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@queenheatherparker-blog
Entendo que não queira expôr suas fragilidades. Às vezes o amor não é lógico, bobinha.
Ninguém está alucinando aqui.
Como se eu tivesse medo de expor alguma 'fragilidade' a você. E acho que eu não teria como saber disso. A irracionalidade aqui costuma acontecer por sua conta.
Muitas pessoas acreditam nisso até surtarem de vez. Preste atenção aos sintomas.
Não é sobre isso que me refiro. Acho que está mais na cara os seus reais sentimentos por ele.
Poor Heath. Tendo seu coraçãozinho quebrado.
Certo, Rosalie, eu sei que a sua cabecinha não funciona numa frequência normal, mas esse seu novo raciocínio eu nem consegui entender.
Sem os seus garotos por perto você começa a alucinar?
Claro que não, quem tem esse posto é o Zachary, não é mesmo? Acho que ele é o motivo de tanta amargura nesse coração.
Considerando que se não fosse pela estupidez dele, eu estaria fazendo compras em algum lugar decente e com público muito mais agradável, faz sentido. O que me surpreende muito, vindo de você.
Era encantador a forma como os irmãos se relacionavam. Quando não estão longe um do outro desejando uma morte dolorosa, estão compartilhando de sentimentos um tanto complexos em meio a mais uma de suas brigas, ou como Zach gosta de relembrar, jogos.“É incrível a sua capacidade para mentir Heather. Você já está tão acostumada a negar as coisas para os outros que aposto que quando você se deita para e se questiona o que é de verdade e o que não é. Se você tiver alguma duvida, bom eu posso acabar com elas para você. Primeiro de tudo, essa sua insistência em falar sobre a minha promiscuidade, ou como quer que você goste de chamar isso, está ficando chata demais. Segundo, você não tem nada a ver com o que eu faço ou deixo de fazer, logo não devia se meter. E por favor na próxima inclua a sua preocupação com a minha possível morte também.”As ideias absurdas de Heather eram insuportáveis até mesmo nos pensamentos do irmão, ele não conseguia entender de onde vinha toda aquela arrogância e raiva. A morena não tinha realmente nada a ver com a sua vida e com as suas atitudes. Por conta de toda essa intromissão ele preferia se manter longe da própria família. Estava melhor sozinho do que ao lado deles, com toda a certeza. Aquela pose autoritária e aquele sorriso tão falso causavam arrepios pelo corpo de Parker, e não eram arrepios bons. Ele sentia extrema vontade de fazer a irmã se arrepender por aqueles tipos de atitude, em algumas situações gostaria até mesmo de arrancar ele mesmo o sorriso e mostrar a ela que ao contrário do que ela pensava, ele comandava a situação, enquanto ela era apenas mais um peão em seu jogo de xadrez.“Dignidade? Talvez deva me ensinar o que é isso. Você devia estar grata por estar associada a mim em qualquer situação. Ao contrário do que você pensa, eu não sei apenas ser promiscuo, eu sei ser bem convincente e manipulador quando quero.” Ao contrário do que os seus colegas pensavam, Zach ainda não tinha desistido da aposta, muito pelo contrário, ele estava trabalhando nela. Em sua mente, terminar a aposta não era a missão, mas sim cumpri-la com perfeição. Se fosse levar a meia irmã para a cama que fosse pelas razões certas e do jeito certo. Apesar de o loiro não estar muito acostumado com o termo certo. Manter-se afastado de todos naquela semana havia sido uma escolha muito bem calculada. E agora ele sentiria os efeitos de sua ação. Assim como em todas as ocasiões ele se manteve completamente confiante, encarando o rosto da irmã, deixando as mãos o mais distantes o possíveis do corpo da mesma. O tempo estava passando, e assim como num jogo de xadrez, a irmã fez a jogada mais previsível. “E se eu não estiver apenas vendo boatos irmãzinha? E se eu estiver observando bem de perto? Você sabe, eu tenho todos nessa escola na palma da minha mão, eu poderia facilmente comprar um garoto para te levar para a cama e gravar tudo para mim.” Um blefe, dois blefes. O melhor jeito de fazer a irmã ceder realmente seria pela lábia. Confiança não seria o suficiente, detalhes não provariam nada. A morena tinha de ver uma reação que nunca vira antes. Um de seus dedos acariciaram lentamente o rosto de sua irmã, parando lentamente sobre seu maxilar e subindo levemente até os lábios da mesma. E então seus olhos se direcionaram para o chão, e ele distanciou a mão, logo a fechando em um punho.“Do que adianta ser o melhor se não posso ter o melhor? O que eu tenho por aqui não é o suficiente. Talvez nunca seja. Você não tem ideia..” Ele devia ganhar um A por essa encenação perfeita. Ele mesmo quase acreditou nas palavras que disse e nas emoções que sua face transpareciam.
