pr-jay:
Não sabia se o problema estava em si, se era tão diferente assim da maioria, mas não achava possível ver algo como aquilo e ficar quieto. Só não tinha feito nada drástico para não prejudicar o emprego de ambos, mas faltava um fio de cabelo no chão para ir atrás daquele imundo. Deixou um beijo demorado conta o topo da cabeça alheia ao tê-la em seu ombro, apoiando uma das mãos sobre a coxa de Kangi. — Eu quase esbarrei em você de propósito, pra errar o traço. Mas aí pensei na merda que ia dar e deixei pra lá. — Talvez os anos vivendo em outro país o tivessem deixado tão mente aberta, ou só via o quanto aquilo era errado mesmo.
O olhar seguiu até a mesa onde o porco estava e nunca desejou tanto ter raio laser nos olhos para queimar aquele papel. — Tem gente que não tem noção mesmo. — Apanhou aquilo só pra ter o prazer de picotar e jogar tudo fora, já que a reação de Kangi deixava claro que ela não estava interessada naquilo. Ew. Lhe dava até arrepio a mera menção daquela possibilidade. Os anos em outro país também lhe deixaram um idioma a mais, e os palavrões na língua latina saíram sem parar até perceber o xilique que estava dando por algo idiota. Quer dizer, a falta de respeito e o abuso não eram idiotas, mas o bilhete sim.
As mãos passaram a massagear a panturrilha da loira com lentidão, mas o afundar dos dedos talvez fosse demais. Por isso parou o que fazia e se levantou, parando diante da garota quando se curvou sobre ela e lhe tomou um beijo rápido. — Eu vou lá pegar a bebida, relaxa aí. — Exibiu um sorriso largo em seguida, não esperando resposta antes de sair do estúdio que dividiam. Seu trajeto tinha demorado mais do que o previsto, mas a cara deslavada de quem tinha aprontado estava lá quando retornou para o local onde Kangi estava, de punhos vermelhos e uma garrafa de soju em cada mão. — Voltei, amorzinho. Sentiu minha falta?
Ria nasalmente toda vez que seus olhos encontravam os pedaços picados do papel no chão, somente visualizando os números cortados no meio, um pouco impossível de juntar os pedaços. Não que faria isso, já estava cansada de homens não interessantes a jogando cantadas e bilhetes desnecessários, ainda bem que tinha Jaehyun ao seu lado, mesmo sabendo se defender muito bem. Mas tinha que dar o credito para ele, já que deixava tudo mais divertido. Estava quase fechando os olhos com a massagem de Jaehyun em sua panturrilha, qualquer forma de relaxamento depois de ficar horas inclinada fazendo uma tatuagem já era delicioso por si só. Acabou resmungando com a distância dos dedos do amigo que logo encerrou a massagem e se levantou. Recebeu o beijo de bom grado, sentindo os lábios ainda quentes de Jaehyun, e sorriu ao perceber que ele realmente iria pegar a bebida.
Assim que o garoto saiu do estúdio, Kangi tirou do bolso traseiro da calça apertada vários bilhetes com números de caras diferentes. Se ganhasse um aumento para cada bilhete que recebia, Kangi seria a mulher mais bem paga do Lights Night. Acabou rasgando todos de uma vez e jogando na lixeira mais próxima, não iria usar eles, e nem precisaria depois, conseguia um homem ou uma mulher na hora que quisesse. Jaehyun voltou depois de longos minutos, e Kangi até mesmo pensou que o garoto tinha encontrado alguém e estava transando por aí, antes de o ver passar pela porta. Tinha algo errado nele, e Kangi podia sentir isso de longe, conhecia Jaehyun como a palma da mão e sabia muito bem quando tinha acontecido algo. Bastou somente uma rápida olhada para os papeis picados no chão e o punho vermelho do mais velho para ligar todos os pontos e perceber o que tinha acontecido. “Você não bateu muito nele, bateu?”, perguntou rindo enquanto se levantava para pegar a garrafa de soju da mão do maior, abrir, e tomar um longo gole. “Se for bater em todo mundo que já deu em cima de mim, vai brigar com metade de Hannabyul, ou até mais”, se aproximou do mais velho jogando os braços bronzeados ao redor de seu pescoço, o puxando para mais perto. “Dá próxima vez me chame para ir junto, vou adorar dar um chute no saco de alguém”.













