“Mas geralmente é possível prever a presença deles, com a temperatura da água, essas coisas. De qualquer jeito, tem certas áreas que sempre possuem avisos, então o mais certo é evitá-las” comentou, de maneira divertida. Aquele conhecimento era tão simples para alguém como Logan, que vivia grande parte de sua vida na água, que explicá-la para alguém chegava a ser cômico. A explicação do filme o instigou; sinceramente, o Flynn não havia prestado atenção o suficiente para perceber algo daquilo. Estava com medo demais. Imaginava que, se naquele momento estivesse dentro de um desenho animado, uma lâmpada acenderia acima de sua cabeça. “Isso é… interessante. Qualquer dia desses poderíamos rever, só para eu tentar entender melhor. Ainda sim, tive vários pesadelos com aquele palhaço demoníaco. Só de pensar nele…” sua frase acabou incompleta, dado o arrepio que interrompeu o moreno. Ele realmente não era a melhor pessoa para sair assistindo filmes daquele gênero. O barulho das pipocas estourando no microondas era de certa forma reconfortante, e assim que percebeu que todas já estavam prontas, tirou o saco antes mesmo do tempo configurado acabar, quase queimando seus dedos ao abrir o saco e colocar seu conteúdo em um pote grande o bastante para os dois. Com a boca um tanto cheia, acabou respondendo, enquanto caminhava em direção ao sofá: “É. Chega a ser estranho, porque eu geralmente falo com todo mundo. Mas as vezes isso acaba sendo um problema, porque eu acabo não conversando de verdade com ninguém” ok, ok, aquilo era meio profundo demais, porém não deixava de ser verdade. Para Logan, a vida parecia ser feita de relacionamentos rasos. “Quer?” ofereceu o pote em direção ao outro.
“Vou tentar me lembrar disso da próxima vez que pensar em entrar na água.” Afirmou, como um agradecimento pelo conhecimento repassado. As palavras alheias fizeram com que Key soltasse uma risada, negando com a cabeça logo em seguida. “É um filme muito complicado, ele fica melhor explicado no segundo. Mas o livro é meio doido também, tem até uma orgia infantil, é a coisa mais perturbadora que eu já li.” Soltou um suspiro, lembrando-se do quão incomodado se sentira lendo tudo aquilo. “Mas eu entendo. Aquele palhaço é uma coisa bem bizarra mesmo, e o filme dá bastante susto, no final das contas.” Dera de ombros. Não era o filme de terror mais assustador que havia visto em toda a vida, mas era bom o suficiente para que valesse o valor do ingresso do cinema. Observou com olhos famintos a pipoca saindo do microondas, e em seguida, voltou a caminhar para o sofá, sentando-se e afundando no almofadado azulado. “Acho que a maioria de nós é assim. Quer dizer, eu tenho vários amigos e pessoas com quem eu converso, mas são muito poucas as pessoas com quem eu realmente tenho conversas significativas.” Murmurou, pegando um pouco da pipoca e colocando na boca.