me levaram a finais desastrosos de relações fúteis. Do jeito que eu gosto.
E aqui estou eu sentado vendo a fumaça do cigarro no escuro, se dissipando. Da mesma forma que assisto tudo com Arabella ruir sem me mover, sem conseguir fazer nada além de observar. Já completamente exausto e sem fôlego. Trago o cigarro novamente. Espero que a madrugada me acolha como uma mãe, e não como uma puta, espero que tenha força pra lutar mais um round nessa infindável luta.
Eu e toda minha negatividade aprendemos com o tempo, que não é uma boa ideia se enfiar em bares para beber, quando tudo que se quer é ficar bêbado e tentar se distrair. Nesses casos a coisa mais inteligente a se fazer é comprar vinho, cerveja ou cachaça, e se destruir entre quatro paredes.
Ter que entrar num bar, e ficar rodeado por esses tipos hipsters que para mim, não passam de netos e bisnetos ainda mais insuportáveis de beatniks, me parece uma ideia tão idiota quanto o casamento. Se volta e meia eu não arrumasse uma boa briga, já tinha largado esses lugares faz tempo. Brigas são um ótimo passatempo pra quem não tem nada a perder.
O tempo passa, e de bebedeira em bebedeira ela se afasta. A cada cicatriz nova que ganho nas mãos, ela se afasta. A cada maço de cigarro amassado e atirado longe, ela se afasta. E a cada noite acordado eu me pergunto se em breve ela será só uma memória gasta, como a mancha de sangue em meu colchão.
Rennan Franco.
Os outros.
Ossos trincados, estômago cheio de vinho e cerveja, garganta queimando e mãos machucadas. Esse é o triste retrato de um homem que não conseguia esquecer ou perdoar, não conseguia deixar passar, não conseguia acalmar seus próprios demônios nem dobrando a quantidade de remédios.
E de repente ele via novamente o mesmo filme, e esse filme era horrível, pelo menos pra ele. Esse filme que trazia a velha dor, o ódio, de si mesmo e dos outros, a tristeza matadora, o já conhecido desespero, e a inesquecível ansiedade. Era tudo tão familiar que parecia amigável.
É cruel o modo como as pessoas vivem, sem se importar com o outro, passando por cima, usando, dilacerando o próximo pra que consigam ganhar o que quer que seja do coitado que não é um pouco mais esperto.
Já escrevi dezenas, centenas de páginas que acabam voltando sempre pra ideia de que não confiar em ninguém é a melhor coisa a se fazer. As pessoas me enojam mais a cada dia que passa, vivem nos seus mundos egocêntricos e mesquinhos, achando que o universo gira em torno delas, com seus pescoços enfiados nos próprios umbigos.
E a cada atitude egoísta, ou cruel que cometem contra mim, eu me torno uma pessoa um pouco pior, com mais nojo e desprezo contra os outros. Com mais problemas dentro de mim do que eu acredito que sou capaz de suportar. E não adianta me dopar, me chapar, ou me embebedar. Arde como nenhuma outra dor que eu já tenha sentido.
Não sei dizer se é desespero por não existirem mais pessoas que valham a pena, ou ódio por todos que me aparecem serem filhos da puta. Mas não há nada que consiga sanar essa queimação, essa dor. Parece que socam a boca do estômago todo o tempo, e nada que eu faça pode parar isso.
Tenho vivido o verdadeiro inferno dentro de mim. Mas como diria Sartre; “O inferno, são os outros”.
Rennan Franco.
Your worst sin is that you have destroyed and betrayed yourself for nothing.
Fyodor Dostoyevsky, Crime and Punishment (via wordsnquotes)
p.s. - desta vez a Tesão me negou fogo. não queira ter o olho maior que a barriga: em amor, tesão ou ódio.
Charles Bukowski no conto “10 Punhetas”.
Até o fim.
Somos todos carrascos de nós mesmo no fim de tudo. Nossas próprias memórias nos torturam e nos mandam direto pro inferno. A quantidade ilimitada de dores que um pensamento passageiro pode trazer com ele é assustadora. É breve como um raio e certamente causa o mesmo estrago que um verdadeiro o faria caso atingisse sua mente. O maldito trovão que ecoa em meu cérebro como a própria sinfonia que acompanha o fim de tudo.
Me parte ao meio, no meio da noite, pensar em tudo que eu podia ter evitado, tudo que eu podia ter feito diferente. Muitos podem dizer que isso tudo é remorso, mas meu orgulho me faz gritar para todos que não me arrependo de nada. Descarrego na escrita todas as minhas lamentações e jamais permito que vejam quem sou de verdade. Vivo um personagem e escrevo uma realidade, dia após dia.
