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@phxjian
gyeongho:
- ̗̀ ░ ——— Caso tivesse conhecimento da semelhança aparente entre as duas personalidades, teria simplesmente escolhido o silêncio habitual e seguido o caminho como costumava fazer diariamente. Gyeongho não costumava apreciar uma segunda presença que não fosse os poucos que gostava pela região, porém no momento sentia-se profundamente agradecido por ter o herdeiro ao lado, ou então provavelmente estaria morto contando o homem à poucos passos de distância. — Não. — Respondeu de imediato, porém o tom não só entregava o medo, como oferecia contraste aos olhos astutos do outro homem que seguira os seus, deixando claro o conhecimento do perigo aparente. — Ainda falta um pouco. — Observou a figura masculina atrás de si novamente, sentindo-se estúpido pelo despreparo ao sair de casa e a confiança de que estaria seguro dentro dos muros das mansões. Ainda era o cara que matara alguém, não esqueceriam isso. — Ei! — O homem chamou e o primeiro instinto pediu para que corresse, porém caso houvesse uma arma envolvida, Jian também correria perigo, e nada tinha a ver com seus problemas. Por isso, o jardineiro travou seus passos e virou-se lentamente, encontrando a face deplorável e elétrica, quase necessitada. — Passa a grana. — Era a merda de um viciado? Franziu o cenho, ele sequer tinha as mãos nos bolsos para falsificar uma arma e amedrontá-los, digno de pena. Poderia transferir um soco no nariz a partir, mas não era como se estivesse fazendo mal à alguém, eram apenas seus fantasmas o atormentando. — Claro. — Concordou antes de olhar rapidamente o castanho, dando a menor nota que tinha no bolso somente para ver o outro partir risonho. Por mais imbecil que fosse a situação, a respiração era ofegante. — Que susto, hein? — Quase riu, negando com a cabeça para analisar o menor, não devia estar acostumado com pessoas de tal nível se aproximando. — Você tá bem, cara? Parece.. Bem assustado.
A aproximação súbita da figura desconhecida fez com que ele congelasse no lugar que estava, sentiu todos seus músculos tensionarem de repente e as mãos se fecharem mais forte ainda ao redor da lâmina que carregava no bolso, um rápido movimento seria o suficiente para acertar o homem, que parecia ainda não ter se dado conta que ele estava parado ao lado de Gyeongho, mas não conseguia se mover, o coração bateu forte demais, tão forte que por um momento achou que os outros escutariam, um pequeno lembrete de que ele tinha medo. Assistiu imóvel enquanto o rapaz entregava uma nota para o desconhecido, aquilo não poderia ser apenas uma coincidência, ele não poderia se dar ao luxo de baixar a guarda, não seria exatamente isso que seu pai iria querer? Seu pai, é claro que ele teria poder o suficiente para vigiá-lo mesmo em um país diferente, estava certo que aquele encontro com o viciado era um plano de Chen. “Era só um viciado.” Disse mais para si mesmo do que para o jardineiro, tentava soar calmo, sem tirar os olhos do desconhecido que se afastava contente com sua nota. “Eu estou bem.” Garantiu com firmeza, mesmo que as mãos trêmulas dentro do casaco dissessem o contrário, respirou fundo e tentou voltar a caminhar, não podia deixar o outro desconfiado. “Você não deveria dar dinheiro para pessoas assim, só está alimentando mais ainda o vício deles.” Não se importava tanto assim com o destino do homem que acabara de conhecer, porém, começava a ver a necessidade de preencher o silêncio, ficar sozinho com seus pensamentos era uma opção perigosa demais. “Ele não estava armado nem nada, muito estranho não acha? Estava fácil demais, qualquer um poderia derrubar ele e fugir, mesmo assim, você preferiu entregar o dinheiro.” Seria mais fácil se ele culpasse Gyeongho por não ter feito nada, então poderia esquecer que ele que havia sido o único covarde.