"Eu sei muito bem quais são minhas verdades e quem deve ouví-las, Zachary. Aliás, não há nada que eu precise esconder de você. Você vive tão concentrado em convencer todo mundo de que é sobrenaturalmente importante, que acredita que o mundo vai mesmo pensar assim. Faça o que quiser, é óbvio que ninguém pode te fazer ser racional. É só um tanto lamentável. Claro que me preocupo com a sua morte, Zach. Sobre como eu conseguiria fazer o papai me arrumar um bom vestido preto para o enterro, ou sobre como eu sairia impune se tivesse que te matar eu mesma. Nunca se sabe." As mudanças na expressão dele a mostravam que ele também estava estressado. Não pelos motivos certos, ela podia apostar, mas as ações dela o incomodavam. Uma pequena vitória, afinal. Merecida, considerando o quanto algumas decisões do garoto a perturbavam, e ela costumava nem entender direito o porquê. "Eu venho tentando há um bom tempo, mas você é um aluno terrível. Ah, claro, porque essa associação sempre me traz tanto de bom." Nem se deu ao trabalho de mencionar que chegou só tinha sido condenada ao reformatório por ficar ao lado dele, ou se deixou parar para lembrar as inúmeras vezes em que se meteu em problemas porque tentava diminuir os do irmão mais novo, muito antes daquela festa desastrosa. "É claro que sabe, eu conheço você. Nunca vi alguém tão talentoso para moldar pessoas e conquistar qualquer que seja o seu objetivo no momento, não importam os meios. Funciona na maioria das vezes, não é? Tem seu lado positivo, mas você deveria ter um pouco de cautela ou pode ser sua ruína. É algo que eu sinceramente não gostaria de ver." Foi a coisa menos irônica que Heather disse até ali naquela conversa. É claro que manteve uma pitada de seu sarcasmo na voz - não estava com humor para baixar a guarda com Zach - mas realmente queria que ele a ouvisse. Seria inútil, como quaisquer outras palavras que viessem dela, mas sempre temeu que a ousadia do irmão o derrubasse. Estava acostumado a vencer todos os próprios jogos, ou ao menos a não sofrer de verdade com as consequências em uma ocasional derrota, mas talvez não fosse sempre assim. Tentar protegê-lo seria um esforço desperdiçado, mas só um pequeno - e ignorado - lembrete de vez em quando não lhe custaria nada. Mas é óbvio que ele não deixaria a preocupação dela durar um minuto inteiro. "Se vai continuar jogando verde, é melhor tentar ao menos se informar direito para ter ideias coerentes. Você pode mandar em muita gente por aqui, mas em ninguém capaz de me ganhar ou enganar assim. Não tenho o cérebro do Paul. E não se esqueça, eu tenho tanto poder quanto você nesse reformatório. Tem ideia do que alguns dos seus fiéis seguidores fariam se eu só pedisse com jeitinho?" Ela sorriu ironicamente. Era assim que Zachary pretendia jogar? Estava quase decepcionada, esperava um pouco mais dele. Talvez tivesse superestimado a capacidade do irmão de bater de frente contra ela, ou ele estivesse perdendo a... Oh. Ele não tinha acabado ainda. É claro que não, ele nunca faria as coisas tão fáceis. Amava o complicado, o perigoso, o insano, qualquer situação que o fizesse se sentir mais forte. Após quase uma vida inteira de convivência, Heather sabia que ele sempre fora apaixonado por no controle, ganhar das pessoas, ganhar as pessoas de alguma forma. E ali estava Zach, logo após tentar atingí-la com ameaças infundadas e acusações de toda