“Jamais se permita desabar em frente a ninguém, não seja leal a ninguém, a não ser você mesmo, seja orgulhoso, não esqueça, não perdoe, e não deixe nada passar.” Vivo, morro, e se necessário mato por isso. Aprendi a não esperar nada de ninguém, apenas de mim. Entendo agora como é perverso e sádico o jogo dos velhos Deuses, que apostam quanto tempo ainda vou demorar antes de ir a lona.
Para o azar de todos, continuarei vivo. De todos os momentos, todas as memórias e cicatrizes que carrego em meu corpo, muita coisa ainda é uma ferida aberta, feridas infeccionadas e mal tratadas que me dão a maldita febre de ódio, que queima desde a boca do estômago até os pontos mais obscuros de meu cérebro, me levando ao delírio, beirando a insanidade.
Mas já não é problema para mim, sei que suporto, e sei que ainda tenho muito a suportar. Não existe nada e nem ninguém que faça um homem obstinado e cheio de ódio e rancor como eu dobrar os joelhos. Eu não vou ser parado e eu nunca vou me render. Eu posso e vou ser aquele que vai derrubar qualquer obstáculo que estiver em meu caminho, mesmo que esse, seja eu mesmo.
Rennan Franco.
Melhor.
Eu não preciso que me digam que a vida é bonita, que vale a pena viver, que eu preciso aprender a sorrir. Eu não preciso e nem quero gente à minha volta entupindo meus ouvidos com esse mesmo discurso que eu já ouço há anos. A vida deles pode ser a merda que for, quero que eles se fodam, não é problema meu, a minha não é.
Eles falam como se pudessem sentir o inferno que é, isso queimando dentro de mim, como se entendessem a raiva que eu sinto, como se junto a mim, sentissem a angústia dilacerando meu interior, cada memória… Memórias com as quais não sei como lidar. Só encontro a calma nos remédios, no cigarro que quando tragado me vira o estômago que já está inundado de álcool.
Todo mundo vê o que está acontecendo comigo, eu fumo mais que eles, eu bebo mais que eles, eu sou mais violento, eu sou o que menos liga, o que menos quer eles por perto, e porra, ainda me lembro quando esses filhos da puta pareciam ser tudo que eu tinha.
Custei a entender o quão insignificantes as pessoas podem ser, o quão mesquinhas e nojentas, o quão baixas e o quão sujas. Demorei até perceber que quando chega a hora de fechar o circo dos horrores que é a ilusão de ter muitos amigos e ser feliz, sou eu aquele palhaço triste.
Deixar de confiar nas pessoas é um processo lento e para alguns pode ser extremamente doloroso. Mas quando se é esperto, é possível notar que é a melhor opção. Não confie em ninguém! Hoje eu vejo que não preciso de ninguém, e não quero ninguém, mesmo que eu seja um lixo, eu sou melhor do que eles.
Rennan Franco.
Prazer, eu.
Depois de tempos entendo como um escritor vive de escrever. Vivendo de dor, a dor é o combustível que mantém a máquina por trás da máquina de escrever, escrevendo. Juntamente com o vinho, a cerveja, e os cigarros, a escrita é o que faz com que suportemos a dor o suficiente para não morrer, e o suficiente para escrever. Nossa morfina.
O ódio, o rancor, o orgulho, a teimosia, características marcantes em mim. Alimentam minha dor, que alimenta minha escrita, que alimenta quem a lê. A fim de tentar sanar a dor, me entorpeci de remédios, bebi como jamais pensei que aguentaria, e fumei até que pela garganta não fosse possível passar fumaça. Briguei com o mundo, lutei contra mim incontáveis vezes, mas nunca soube ao certo quem ganhara. Eu, ou eu?
Me despedacei pelos bares da cidade, nas ruas molhadas, nas poças iluminadas pelo neon dos letreiros, pelos copos alheios, e pelos becos estreitos. Jamais encontrei alguém que fosse capaz de entender tudo que se passava aqui dentro com plenitude. E acredito que jamais irei, nem eu mesmo entendo.
Exijo de mim tudo que não posso conseguir, exijo de mim a perfeição jamais encontrada pelos grandes filósofos, pintores, escritores e pensadores. Quero ser inigualável, insubstituível, e mesmo assim, sempre mantenho em mente o fato de não ser especial, de ser substituível, de não ser nada além de um amontoado de carne grudada em ossos, circulando por aí, e durando mais do que o esperado.