𝑰𝒏𝒔𝒐𝒎𝒏𝒊𝒂
ahryung:
⊱ ˙ 💐 ៹ . —— não dá para se tornar alguém melhor. ou você é, ou não é. — deu de ombros, sem importar no rumo que aquelas palavras a levariam. a morena sabia de tudo o que ele estava falando. e sabia também que, no mundo real, fora da bolha de autoajuda que ele narrava, as coisas eram muito mais complicadas do que palavras poderiam descrever. pessoas não perdoavam erros como os dela, pessoas não esqueciam suas atitudes com um pedido de desculpas. não tinha forma de consertar. era o famoso clichê de vidro quebrado que não volta a ser como era antes nem com supercola. tinha rachaduras por toda parte. cometera erros em todas as pontas e por muito tempo não se importou com eles. ou seja, falar sobre como se sentia agora, não era importante. continuava sendo a mesma patricinha nojenta que sempre fora. agora, com um pouco de peso na consciência, é claro. —— mas não é a questão aqui. aceito que sou uma pessoa desprezível e não estou em posição de questionar isso. o problema mesmo, é quando outras pessoas esperam muito de você quando na verdade não deveriam esperar nada. expectativa é uma droga. — riu, um pouco amarga. nunca pensou que uma única sentença poderia carregar o peso de tantas pessoas em sua vida. não tinha ninguém em específico que se aplicava aquele pensamento, ao mesmo tempo, tanta gente poderia se encaixar naquilo. ahryung sabia que não era nenhum tipo de virgem maria para que pudessem enxergar o seu ponto de vista, muito menos perdoar seus pecados. só queria que as pessoas que amava pudessem vê-la por uma outra perspectiva. —— se tem algo que eu tenho certeza de que não existe vantagem é ser alguém melhor. continuo me fodendo em todos os aspectos da minha vida, então, do que essa merda adianta? — passou as mãos por entre os fios castanhos, os bagunçando quando penteou os cabelos com os dedos. não queria continuar falando sobre seus sentimentos, mas lá no fundo sentia a necessidade em fazê-lo. ao menos, o peso dos ombros havia sumido parcialmente. —— não me leve a mal, mas essa conversa está me deixando com vontade de morrer. — sorriu, abertamente. sem fingimentos daquela vez. —— mas obrigada por me ouvir.
Não tentou retrucar o argumento de Ahryung, no fundo sabia que ela estava certa e as suas palavras sobre tentar ser uma pessoa melhor não passavam de uma bela mentira decorada muito tempo atrás que todos gostavam de repetir até parecer verdade, porém, as coisas não funcionavam assim e ele sabia melhor do que ninguém, havia tentado se tornar melhor e deixar o passado para trás, mas mesmo ali, cinco anos depois, se sentia como o mesmo garoto assustado de sempre. “Existe uma diferença entre não ser uma boa pessoa e ser desprezível. Eu não acho que você seja desprezível, você apenas gosta de pensar assim porque é mais fácil.” Poderia concordar com a parte de não conseguir ser uma pessoa melhor, porém, já havia conhecido um número considerável de gente desprezível em seus vinte e três anos e duvidava que ela se encaixasse nesse padrão mesmo que acreditasse nisso, apesar do que acreditava, eles não eram amigos e suas palavras poderiam ter passado do limites, então apressou-se para continuar a falar antes que ela pudesse respondê-lo. “Mas tenho que concordar, expectativa é uma droga, por isso faço questão de atingir nenhuma.” Um sorriso desdenhoso surgiu no seu rosto, a sua voz soava um pouco mais amarga, queria acreditar que era apenas um reflexo do modo que a sua companhia falava, porém, sabia que apenas estava mentindo para si mesmo. Talvez, no seu âmago, ele quisesse ser alguém que atingia as expectativas alheias, aquele tipo de pessoa que recebe sorrisos orgulhosos até mesmo de quem não o conhece, só assim ele poderia ter certeza quando estivesse fazendo a coisa certa, esse era um talvez que ele nunca iria admitir. “Vamos apenas esquecer esse conselho de merda, não foi uma boa ideia.” Levantou-se de onde estava, o chão de pedra começava a incomodar, apesar de tudo, sentia que a conversa no meio da noite havia sido estranhamente confortador para ele, ele também deveria agradecer, mas decidiu retribuir o sorriso verdadeiro. “É para isso que pessoas aleatórias servem no meio da noite.” Caminhou até o minibar que ficava na área externa, como esperado, estava cheio, pensou no que poderia pegar, não era uma boa ideia dar mais álcool para a garota, então apenas pegou uma das garrafas de água. “Toma.” Ofereceu a ela. “As vezes ajuda com a ressaca.”
“Eu não tenho nada a ver com o que aconteceu, você acha mesmo que eu tenho tempo para cavar um buraco só para colocar meu nome dentro de uma caixa velha? Me poupe, conheço meios melhores de me tornar o assunto do momento.”