espécie, a tocando como se nada importasse tanto quanto estar com ela. E ele certamente não agia como um irmãozinho protetor. Sentiu cada local em que o loiro acariciava sua pele e controlou o instinto de suspirar quando chegou aos seus lábios, a olhando de uma maneira que ela não se lembrava de jamais ter visto. Não só para ela, para qualquer pessoa, por mais que estivesse determinado a concluir um plano. O jeito único como ele parecia percebê-la naquele momento fez com que uma parte assustadoramente grande dela quisesse segurar sua mão e mantê-la ali, só para memorizar aquele toque. Por sorte, treinara a si mesma para manter o distanciamento por tempo o suficiente para fazer isso automaticamente quando não conseguia pensar. Seria inútil tentar esconder a surpresa em seus próprios olhos, então se deixou explorar os dele à procura dos sinais familiares de que era um truque, ou só para apreciá-los. Sempre amou aqueles olhos, desde criança os achava lindos, mas agora era bem diferente. Ele se deixava - ou se fazia - parecer vulnerável e havia um brilho ali, algo que Heather não sabia se devia lhe causar esperança ou temor. Logo ele desviou o olhar para baixo e sua mão não estava mais lá. A morena reuniu todo o seu foco em não reagir. Ao menos não até ter certeza de que tinha condições de fazê-lo adequadamente. Ao ouví-lo, ela bufou. Há poucos minutos, ele se declarava orgulhosamente 'bem convincente e manipulador'. Heather se lembrava das exatas palavras e entendia com clareza os muitos significados delas. Podia estar desnorteada com a mudança repentina, mas não era nada ingênua. Mesmo que ainda não conhecesse a motivação do irmão, sabia que não seria nada de bom para ela. "O fato de te considerarem o melhor é justamente a incoerência, Zachary." Disse, mas não soou tão superior. Conseguiu falar como se ele a divertisse com aqueles gestos e pensamentos, como se realmente estivesse explicando o que ele não entendeu. Em seguida, fingiu que a desentendida era ela, porque estava fora de cogitação aceitar o que o garoto falou com o sentido que ele pretendeu. "Então deveria se dedicar a um plano para deixar esse reformatório. Espero que consiga o que quer que vê como o melhor para você. Me mande algumas roupas boas de vez em quando se conseguir chegar lá fora." Conclui, pegando a mão que ele distanciara e arrumando a manga da camisa dele em um gesto casual. Tinha um pequeno sorriso, como se de fato o desejasse sorte no mundo lá fora após uma fuga, e não procurou os olhos dele, pois não queria deixar visível a raiva ou qualquer outro sentimento estampado ali.
Me sinto lisonjeada por estar acabando com seu humor, apesar de não seu meu objetivo, é satisfatório.
De nada, querida, mas não se iluda. A sua presença é lamentável mas não é o que determina o meu tédio ou a minha raiva.
Esse tédio está deixando meu humor pior que do que já estava. Não tem nada animador para fazer aqui dentro.
Obviamente, Rosie. Meu dia já não está bom, aí eu encontro você. Não melhora as coisas.
Sério? Acho que se eu perguntar e for bem convincente Paul pode me contar o que você andou dizendo para ele sobre mim sabe. Eu adoraria descobrir algumas coisas. Hm, isso séria ciumes? Heather Parker está realmente demonstrando sentir ciumes de mim? Ha-ha. Já era de se esperar. Mas eu vou, e algo em meio as suas palavras me dizem que há uma grande chance de você está cedendo.
