Eu nunca me esqueço da sensação, quando entrei naquele carro em direção a sua casa os minutos pareciam anos e eu morri três vezes com a sua partida antes mesmo de viver ela. Engraçado não? Fui eu que escolhi abrir a porta e te deixar ir, você me perguntou se o amor tinha acabado naquele dia, disse que não entendia o que me fez querer o fim. Eu queria poder dizer que eu sabia perfeitamente o porquê, mas não. Ter você foi visceral, processo que fere e cura com a mesma intensidade. Me marcou nas lembranças, nas manias, nos medos, nas inseguranças ... Eu queria nunca deixar teu abraço, eu queria nunca perder teus olhos de vista, eu queria sempre ser dona dos teus pensamentos, eu queria nunca perder você e nessa ciranda sem fim eu me perdi de mim. Me ouvia gritando baixinho por mim, pedindo espeça, pedindo raiz e só conseguia sentir medo, eu sufoquei meu amor por mim e consequentemente te prendi na minha redoma. Você não sentiu o precipício sobre seus pés porque antes mesmo de te arrastar comigo eu já tinha pulado. Eu vivi a queda sozinha e escolhi nos poupar do impacto. Falta de amor? Não, nunca! Amor o suficiente pra entender que te quero livre e me quero inteira, sem metades e sem “mas”. Você é vento e eu gosto assim, te amar o suficiente para não te prender há mim e me amar o suficiente pra não me perder jamais.
Aquann 23.11.2020