“Todo mundo sabe que é bem improvável que você tenha conseguido fazer esse trabalho quase perfeito, mas estava óbvio que você seria o próximo alvo, sua figura é um tanto... controversa. Nenhuma surpresa quanto a isso, mas você está mesmo preocupado com um papelzinho?”
“ ── Sem brincadeira, parece coisa de psicopata. Porra. Se deram o trabalho de cavar só para colocar uma caixa com nomes dentro. Cavar. ”
“Você ‘tá falando comigo, Coleman? Eu não poderia me importar menos com o que aconteceu e não tem nada de impressionante em cavar um buraco, mas você quem sabe.”
“Por um lado eu estou aliviada, não acho que Pohang ia gostar da minha carta de amor… seria um pouco constrangedor. Por outro lado estou bem preocupada com os nomes que saíram, algo me diz que serão os próximos alvos”.
“Ninguém nunca te disse que cartas de amor são péssimas ideias? E como você pode ter certeza que aquele blog também foi responsável por isso? Talvez tenha sido apenas alguém querendo causar tumulto e se aproveitar da fama deles.”
Seri andava por aí com um sorriso no rosto e a câmera em mãos, procurando seu próximo alvo para fotografar e colocar no post que faria em seu blog, contando sobre o evento. Foi então que avistou alguém próximo de si que parecia deveras interessante, não hesitando em se aproximar mais, mesmo sem saber ainda de quem se tratava. “Ei.” Cutucou a pessoa nas costas. “Posso tirar uma foto sua? É pro meu blog.”
Agradeceu silenciosamente a senhora quando finalmente chegou a sua vez de ser servido com o hotteok, não era muito fã de festivais, mas a comida fazia valer a pena. Estava pronto para dar a primeira mordida quando sentiu alguém o tocando, virou-se com uma cara de poucos amigos, mas seu semblante relaxou quando percebeu que era alguém conhecido. “Acho melhor não, nenhum dos seus seguidores querem me ver comendo.”
ᴺᴱᴼᴺ ᴺᴵᴳᴴᵀˢ ᴬᴺᴰ ᴶᴬᶜᴷˢᴼᴺ ᴹᴼᴼᴰᴮᴼᴬᴿᴰ @brini144
𝑻𝒉𝒊𝒔 𝒑𝒂𝒓𝒕𝒚 𝒌𝒊𝒏𝒅𝒂 𝒔𝒖𝒄𝒌𝒔
rachel:
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ.Ouviu atentamente à declaração do estrangeiro, imaginando como deveria ser frustrante cursar algo sem perspectiva alguma de seguir carreira na área. Mas no fim das contas o salário deveria compensar tudo, ela imaginava. ❛ ── E nem da sua universidade. Bebericou um pouco mais da bebida, com feições um pouco mais alegre do que quando entrou à sala ─ o soju deveria estar fazendo efeito rápido. ❛ ── Sou da Ehwa, faculdade de mulheres. Se perguntava como as colegas conseguiam lhe enfiar em festas como aquela, não lhe vinha à mente nem mesmo um evento que fosse exclusivo das estudantes de sua universidade. ❛ ── Sou uma quase designer de moda. Se apropriou da fala alheia, depositando a garrafa sobre o piano ao qual se apoiava.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ. ❛ ── Uma festa? Claro que não; vamos dizer que isso é um evento não-planejado. Animou-se com as reações do quase engenheiro ─ parecia que finalmente havia encontrado alguém que sabia como se divertir, afinal. Deu alguns passos até a janela, criando uma maior percepção do ambiente externo da casa enquanto acompanhava a linha de raciocínio do outro. ❛ ── Por favor, para quê seguir a linha 007 se podemos ir ao estilo Lara Croft? Talvez suas referências estivessem indo longe demais; novamente, efeito do álcool. Era perceptível o desagrado alheio quanto à uma das alternativas e a Choi compartilhava do mesmo pensamento, abaixando a cabeça para analisar o próprio vestido. ❛ ── C’mon, você acha que uma garota não está sempre preparada para qualquer situação? Uma pequena escalada com certeza não era o tipo de situação que imaginava ter de encarar ao sair de casa, os shorts protetores eram mais uma garantia de que não precisaria se preocupar com sua movimentação durante a festa ─ felizmente eles também calhavam muito bem àquela situação. ❛ ── Então, quê caminho seguimos até o muro? Esperava que o questionamento fosse o suficiente para demonstrar sua escolha, olhando-o de canto com o persistente sorriso de quem sabia que estava a ponto de infringir regras.