Posso lhe contar um segredo? - O loiro aproximou de sua irmão, apoiando uma de suas mãos contra a parede - Eu adoraria descobrir como você é na cama.
Era incrível a facilidade com que Zachary a irritava. É claro que ela não contribuía para a paz, mas ele se esforçava muito. "Nem precisa desperdiçar sua retórica com isso. Digo ao Paul sobre você as mesmas acusações que faço pessoalmente: assassinato, promiscuidade, estupidez, extrema deselegância em seu estilo de vida. Até simplifico um pouco para o nosso irmãozinho entender." O comentário sobre ciúmes era tão... Absurdo que ela queria quebrar alguma coisa. Talvez na cabeça dele. Mas jamais perderia a compostura ou permitiria a Zach saber que a afetava. Apenas sorriu com superioridade, afinal, diferente do que o garoto provavelmente acreditava, ela estava acima dele. Mesmo que tivesse que erguer um pouco o rosto para encará-lo, já que ele era mais alto, em todos os aspectos de sua personalidade ela se sentia maior. E é só isso que o deixaria ver. "Não, idiota, eu apenas gostaria de ver um pouco mais de dignidade nos seus atos. Sabe, podem me associar a você de alguma forma, com a coisa toda do mesmo sobrenome, por exemplo." Preferiu ignorar o que a próxima frase do irmão sugeria. O gesto dele a seguir a surpreendeu um pouco, mas se Zach achou que a enfureceria com a aproximação, não conhecia a própria irmã. Tudo na postura do garoto mostrava o quanto ele se achava incrível, o que só a fazia acreditar mais em si mesma, porque conhecia cada falha dele. Heather se moveu um pouco na direção dele, o sorriso um pouco debochado. Não tinha nenhum receio de encará-lo, analisar seu rosto de perto após semanas sem realmente falar com ele, e então fixar seu olhos nos do loiro. Lindo, não? Pena que era... Enfim, Zach. Com tudo o que o fazia Zach. Manteve os pensamentos bem longe de sua expressão, como sempre conseguia fazer perfeitamente, deu uma gargalhada e o respondeu. "É mais uma dessas coisas que você nunca vai ouvir de uma fonte direta. Pode se contentar com os boatos que surgirem nos corredores, e nós dois sabemos que esse tipo de informação não é nada confiável. Já ouvi até dizerem que você é um dos melhores daqui, para ter uma ideia."
Talvez. Mmm, mas disso acho que você nunca vai ter certeza maninha.
Então sentindo minha falta nessas noites Heather? Ouvi algumas conversas por ai suas envolvendo meu nome, e algo relacionado a sua cama. Finalmente cedendo, sis?
Até nesse reformatório, tem coisas mais interessantes pra se fazer do que me preocupar com você. Só me surpreende que você deixa a própria cama - ou as alheias - por tempo suficiente para ouvir fofocas. E isso é algo que você certamente não precisa descobrir, Zach.
Então, o que acontece agora? Todos nós morremos de tédio?
O que foi? Acabou o estoque de periguetes, maninho?
This is how I show my love || P.O.V.
