Fluxo de Experiência - Jarumã
Localizado na R. Siqueira Mendes, entre R. Padre Champagnat e Tv. Félix Roque, Porto Jarumã possibilita viagens para Abaetetuba, Igarapé-Miri, Moju e Barcarena. Por conta de suas cores saturadas e vibrantes - Verde e Laranja, o porto se destacou no nosso primeiro contato visual. É inegável não compará-lo ao primeiro porto visitado pela nossa equipe: Porto Arapari. Esse choque se deve a estrutura física dos dois portos, o primeiro é amplo e fluído já o segundo possui uma parede no meio do seu espaço o que impossibilita a entrada de luz natural, tornando o local mais escuro e menos arejado.
Esta organização nos fez sentir local menos aconchegante e consideravelmente pela má circulação da ventilação que torna o espaço incomodo – é impossível, principalmente em Belém, no início da tarde ficar por muito tempo em altas temperaturas somado a grande número de pessoas.
Por outro lado, Jarumã possui um indicação de sistemas de organização melhor. Este, é totalmente sinalizado o que permite uma exploração melhor pelos visitantes, mesmo aqueles que nunca foram ao local anteriormente, como nós. Muito se destaca por, na entrada e do lado esquerdo, ter uma venda muito parecido com as antigas "tabernas" que eram bem comuns no estado e ainda presentes nos interiores.
Para uma melhor pesquisa, conversamos com os funcionários para facilitarem e autorizarem a nossa entrada na área de embarque e no barco que havia a pouco tempo atracado. Dois funcionários se mostraram extremamente receptivos e alegres ao ponto de nos contagiar beneficamente.
A partir dali, nossos olhos se aterão a todos os detalhes do espaço. A priori percebemos que toda estrutura arquitetônica da área de embarque é completamente de madeira e visivelmente fora restaurada recentemente. Ao contrário do restante do porto, o trapiche tem uma estética sóbria composta por cores escuras e pouco contrastantes, também ali se observa lixeiras de coleta seletiva, vendedores de pequenos artigos regionais (brincos, colares, pulseiras, chaveiros e etc.) e lanches rápidos.
Andamos várias vezes de uma extremidade a outra, até que reconhecemos os arredores como locais de festas muito conhecido e frequentados na cidade. Porém, infelizmente, o grande acumulo de lixo gerado por esses locais ficam estagnados às margens do rio além dos resíduos de construção do próprio porto onde estávamos. Todo esse complexo de descarte gerou grande angustia imediata ao ser observado, ficou notável que ali existia descuido com o tão belo rio.
Para nossa surpresa, quando já havíamos decido encerrar a visita, um dos funcionários qual tínhamos conversado no início do dia, nos convidou a conhecer o interior da embarcação dizendo “Fiquem à vontade só se atentem ao apitar da sirene, pois esta indica que iremos zarpar”. Sendo assim, primeiro observamos algumas pessoas entrar no barco. Uma senhora e uma criança apresentaram dificuldade no percurso devido ao balanceio do mar e o espaçamento entre a prancha e o borda do barco.
Entramos saltitantes de alegria e empolgação. Ali circulamos todo o interior e dois andares da embarcação. Notamos que a realidade das estruturas do interior deste era improvisada: frigobar acorrentado para não se deslocar, cadeiras muito similares às escolares soldadas ao chão serviam de acento e etc. Mas, à primeira vista, as pessoas não pareciam se importar com esta realidade interna.
Não muito custou para a sirene a qual esperávamos tocar e assim nos retiramos do barco já avistando uma enorme “nuvem de chuva”. Observamos o desatraque da embarcação e suas dificuldades. A prometida chuva caiu neste instante e passageiros e funcionários rapidamente estenderam sobre as laterais lonas azuis para a proteção da garoa.
Antes de partir, experimentamos passar pelo percurso de embarque novamente, mas desta vez com a superfície molhada – que deve ser bem comum já que na cidade chuvas são constantes, e a falta de atrito no solo foi inesperada.
Desta forma, foi encerrada a exploração do dia. Muito se levou de informação e experiência deste dia. Ali nasceu a vontade de voltar para desenvolver um trabalho gratificante.