Era revigorante está na presença de alguém que compartilhava as mesmas opiniões sobre diversão, estava cansado do roteiro artificial que as festas dos amigos ricos pareciam seguir, estava ficando cada vez mais entusiasmado com a ideia, principalmente quando a ela havia escolhido a sua opção favorita. “Good, eu sempre fui mais fã da Lara Croft mesmo.” Deu uma piscadela para ela, não sabia se o uso das referências ocidentais haviam sido feitas conscientes, mas achara engraçado mesmo assim. Não sabia como ela estaria preparada para uma escalada, talvez ela não soubesse que o muro não era tão baixo. “Eu nunca duvidei disso.” Levantou as mãos de forma defensiva, mesmo que duvidasse, gostava da confiança dela e ele não era do tipo que pensava demais nos detalhes, poderiam improvisar quando chegassem lá. Se encostou na janela de forma que pudesse ver melhor por onde poderiam seguir, não precisou de muito tempo para perceber que a melhor opção que tinham era ir pelo lado de fora da casa, teriam acesso ao muro rapidamente e, se algum dos poucos convidados sóbrios percebesse a presença dos dois, apenas iriam acreditar que estavam indo embora. “Vamos pelo caminho mais óbvio, a porta da frente.”
“O dono da festa já deve estar em coma.” Comentou enquanto voltavam para o andar debaixo, conhecia Minwoo bem o suficiente para saber que ele não conseguia lidar com as próprias festas. “Ele nem vai perceber que alguém invadiu a piscina.” Atravessou a pequena multidão de pessoas que dançavam na pista improvisada, olhando para trás apenas para se certificar que garota ainda o seguia. Ainda existia alguns convidados do lado de fora da casa, porém, ninguém para impedir os dois de dar a volta e alcançar o muro de pedras que havia falado. “As damas primeiro.” Cruzou os braços, abrindo um pequeno sorriso presunçoso, esperando que ela tivesse entendido o desafio indireto que ele estava propondo.
sarang:
❪ ˙˖ 🎀 ﹗ . ━━ engoliu em seco e tratou de forçar uma expressão mais próxima de tranquilidade que conseguia. ser tão transparente era um problema gigantesco, às vezes. e a bae se obrigava a melhorar nesse aspecto. não havia problema algum com jian. sequer ela o conhecia bem. o problema, no fim das contas, era a própria sarang. que estava acostumada a temer pessoas ricas como ele por fazer seu pré-julgamento diante de todas elas e fugir delas como o diabo foge da cruz. ━━ brincadeira? qual parte? ━ fez-se de desentendida pois na maioria das vezes funcionava, soltando uma risadinha sem graça e forçada. a melhor opção era nunca discordar, apenas seguir o fluxo. ━━ só estou voltando pra casa, não há nada de suspeito nisso. e pedir desculpas é um hábito ruim que estou tentando melhorar, n-não se preocupe. ━ forçou uma tosse após gaguejar, buscando camuflar a vergonha. se deixar levar por seus sentimentos também era um hábito ruim que precisava melhorar. no fim, sarang tinha muito a melhorar, afinal. parou no meio do caminho após escutá-lo comunicá-la sobre todo o trajeto que fariam juntos. suspirou com pesar e agarrou o pingente de lua pendurado em seu pescoço, ansiosa. ━━ sinceramente? ━ perguntou, antes de caminhar alguns passos na direção do rapaz em um lapso de coragem. ━━ quer mesmo saber qual é o meu problema?porque eu tenho muitos. ━ a frase seria risível se não fosse tão verdadeira. os olhos não vacilaram por um momento sequer. estava séria. ━━ um deles é você. o meu prolema é você. você me deixa nervosa, ansiosa e não é de um jeito bom. na verdade, você me assusta. e me olhar desse jeito não tá ajudando. ━ soltou as palavras de forma apressada, quase se perdendo entre elas. não queria soar grosseira porque não era de seu feitio, apenas falava a verdade. uma verdade que deixara suas bochechas quase roxas de vergonha.