Pouco tempo depois de chegar ao reformatório, Heather desenvolveu o hábito de andar sem objetivo pelos corredores. O fazia sempre que estava entediada demais, ou quando sua mente parecia muito cheia e conflituosa. Podia estudar o problema que a incomodava ou se distrair completamente dele. Caminhava por um bom tempo e tinha facilidade em se desviar dos vigias, até porque a maior parte desses passeios acontecia à noite. Aquilo a lembrava um pouco de como, durante a infância, adorava percorrer várias partes da mansão onde foi criada, só para rever seus detalhes. A madrasta odiava que ela o fizesse, dizia que a garota ia bagunçar tudo e quebrar alguma coisa, mas Heather a ignorava e continuava a brincar um pouquinho em cada cômodo. No reformatório, as caminhadas não eram para se divertir e ver decorações bonitas - aquilo não existia na prisão, que se esforçava para parecer deprimente. Só permitiam à sua mente trabalhar enquanto o corpo explorava os mesmos trajetos pela milésima vez, de forma automática. Naquela noite, o que a levou a deixar o dormitório foi justamente a vontade de escapar daquele cárcere. Depois de um tempo nos corredores, chegou a uma área aberta. Mal podia listar todas as possibilidades de fuga que ocuparam seus pensamentos desde que chegara ali. A maioria não era muito promissora, acabando rejeitada e esquecida em poucos minutos, mas vez ou outra tinha uma ideia com algum potencial. Dessa vez, apenas tentava pensar em alguma que funcionasse.
Os planos foram deixados de lado quando Heather ouviu as vozes de duas garotas. Iam para a mesma direção que ela e pareciam ter a sua idade. Usavam vestidos curtos um tanto parecidos. Uma era ruiva e estava de preto e a outra, loira, de coral. Precisavam de algumas dicas sobre moda. Os saltos eram bonitos, a Parker admitiu mentalmente, mas o resto... Não as reconheceu, mas o assunto da conversa foi fácil de identificar. Na verdade, foi a menção a um nome que a fez prestar atenção. "É, eu queria falar com o Zach de novo." Disse uma delas. Logo Heather ouvia concentrada o resto do diálogo. "Você sabe, ele é um dos melhores desse lugar." Era a loira dizendo, percebeu quando elas a ultrapassaram. Sua amiga respondeu "Um dos? Eu também não recusaria um pequeno retorno.". Ambas riam, andando um pouco à frente, e a morena sabia que não faria sentido algum se irritar. Eram seres inferiores mendigando uma ou duas noites em uma cama da realeza. Sua frustração com o comportamento de Zachary era lógica, o idiota devia ao menos ter um pouco de postura. Paul também não se comportava, mas nada comparado a Zach. Ainda assim, as duas desconhecidas despertaram a raiva de Heather. Olhou para elas, parecendo tão imbecis e tão merecedoras de... Algum tipo de punição, certamente.
Parou de andar e as encarou por alguns segundos, tão irritada que demorou para perceber o que aconteceu, porque começaram a soltar gritinhos histéricos e fazer gestos desesperados. De repente, ventava na direção delas. Não, ventava em volta das garotas, como se as rajadas viessem de vários locais e as atacassem. Os gritos eram de pânico pelos cabelos, antes tão cuidadosamente arrumados, que agora no mínimo se embaraçaram muito. Não era uma visão bonitinha, mas agradou muito a Parker. "Ah! Meu olho! Tem alguma coisa no meu olho! Eu não consigo abrir." Falou a ruiva. Diferente das pernas, Heather pensou imediatamente. "Amiga, o seu cabelo! Ah! O MEU cabelo!" Se desesperava a de coral. A Parker sorriu, ignorando o quanto o acontecimento era estranho, apenas feliz que as coisas fossem favoráveis a ela. Nem mesmo uma brisa a atrapalhava. Imaginou que seria ótimo se um pequeno redemoinho envolvesse as garotas. Logo aqueles cabelos precisariam de semanas de tratamento para parecerem apresentáveis. Mal pensou nisso e viu seu desejo se realizar. Os ventos formaram um espiral, com as duas no centro, surtadas. Interessante, muito interessante. Imaginou que parasse e nada aconteceu de início, mas ela se concentrou um pouco mais e assistiu enquanto os ventos desapareciam. E voltavam uma última vez, nem tão fortes nem tão fracos, só para confirmar. Deu as costas à cena e se encaminhou de volta ao próprio dormitório. Talvez o reformatório a tivesse feito enlouquecer de vez. Ou talvez as coisas fosse começar a ficar interessantes.
