{Flashback} SO WHAT IS WRONG WITH ANOTHER SIN || Ronan & Adeline
Os anos oitenta chegaram com grandes mudanças, avanços tecnológicos, dentre outras coisas que Ronan via com grande curiosidade e respeito, porém, se havia algo que o vampiro desprezava com todas as forças era a moda daquela época. Os anos oitenta foram uma agressão à visão de Ronan quando se falava de vestuário. Para um vampiro que permaneceu com a mesma roupa com a qual foi transformado por pelo menos vinte anos, ver todas aquelas cores e cortes diferentes era para o jovem vampiro uma coisa completamente ridícula. Por isso sempre que saia para suas “caças”, Ronan levava esse pensamento em mente e suas vitimas normalmente eram aquelas, que na concepção do vampiro, estavam mais ridículas naquelas roupas ridículas. A fome como sempre o consumia e dependendo de sua intensidade, Ronan sabia que logo não poderia controla-la e isso lhe causaria problemas. A besta que a muito ele tentava controlar surgiria e poderia leva-lo, não só se alimentar, mas também a matar a maior parte das pessoas.
Matar era algo que Ronan tentava não fazer. Por mais que a besta sempre estivesse batendo em sua porta e pedindo para sair, o rapaz sabia que não podia deixar. Há muito ele vinha aprendendo com seu senhor como controlar sua besta, como se alimentar sem matar, uma concepção bem diferente para o clã ao qual ele fazia parte, mas era uma ordem de seu senhor e por esta razão ele não devia desobedecer. Quando encontrou o humano vestido da forma mais ridículo e desprezível, não demorou muito em convencer o humano a ir para um lugar mais calmo. O beco mais próximo e vazio seria o lugar ideal, afinal, desde sempre ele havia aprendido a lidar com vielas. Havia aprendido que não poderia cometer seus atos em publico, isso denunciaria sua raça, isso o denunciaria. Desde muito cedo como uma criança da noite, Ronan havia aprendido a ser discreto, mesmo que houvesse causado muito caos. O problema residia exatamente em cumprir com todas essas obrigações, já que o vampiro sentia, sempre que achava uma vitima, a besta forçando a sua soltura.
Não demorou muito e Ronan cravou seus dentes na jugular do homem, sugando seu sangue sem se preocupar com as boas maneiras, deixando o sangue espirrar em suas roupas e forçando a passagem pelas artérias no pescoço do homem com uma veracidade animal. Foi quando em meio ao beijo, Ronan ouviu o barulho de saltos. Soltou a jugular do humano e olhou na direção de onde o barulho vinha, encontrando em seus olhos uma mulher loira, com a expressão curiosa. Um toreador.
Ainda conseguia ouvir as batidas de Dancing In The Dark que ainda tocava do pequeno clube de que acabara de sair, apesar de ainda restar algumas horas para a noite realmente chegar ao fim, para ela, a noite havia encerrado, ainda teria que chegar a casa antes dos primeiros raios de sol iluminar o céu, e de preferência antes de seu Senhor. A década de oitenta se fazia presente no momento, as cores fortes e extravagantes nas vestimentas, os diversos tipos de música, o choque de culturas e Adeline era capaz de presenciar tudo aquilo, apesar de achar que conseguiria viver sem as ombreiras.
As ruas em New Orleans beiravam a desérticas, a maioria ainda deveria estar aproveitando o as últimas horas para o amanhecer enquanto os outros descansavam para voltarem a rotina de sua vida mundana. Enquanto isso, Adeline aproveitava sua caminhada sob o céu estrelado de New Orleans, a mistura de ruídos como a trilha sonora de sua caminhada enquanto podia sentir a leve brisa soprar contra si, a criança da noite havia gostado daquele lugar, não só pela grande influencia de seu país que poderia ser observado na arquitetura, culinária, música e cotidiano da cidade, não, havia algo em New Orleans que não vira em nenhuma cidade da América, não era algo que poderia ser expresso em palavras, era preciso ver, escutar os sons da cidade, sentir o aroma, precisava vivenciar New Orleans para entender.
Resolvera seguir um caminho que a muito não seguia, era uma área antiga da cidade que apesar do anos que passaram ainda eram possível notar as pequenas peculiaridades de décadas atrás sendo adornadas com o pichações de desenhos ricos em curvas e formas, um sorriso singelo surgiu aos seus lábios a observar o que era chamado de vandalismo,mas para ela uma forma de arte. Fora tirada de seus pensamentos ao som de gritos de dor seguidos pelo característico cheiro de sangue derramado, sentira sua boca aguar com o pensamento do líquido quente e rubro, a fome despertando a besta que existia em si.
Antes que pudesse se conter, seguia em direção ao som, que conforme aproximava ficava cada vez mais fraco porém ainda podia sentir a dor transmitida pelos gritos. Deparara-se com uma cena a qual não estava acostumada, já havia visto vampiros alimentando-se antes e lembrara-se de como fora seus primeiros anos após o abraço e como era difícil de controlar a besta em si, porém, aquilo era algo completamente diferente. O ato era violento e agressivo, a criatura em sua frente não estava preocupada em ser cuidadosa, o sangue manchava a rua e as roupas denunciavam isso, porém havia algo belo naquela cena, o escarlate do sangue, a palidez provinda da vítima e o brilho sádico dos olhos escuros daquele que se alimentava, tudo abaixo do céu estrelado da calma cidade. Talvez fosse por isso que New Orleans a atraia, o mistério, as possibilidades, o fato de você encontrar a morte caso em alguma esquina.
Infelizmente, fizera-se notada, os olhos antes fixados no pobre humano estava virados para ela, a observando, talvez, da mesma forma que observava a cena anteriormente. O encarara de volta, esperando qualquer movimento, qualquer reação, porém nada veio, assim, resolvera tomar as rédeas da situação e sair de lá, antes que fosse tarde.
“Desculpe-me a intromissão, não queria atrapalhá-lo, monsieur” seu tom era polido e calmo, não estava com medo e sim curiosa, observou o homem a sua frente mais uma vez, gravando os traços que o compunham em sua mente, antes de continuar o seu caminho.