Parou de caminhar ao ouvir a confissão da mais nova, estava ciente que não tinha a melhor reputação, ainda assim não conseguia imaginar que alguém ali teria medo dele, podia ser um incômodo para os moradores que o lançava olhares tortos, mas pessoas que viviam em Pohang deveriam ter mais a temer do que um jovenzinho estrangeiro, certo? Pelo menos aquilo explicava o porquê de Sarang estar agindo tão estranho. “O quê? Eu assusto você?” Perguntou ainda incrédulo, havia escutado claramente o que ela havia dito, só não estava fazendo muito sentido em sua cabeça. “Yah, o que tem de errado com o meu jeito de olhar? Você também é estranha, mas você não me ver por aí reclamando.” Aumentou o tom de voz de forma inconsciente, cruzando os braços de forma defensiva, estava irritado com a situação, não havia feito nada de errado, pelo menos não naquele momento. Inspirou fundo e balançou a cabeça, tentando clarear seus pensamentos, se continuasse a agir daquele jeito só estaria dando mais motivos para ser temido. “Certo, agradeço a sinceridade.” Disse quando sentiu que estava mais calmo, porém, sem disfarçar a ironia de suas palavras. “Mas eu acho que não consigo entender o porquê, eu fiz alguma coisa para você? Se for o caso, eu não consigo lembrar, sinceramente.” Mesmo que aquilo estivesse o incomodando, não pediria desculpas por algo que nem se lembrava de ter acontecido, esperava que aquilo não passasse de um grande mal entendido, não gostava de acusações falsas. “Olha, pode acreditar no que quiser. Só porque eu não faço parte dos joguinhos de vocês, não significa que eu seja um monstro, apenas que eu tenho coisas mais importantes para pensar.” Deu de ombros, não se importava com o que os outros achavam, talvez deveria aproveitar e ser mais assustador mesmo, pelo menos poderia evitar conversas como aquela quando apenas estava tentando ser amigável. “Tanto faz, eu não ligo.”
Por Deus, aquilo não tinha como piorar, ou será que tinha? Sora no entanto não queria pensar nas possibilidades negativas, e sim nos pontos positivos daquela “companhia inesperada”; mas não havia ponto positivo. A garota que já tinha um tom de pele claro pela falta de tomar um sol de vez em quando, agora tinha a certeza de que estava mais pálida do que o normal. E era só ladeira abaixo pensar que poderia, em algum universo paralelo, ser reconhecida por Jian. Um grunhido baixo escapou a garganta dela e mesmo sem ter para onde fugir os ombros se encolheram e Sora desviou o olhar, focando sua atenção em qualquer ponto aleatório que não fosse a figura mais velha na primeira fucking fileira do auditório. — É um violoncelo. — Apesar do tom de voz baixo, a garota parecia quase ofendida por Jian ter confundido os instrumentos. Primeiro porque se estivesse com um violino nos braços dificilmente conseguiria se esconder do rapaz, segundo que, bom, o violoncelo não ficava em casa justamente porque ele era quase tão grande quanto à própria Sora, e ela não tinha exatamente um porte físico atlético para carregar o instrumento gigantesco até a sua casa. Adoraria, mas era uma tarefa inviável; e de certa forma um jeito de tirá-la de dentro do quarto todos os dias.
— Por que seu rosto está inchado? — A morena ignorou a pergunta, rebatendo com outra, alternando entre observar o machucado alheio e o instrumento que tinha nos braços, enfim, desistindo de tocar. Já tinha receio de tocar sozinha e ser escutada, agora que tinha de fato alguém a observando tão de perto Sora teria menos coragem ainda de fazer qualquer coisa. Uma das mãos fora erguida à gola da camisa preta que estava começando a sufocar por ter mantido os botões muito bem presos até a altura de seu pescoço, e apesar de ter espaço suficiente para ela colocar dois dedos para dentro da gola, e assim descansar um dos botões, a respiração parecia alta demais nos próprios ouvidos, o nervosismo refletindo mais do que o normal no suor das mãos.