100 pictures » phoebe tonkin
She hates you? Well, then I'm your new best friend. @Peather (Flashback)
Não era incomum que os alunos populares de sua escola viessem falar com ela, tanto para pedir favores quando para convidá-la á participar de festas, entre outras atividades, e ela somente não comparecia ás festas por não sentir-se confortável em ambientes como aqueles (não pelos que freqüentavam as festas, entretanto), mas ficava feliz em cumprir a maioria dos favores e em ficar uma ou duas horas á mais na escola para terminar os cenários com o restante dos participantes do clube de teatro, por exemplo. Mas, definitivamente: era incomum que aquilo acontecesse ali, no reformatório. Não era para adolescentes como ela que eles costumavam pedir favores, ainda que não fossem exatamente seletivos na hora de convidá-los para as festinhas ocasionais, normalmente nos dormitórios da ala masculina dali. Era fácil de notar quem era popular e quem não era, devido aos contatos que tinham e á quantas conversas aleatórias estavam relacionadas á eles; obviamente, havia notado os Parkers, mas não achou que eles a notariam também. Primeiro Zachary, e agora Heather. O que estava acontecendo? Pensara que eles eram mais seletivos que isto. “Realmente não acho que deva envolver-se com isso. Nós duas, nós nos desentendemos, mas eu posso lidar com ela. De verdade. Acho que ela tem motivos o bastante para te odiar, e eu odiaria dar mais um á ela”, deu de ombros levemente, retribuindo o sorriso dela. “Mas, muito obrigada, Heather. É gentil da sua parte se oferecer”. E era mesmo. Os outros pareciam ter equivocado-se sobre ela.
"Meu… Sobrenome?", murmurou debilmente, franzindo o cenho. Por que queria saber o seu sobrenome? “Springish, Pearl Springish”. E o comentário de Heather arrancou-lhe um riso contido; não era desconfortável estar com a Parker (e definitivamente não como ela achou que seria). Parecia com as estudantes mais velhas de sua escola, que costumavam arrastá-la pelos corredores sem o seu consentimento, enquanto reclamavam sobre os seus ex-namorados e, principalmente, sobre as atuais deles –e ainda que não fossem a companhia favorita dela, tinha de admitir que elas sabiam como diverti-la (ou simplesmente mantê-la entretida). “É, eu penso que ela vai…”, e mordeu o lábio inferior, torcendo o nariz com a possibilidade de ter a Prescott tramando para tornar a estadia dela naquele reformatório ainda mais deprimente. “Eu, sinceramente, ainda espero que ela simplesmente deixe para lá. Claro que isso não parece com ela, mas ultimamente, as coisas mais imprevisíveis têm acontecido”. E voltou a sorrir, tentando parecer confiante quanto ao que falava. A parte sobre as coisas terem saído do habitual era verdadeira, mas a parte sobre esperar que Rose simplesmente esquecesse aquela rivalidade imposta somente por ela entre as duas era mentira. Mas Heather não tinha de saber, estava sendo demasiado solidária com ela até. E arqueou ambas as sobrancelhas antes de finalizar: "Oh! Fique tranquila. Sou menos susceptível do que aparento ser".
Parecia diferente para Heather... A experiência de ter uma conversa real com alguém que não costumava ser o assunto das conversas alheias. Amava os olhares assustados e frequentemente esperançosos de quem ela parava para dizer qualquer coisa no reformatório. A maioria ficava hipnotizada pela presença dela e desorientada por ter sua atenção por meio minuto. A Parker, é claro, adorava a sensação. Pearl não parecia tão ávida por destaque social, mas a conversa com ela estava divertida, e bem mais longa que a média de Heather com alguém comum em seu primeiro contato. Claro, uma chance de alfinetar Rosie deixava tudo no seu dia mais animador. A outra se recusava a contribuir voluntariamente, mas as oportunidades viriam. Para Heather, sempre vinha. - Se preferir lidar com Rosalie sozinha, boa sorte, mas eu sempre adoro dar a ela novos motivos para me odiar. Me diverte com frequência. - Concluiu, sorrindo, e resolveu deixar que esse assunto para ser desenvolvido mais tarde. Conhecendo a Prescott, não aguardaria em vão. - Por nada, Pearl. É mais um entretenimento que um sacrifício. - Não podia ser mais sincera. Poucas coisas davam a ela tanto deleite quanto atacar quem merecia, especialmente no período presa, com opções mais limitadas. Sentia falta de poder ir a qualquer lugar, com as roupas que quisesse e quando quisesse, sem falar na possibilidade de comprar algo sempre que estivesse entediada. Ela merecia ter de volta sua liberdade, para exercê-la com ou contra quem bem entendesse, não se contentando com o público do reformatório.
