Morfologia - importantes características externas part. I
Após apresentarmos as mais variadas ordens e espécies de tubarões em nossos posts anteriores, falaremos um pouco sobre características morfológicas externas, algumas, fundamentais para a diferenciação entre ordens.
Os tubarões apresentam um padrão geral de corpo fusiforme, bem adaptado à natação no meio líquido. Algumas espécies, no entanto, não obedecem rigorosamente este desenho como os tubarões da família Squatinidae (os chamados cações-anjo) que possuem o corpo achatado dorso-ventralmente como o das raias (Fig. 1)e os tubarões da família Chlamydoselachidae (tubarões-cobra) que apresentam um corpo alongado como o de uma serpente com nadadeiras (Fig.2).
Fig. 1 - Cação-anjo 'Squatina californica' Fonte: Sea Pics
Fig. 2 - Tubarão-cobra 'Chlamydoselachus anguineus' Fonte: ARKIVE
As espécies da ordem Carcharhiniformes possuem uma membrana opaca protetora (membrana nictitante) que fica retraída e se move para cobrir os olhos rapidamente em situação de impacto mecânico ou luminosidade (Fig. 3).
Fig. 3 - Grande tubarão-martelo 'Sphyrna mokarran' com detalhe para membrana nictitante Foto: Sofia Graça Aranha
Tubarões da ordem Lamniformes não possuem membrana nictitante, porém o tubarão-branco (Carcharodon carcharias) apresenta hábito parecido com os Carcharhiniformes protegendo seus olhos nestas situações, mas o faz virando seu globo ocular pra dentro deixando à mostra a parte de trás do seu olho (Fig. 4), o que leva as pessoas à uma certa confusão em relação à presença ou ausência da membrana.
Fig. 4 - Flagrante de predação não natural de um tubarão-branco 'Carcharodon carcharias', detalhe para o olho. Foto: Pinterest.
Tubarões podem ter de cinco a sete pares de fendas branquiais, sendo que a ordem Hexanchiformes possui seis ou sete de cada lado da cabeça (caractere que os diferencia das demais ordens). A posição lateral das fendas branquiais é quase uma regra entre os tubarões (Fig. 5), embora no caso dos cações-anjo (família Squatinidae) estas fendas se posicionem látero-ventralmente.
Fig. 5 - Detalhes das fendas branquiais em um tubarão-baleia. Foto: Raquel Rossa.
Normalmente há a presença de duas nadadeiras dorsais nos tubarões. Os tubarões da ordem Hexanchiformes possuem apenas uma nadadeira dorsal (Fig. 6).
Fig. 6 - Tubarão-seis-guelras 'Hexanchus griseus'. Foto: Andy Murch.
O par de nadadeiras pélvicas, situadas próximas à cloaca, abriga os órgãos copuladores (os pterigopódios - clásperes) em todos os Chondrichthyes machos (Fig. 7). As fêmeas não apresentam nenhuma modificação estrutural nas nadadeiras pélvicas, de forma que este caráter determina externamente a distinção sexual entre os indivíduos.
Fig. 7 - Detalhe para mixopterígios em um tubarão-branco. Foto: Sea Pic.
A nadadeira caudal apresenta um lobo superior normalmente maior que o inferior. Alguns tubarões, como os tubarões-raposa (família Alopiidae), apresentam o lobo superior extremamente desenvolvido, correspondendo aproximadamente à metade do comprimento total do corpo (auxilia na obtenção de comida). Já muitos tubarões da ordem Lamniformes (especialmente a família Lamnidae) possuem os dois lobos com tamanhos aproximadamente iguais, com aspecto de lua crescente (Fig. 8).
Fig. 8 - Nadadeiras caudais em algumas espécies de tubarão. Foto: Pixgood
A nadadeira caudal tem vital importância na propulsão do corpo, sendo que o padrão básico de natação dos tubarões se dá por movimentos ondulatórios laterais do corpo, com auxílio do conjunto de musculatura lateral e das nadadeiras, principalmente a caudal.
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