“Você tem certeza que está bem?” Perguntou com certa preocupação, era um truque da luz do lugar ou ela parecia está ficando mais pálida? A última coisa que precisava lidar era com alguém passando mal quando ele era o único na sala para ajudar. “Certo, violoncelo. Vou anotar aqui.” Apontou para a própria cabeça, não achava que alguma coisa havia mudado em sua vida após descobrir o nome verdadeiro do instrumento, mas parecia ser algo importante para a garota, então tentou fazer pelo menos algum esforço para lembrar. Esperou que ela respondesse a sua pergunta, estava realmente curioso com o porquê de ter sido ignorado, isso quase nunca acontecia, mas a pergunta também foi ignorada, o que fez com que ele começasse a acreditar que talvez não fosse alguém tão memorável assim para Sora, mesmo que morassem no mesmo condomínio, não era um problema, ele também não lembrava de todo mundo de lá. “Isso? Não foi nada.” Deu um pequeno sorriso para demonstrar que estava bem, porém, o sorrisinho virou uma careta de dor que ele tentou disfarçar rapidamente. “Um pequeno soco, você deveria ter visto como ficou o outro cara.” A mentira saiu naturalmente, o fato que não havia nem chegado perto de bater no outro não era algo que o mundo precisava saber, seria péssimo para sua reputação, por outro lado, duvidava que a caçula dos Kwon fosse do tipo que sairia espalhando fofocas, principalmente sobre algo tão trivial quanto aquilo. “Ele está muito melhor que eu, talvez porque eu fugi depois do primeiro soco.” Falou rapidamente e deu de ombros como se não fosse algo importante, resistindo a vontade de fazer uma careta para toda a situação, por que tinha que falar a verdade mesmo? Voltou o seu olhar para o palco e, consequentemente, para Sora, franziu o cenho ao notar que ela ainda parecia estar nada bem. “Eu não quero parecer repetitivo, mas eu não acho que você esteja bem.” Abandonou o seu lugar na primeira fileira e subiu no palco com a intenção de ajudar, sem pedir licença, pegou o instrumento pesado das mãos alheias, torcendo para que não acabasse quebrando sem querer. “Eu guardo isso para você, foque apenas em respirar direito, okay?”
got caught giving a fuck. embarrassing.
𝑰𝒏𝒔𝒐𝒎𝒏𝒊𝒂
ahryung:
⊱ ˙ 💐 ៹ . —— o silêncio por parte de ahryung serviu para assimilar o que acabara de escutar. não era de difícil compreensão. ela mais do que ninguém sabia que todos ali tinham os seus segredos, alguns mais que outros, até. logo, não era nada de novo tudo o que ele estava a contando. porém, as ideias que rondavam sua cabeça eram mais interessantes. o que será que ele escondia de tão sério? ele estava mesmo falando a verdade ou era só uma forma de fazê-la contar o que estava escondendo? analisou seu rosto, séria e direta. não estava com tempo para mais joguinhos àquela noite. ele parecia dizer a verdade, embora ainda estivesse fazendo um jogo de omissão a qual moon conhecia bem. não iria julgá-lo, faria o mesmo em seu lugar. era espeto por não confiar em ninguém, mas estava visivelmente tão ferrado quanto a morena. ter segredos àquela altura do campeonato, era uma fraqueza que não se permitia deixar ser utilizada contra si em hipótese alguma. —— acho que posso concordar. o pior é quando os seus segredos influenciam a vida de outras pessoas. — assentiu, balançando a cabeça conforme divagava em pensamentos. estava falando de si mesma. sobre o quanto a vida de seus pais e irmãos estariam arruinadas junto com a sua no fim das contas. não era de sentir culpa por suas próprias escolhas, mas agora elas pesavam em seu ombro. não era tão digna quanto pensava, afinal. —— eu, particularmente, não ligo para um infeliz qualquer com um blog de quinta. não sei onde eles pretendem chegar revelando tanta baboseira sobre pessoas que sequer nos importamos de fato. — deu de ombros, indiferente. focando o olhar em um ponto a sua frente. o coração se enchia de uma sensação ruim que odiava sentir mas que não podia evitar. aos poucos, se sentir assim, começava a se tornava recorrente. ahryung tinha vontade de chorar, mas jamais o faria diante dos olhos de outra pessoa. —— eu pensava que era irredutível. que ninguém poderia me fazer temer por nada porque o meu foco sempre fui eu mesma. mas agora vejo que não. cometi erros que são irreparáveis. contra mim mesma, contra as pessoas que amo. perdi pessoas que amo por conta disso. isso me fez ver que não sou tão forte quanto eu pensava. — disse as últimas palavras em um tom mais baixo, não era a sua intenção ser tão sincera ou dizer todas as suas verdades de uma forma maquiada. mas o teor de álcool no seu sangue poderia ser parcialmente culpado por isso. se virou para jian e os olhos transbordando sinceridade o encararam sem jeito. —— você consegue me entender?
