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@porquantos
É uma experiência adversa ler as entrelinhas e obviedades do meu eu passado. O lado cômico (porque, sim, ele está muito presente) reside no fato de achar, na época, que eu estava constantemente à beira do precipício a cada decisão errada e a cada tropeço que eu levava no caminho vida à frente. Ouvira muitos adultos falarem sobre a intensidade com que vivem os adolescentes e, hoje, sendo uma recém-adulta rs, percebo a veracidade das alegações. O mundo não acabou, por fim. Continuei existindo, melhorando em vários aspectos. Não morri pelo amor tortuoso de outrem - e olha que eu achei que morreria assim por incontáveis vezes! O lado cômico está aí. Já a faceta um tanto quanto lamentável vem do modo como eu me crucifiquei, anos a fio, por situações que não estavam sob minha alçada. Percebo que sempre tomei a culpa sem questionar: eu era a razão porquê tudo sempre dava errado. Hoje, obviamente, gostaria de dar uns bons conselhos para o eu distante. "Distante" (insira um sorriso irônico e um pouco tímido aqui). Tenho apenas 19 anos. Mas se os rumos da vida podem embaralhar-se em frações de segundos, o que alguns anos não são capazes de moldar? Retomando o raciocínio, fico imaginando se hoje ainda me culpo por coisas fora do meu controle. Será? Com a visão atual que tenho, imagino que não. Me tornei mais racional e sensata. Mas o eu do futuro pode voltar a escrever e rir, novamente, do vendaval que armo por puros acontecimentos efêmeros. Enfim. Acrescento que não me agrada muito lembrar de como já fui. Não me orgulho de mim, não gostaria de me ter como irmã ou como filha. O "eu" do passado, digo. Parece que tudo ao meu entorno cheirava à morbidez, à melancolia. Era péssimo viver dentro de mim. Felizmente o tempo passa e, portanto, posso alegar que hoje estou um pouco melhor comigo mesma.
Me perguntei por algum tempo se escrever realmente me fazia bem. Certamente nunca materializei a pergunta, já que há quase um consenso de que muito da essência de uma ideia se perde quando tentamos traduzi-la em palavras - é mais ou menos, dizem os tradutores, como tentar realocar uma expressão afegã para o português. O simples questionamento me afastou do ato de escrever. Ato que foi meu maior e, algumas vezes, único companheiro das ressacas morais. Meu refúgio em tempos de indecisões que não deveriam existir. Será que isso é mesmo tão característico do ser humano? Repudiar algo que porventura lhe traga lembranças dolorosas, a despeito de ser o remédio pras certas aflições? É fato que ações boas caminhem contiguamente a ações maléficas. Bem e mal não são como água e óleo - li isso em algum livro, porém no momento não me lembro qual. A abstração do mal e do bem me atormentam assiduamente. Quero dizer, é muito mais fácil quando tudo está materializado, pronto para ser absorvido. O problema reside quando as coisas tomam nuances oníricas, as quais minha percepção de mundo não logra compreender muito bem. Engraçado falar dessa forma de mim mesma: sou minha melhor amiga e, também, minha maior incógnita. Não creio que eu seja especial por isso. Mas escrever talvez me torne especial novamente aos meus olhos. Isso parece bom.
Voltando às origens: quem sabe? Outro dia li que boas histórias escritas nascem mais do suor que de qualquer outro meio (que tal mais um café?). Bom, eu sou a mesma pessoa de 5 anos atrás. Até na aparência, há rumores. Como de costume, passei por algumas mudanças interiores. Tã0 raras que diria imperceptíveis. Ainda ando deprimida pelos cantos, vestindo uma armadura de pessoa insensível e durona. O engraçado é que se me pedissem antônimos da minha personalidade, eu diria exatamente insensível e durona. Prosseguindo o monólogo, acrescento que os fatos sempre serão traiçoeiros. Desde que me tornei gente, escolho um alguém totalmente por acaso. E a esse alguém entrego todo meu eu. Mesmo que o tal "todo" seja totalmente podre. O grande problema foi que em meio a bagunça em que me encontrava - porque é desorganizado ser de alguém -, esbarrei com o melhor refúgio que já me apareceu. E, meu deus, como era bom aquele refúgio. Me derramei inteiramente (antes disso foram só preliminares). Podia contar meus conflitos sem me sentir idiota. Hoje me sinto muito idiota. Podia chorar sem explicações aparentes e ainda ouvia um "eu tô aqui com você, tá tudo bem". Ah, era música pros meus ouvidos. Um sonho doce e possível. Eu quis machucar meu corpo, mas aquela proteção de amor acalmava meus demônios. E daí eu voltava a me amar, com meu perdido sorriso irradiante. Deixei-o cair em meio à turbulência de mudanças repentinas. Contentação é a palavra. A gente se apega às lembranças e se contenta com o que sobrou, mesmo que machuque. Agora busco apenas concentração pra aplicar leitura nas minhas veias. Pagaria por isso se possível fosse.
J.O.
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Nem sempre o que você acha que precisa é o que você realmente merece.
Hiago Gomes. (via insentimental)
Disse que ia dormir. Fui para a cama com um punhado de livros, uma xícara de chá, e alguns cigarros. Eu queria alguém ali que pudesse ler para mim, alguém que dividisse o chá comigo, ou alguém para me dizer. “Não fume.” Me acostumei com aquelas noites. Com a falta daquele alguém. Alguns vazios tornam-se parte de nós.
Orquestrando. (via persistencias)
Pediram para ela escrever sobre o amor. No final de cada parágrafo, só havia dor.
Ilusões de Esther. (via adesejar)
Inseguro demais pra ser o porto seguro de alguém.
Cicatrizeis. (via persistencias)
Será que algum dia vamos andar de mãos dadas pelas ruas?
Trechos de uma Carta. (via persistencias)
Vou ficar bem. Fico feliz que ela esteja feliz, fazendo uma outra pessoa feliz.
It’s a Metaphor (via ortografar)