Me atirei contra o mar de insanidade que inundou minha mente durante tempos. Mergulhei o mais fundo possível e nada encontrei além de escuridão e silêncio. Não fui capaz de matar meus demônios, sabendo que eles podem me matar a qualquer momento, ou tentar, se tiverem coragem.
Não sou, e duvido que em algum momento serei capaz de mudar algo, de ser notado, de não ser mais um reflexo no vidro do trem que sai dessa cidade desgraçada pontualmente às sete da manhã. Mas aceito, engulo o álcool, trago a fumaça, disparo tinta contra as páginas de um caderno, como se fossem todos aqueles que me querem morto, e não tem coragem de me matar. Sou aquele que espera o destino por um ponto final em minha história.
Por fim, abraçarei o fim como um velho amigo.
Rennan Franco.
Los Angeles era muito estranha. Ele ouvia. Os pássaros já haviam despertado, cantando, mas ainda estava escuro como breu. Logo as pessoas estariam se dirigindo para as autoestradas. A gente ouviria as auto-estradas zumbirem, outros carros sendo ligados por toda parte nas ruas. Enquanto isso, os bêbados das três da manhã do mundo estariam deitados em suas camas, tentando em vão dormir, e merecendo esse repouso, se pudessem encontrá-lo
Do conto Bêbado Interurbano de Charles Bukowski.
Um dia ordinário.
Ele estava parado em seu ponto, esperando o ônibus, como fazia todos os dias a noite. E por algum motivo, se pegou pensando que existem milhões de formas de se morrer. Aquele sujeito que atravessou a rua correndo e passou na frente do ônibus, por exemplo, se tivesse tropeçado, estaria morto, e ele teria visto tudo.
Seu ônibus chegou e ele embarcou, sentou-se num banco ao fundo, como sempre, esperando que ninguém o incomodasse em sua viagem. Era uma viagem de aproximadamente 30 minutos e ele costumava ler enquanto o ônibus cortava a cidade chuvosa. Porém dessa vez não quis ler. Ainda pensava em como é fácil morrer a qualquer instante.
Talvez soasse mórbido se ele revelasse isso a alguém, mas ele pensava em coisas assim o tempo todo. Não é exatamente algo triste, é apenas realista. Não se trata da dureza da morte, mas sim da fragilidade da vida.
Pensou então o que poderia acontecer a senhora que estava sentada a sua frente, caso ela escorregasse na escada do ônibus ao descer. Ela poderia quebrar a bacia e ter complicações, infecções, todo tipo de problema. Parecia uma forma horrível de se morrer…
O seu ponto se aproximava, levantou e deu sinal. E ao fazer isso reparou no sujeito que também desceria ali, não era um sujeito que ele já tinha visto em seu bairro, e ele morava ali já há quase 20 anos. Notar aquele cara ali o fez pensar em sua própria fragilidade, o tal sujeito poderia lhe dar um tiro caso tentasse assalta-lo.
Ele nunca teve medo de morrer, não entendia o motivo do pavor de todos. Mas não achava que num dia comum como aquele seria o dia de sua morte, afinal de contas era apenas uma terça-feira, e pelos céus! Quem morre numa terça-feira?
Desceu do ônibus, e o sujeito tomou um rumo completamente contrário ao seu. Dirigiu-se a sua casa, era velha, mas era confortável. Abriu o portão, e fechou-o. Fez o mesmo com a porta. Afagou os gatos que dormiam no sofá e foi até a cozinha.
Colocou duas fatias de pão na torradeira e sentou-se a mesa. Enquanto o pão não ficava pronto pensou no sujeito do ônibus. Talvez ele fosse um sujeito normal, voltando do trabalho, ou talvez só estivesse indo passar a noite com alguma mulher por ali. Talvez o cara tenha ficado com medo dele também, afinal, ele não era o tipo de cara que você gosta de encontrar em ruas desertas.
O pão ficou pronto, duas belas torradas, secas. Se levantou e pegou na geladeira presunto, e uma cerveja que estava na prateleira de baixo, era a última. Fez seu sanduíche de torrada quente com presunto gelado, e decidiu que era melhor esquecer onde costumava fazer aquilo. Tomou sua cerveja, e devorou seu sanduíche.
Mais tarde, após ter trocado de roupas e cuidado de seus gatos, após ter escovado os dentes e tomado um banho, deitou-se na cama e encarou o teto. E estranhamente, sua última lembrança daquele noite fora pensar: “Mas que diabos de terça-feira!”.
Rennan Franco.