A sinceridade tão repentina dela fez com que ele pensasse que talvez ela tivesse precisando conversar com alguém tanto quanto ele, por isso, tentou prestar o máximo de atenção no que ela dizia. Mesmo que todos acreditassem no contrário, Jian não conseguia se considerar uma pessoa egoísta, poderia estar vivendo uma vida muito melhor na China sob as asas do seu pai, mas havia preferido se sacrificar em nome da mãe morta, duvidava que alguém egoísta faria o mesmo, porém, ainda assim conseguia entender o que Ahryung estava sentindo quando dizia que havia percebido que não era tão forte, ele já tinha se sentindo assim. “Acho que sim, mas eu acredito que não há problema em não ser tão forte quanto pensa, ninguém realmente é.” Falou depois de algum tempo em silêncio, esperava que não estivesse parecendo um livro de autoajuda. “Todo mundo já se imaginou invencível, quando cheguei na Coréia eu realmente acreditava nisso, mas todos tem fraquezas, principalmente quando se trata das pessoas que amamos.” Massageou a parte de trás do pescoço, não estava acostumado a falar tanto sobre si. Havia tido uma época que acreditou mesmo que estava livre, porém, a sua própria mente havia lhe traído e o feito prisioneiro de suas ideias, não era como se pudesse falar sobre isso sem contar diretamente seu segredo, preferiu então voltar a focar na confissão da garota. “Você pode ter feito coisas irreparáveis para quem ama e nunca consiga recuperar o que perdeu, mas pelo menos você está admitindo isso, deveria te ajudar a se tornar alguém melhor.” Olhou para ela, querendo ter certeza de que estava entendendo o que ele estava dizendo, mas então pensou no quão falso aquele discurso sobre ser uma pessoa melhor parecia para ele mesmo, ele não havia se tornado uma pessoa melhor ao reconhecer o seus erros, apesar que era aquilo que as pessoas esperavam que falasse naquela situação. “E se isso não te tornar uma pessoa melhor, bem, talvez não exista vantagem em ser alguém melhor já que o passado não pode ser mudado, é tudo uma questão de ponto de vista, entende?” Inclinou o corpo de forma que pudesse olhar as estrelas, não conseguia identificar nenhuma das constelações, mas era bom olhar para elas mesmo assim, principalmente quando se sentia tão pensativo quanto agora. “Resumindo tudo o que eu falei: parabéns por ter percebido que é humana.” Concluiu com uma ponta de humor, levantando a mão em um sinal positivo, na esperança que aquilo fosse o suficiente para melhorar a atmosfera do lugar.
jin:
Não fazia ideia de quem se tratava, o fato de não conseguir distinguir as pessoas não facilitava muito na hora de ler as emoções alheias também, então só lhe restava ouvir com atenção e ao que parecia o rapaz não estava exatamente feliz com o qual fosse o ocorrido ali. “Infelizmente não sou mecânico, já estudei um pouco sobre mecânica para escrever um drama, mas não sou apto a dar qualquer veredicto sobre seu carro. Se fosse a bateria, poderia tentar ajudar, mas não acho que seja… Também não tenho uma oficina mágica, mas posso lhe oferecer uma carona até sua casa ou até a mecânica mais próxima, também posso lhe fazer companhia caso precise chamar um reboque e não queira deixar seu carro sozinho na estrada…” Moveu os ombros suavemente e colocou as mãos dentro dos bolsos da calça, Woojin não poderia fazer muito pelo outro, mas tentaria ajudar. Aparentemente nenhum dos dois tiveram um bom dia ou talvez fosse apenas sua imaginação fértil que tentava justificar a irritabilidade do outro.
Não é como se esperasse uma resposta positiva vinda do desconhecido, seus problemas, infelizmente, não iriam se resolver magicamente só porque ele estava tendo um péssimo dia e um estranho havia parado para ajudar. Mesmo assim, não conseguiu evitar um suspiro de pura derrota. “Não é como se eu esperasse que você conseguisse.” Voltou para seu próprio carro e fechou o capô, não iria perder mais tempo tentando olhar aquilo. “Nah, o carro vai ficar bem se ficar sozinho e eu ‘tô sem paciência nenhuma para esperar o reboque, vou ficar com a carona. Sabe onde fica o Pohang Residential?” Pegou sua mochila no banco de trás e, sem cerimônia nenhuma, se dirigiu até o carro do estranho, esperando que ele entrasse no carro para poder fazer o mesmo. “Dramas, você escreve eles? Parece um trabalho chato, quer dizer, não é algo tão difícil assim, dá pra se escrever qualquer porcaria e colocar um rostinho bonito para interpretar e eles vão amar, certo?” Comentou quando o outro começou a dirigir, queria apenas preencher o silêncio e não prestava muita atenção no que estava dizendo, ocupado demais com a mensagem que enviava para o falso pai. “Não entendo a obsessão com isso.”
hyejin:
As respostas do desconhecidos só trouxeram a Hyejin um sentimento maior do que o usual de desconforto. Quem era ele para julgar o quanto ela havia visto algo ou não? Quem era ele para sequer ter a ousadia de afirmar que aquilo realmente a surpreendia? Tudo bem que sim, a incomodava, a chocava, mas não por não ter visto muito daquilo acontecer, apenas pelo fato de não querer voltar a se lembrar do que acontecia em seu passado. A jovem não queria reviver em sua mente os momentos em que ela fora uma das culpadas para alguns outros alunos saírem tão machucados quanto o outro que ali também estava presente, mas não podia simplesmente entregar seus motivos. Existia a curiosidade também de toda forma, e usaria aquilo como sua forma de desculpa até o fim, mesmo que se sentisse irritada com a situação.
No entanto no fim das contas, nada saia da boca da menina. Continuou apenas encarando o pacote que tinha em mãos, até ele ser tirado sem muita cerimonia - ou educação. “Ei!” Levantou o olhar, surpresa por estar sendo literalmente roubada na cara dura, pelo menos até ouvir o que mais ele tinha para falar. Não era orgulhosa a ponto de responde-lo como ele parecia achar que responderia, porém não estava acostumada com pessoas agindo daquela forma ao seu redor, muito pelo contrário. Estava apenas confusa, provavelmente mais confusa que um cego em tiroteio. Continuou o encarando com a sua melhor expressão de interrogação, mesmo quando ele lhe devolveu o pacote pago. “Você é louco assim mesmo normalmente ou andou usando drogas?” O tom era bastante calmo, por mais que estivesse claro na voz a sua confusão. Não entendia nada, no entanto, abriu o pacotinho e antes de dar alguma mordida, olhou para as bebidas na mão dele. “Se você andou usando drogas, eu não acho que um refrigerante vá te ajudar muito, devia ter comprado alguma comida mesmo.” Ofereceu o que ele tinha comprado, não sabendo se naquele momento estava tão louca quanto, se era apenas um reflexo da sua personalidade sociável ou se era alguma reação estranha do seu aborrecimento. “Eu não gosto de comer sozinha.”
Gargalhou com a ideia de que seu problema poderia ser por causa de drogas, então era isso que pensavam quando viam ele assim? Não podia estar mais enganados, ele era melhor do que isso, o Senhor Zhao sempre falava isso durante seu tempo ensinando Jian, mas talvez devesse dar um pouco de crédito para a teoria dela, realmente não estava no seu melhor momento. “Eu não uso drogas.” Respondeu dando de ombros, a garota parecia mais nova que ele, sentia-se na obrigação de acrescentar algo sobre o assunto, não podia ser uma péssima influência. “Diga não as drogas ou algo assim.” Tentou se recordar de algum slogan das campanhas anti drogas, porém não era como se prestasse muita atenção nelas. Olhou para o refrigerante como se só agora lembrasse o porquê de ter comprado aquilo, pressionou a lata próximo ao olho machucado, alguns poderiam dizer que gelo seria mais eficiente para isso, ele pelo menos poderia aproveitar o refrigerante quando terminasse. “Eu tenho tanta cara de drogado assim? ‘Tô começando a ficar ofendido.” Aceitou o salgadinho que ela havia oferecido, não estava realmente ofendido, curioso talvez com o fato de já lhe associarem a alguém que usa drogas, os usuários que ele conhecia não pareciam nada consigo. Sentou-se em uma dos bancos próximo a janela, esperando que a estranha fizesse o mesmo, afinal, ele ainda estava com o pacote de salgadinhos na mão. “Então, o que te traz aqui? Não está muito cedo para comer besteiras como essa?” Se considerava péssimo quando se tratava de iniciar conversas, preferia ignorar as pessoas ao seu redor, mesmo que isso fizesse ele ser considerado mal educado, mas seria muito estranho se apenas comesse em silêncio. Enquanto esperava a resposta, tratou de começar a se livrar do sangue em seu rosto, Jiali provavelmente o mataria se ele chegasse na mansão dos Liu daquele jeito. “Acho que metade da cidade ainda está dormindo e eu estaria fazendo a mesma coisa se não tivesse que resolver esse pequeno problema antes.”