Se distraiu por um momento observando a decoração do local, o que a impediu de notar a confusão da mais nova. Quem quer que fosse responsável por enfeitar aquela parte do evento, tinha se dedicado bastante aos temas. Heather não entendia as referências, mas pareciam bem adequadas ali. - Acho que seu nome combina com você, Pearl Springish. - Disse, sem saber bem porque havia algo de adequado nisso. Mal acreditou na próxima coisa que ouviu dela. Era realmente adorável. Pearl achava mesmo que podia se defender dos ataques da Prescott sem nenhuma ajuda. A sobrevivência dela até o momento era um verdadeiro milagre. Parecia prestes a tropeçar para o meio de uma guerra da realeza. Falando em realeza, aquela garota podia até se tornar um deles se fosse pelo caminho certo. Já tinha a simpatia da rainha e o ódio da wannabe, afinal. - Claro, vamos ver como as coisas seguem. Se tiver qualquer problema com alguém desse grupo e eu puder ajudar, não exite em dizer. - Melhor concordar e esperar. Se fosse esperta o suficiente, Pearl saberia a hora de chamar por ajuda e o lugar certo para conseguí-la. Com sorte, não se machucaria muito no caminho.
It's been a while, brother. @Heaziel
Revirou os olhos, quase que de imediato. “Nós já não éramos nada um para o outro, antes da festa.” Sutileza nunca fora a especialidade de Haziel e, nos últimos tempos, parecia-lhe um desperdício de tempo ainda maior ficar com rodeios naquele tipo de coisas. O seu ressentimento com Heather era semelhante ao que tinha com Paul. Culpava-a por não ter dito nada, por ter ficado calada enquanto Zach colocava toda a culpa em cima dos seus ombros. Mas, igual ao que tinha com Paul, não sentia mais nada em particular, em relação a isso. Como todas as outras coisas que pertenciam a Zachary, seu único objectivo era roubá-las. No entanto, não acreditava que Heather fosse acreditar tão facilmente quanto Paul que Haziel queria sua família de volta. “Você deixa todas as pessoas que não odeia serem arrastadas pela lama junto com você ou só seus irmãos?” Perguntou, largando por completo o que fazia, desistindo de trabalhar, pelo menos, no momento e encostou-se ao balcão, fixando agora o olhar na sua irmã. “Não é uma interação comum. Não para nós. Você me conhece o suficiente para saber que sou a pessoa errada para ter conversas levianas.” A verdade é que, dos três, Heather era o que melhor o conhecia. Já tinham tido uma espécie de amizade que sumira no momento em que Paul e Zach chegaram. Como todos os outros, ela preferira a companhia da dupla maravilha ao irmão chato e reservado.
Era difícil para Heather decidir qual instinto seguir. Estava acostumada a não deixar que as opiniões alheias lhe provocassem qualquer reação (exceto por garantir que se manteria acima de todos, especialmente se tentavam irritá-la). Quando estava com seus outros irmãos ou as pessoas de quem gostava na realeza, podia discutir mas não teria tal disputa de poder, estavam no mesmo nível. Com Haziel era diferente. Não eram amigos, não mais, e a garota não pretendia tê-lo como inimigo. Ainda assim, é dessa forma que ele devia vê-la, e a morena não sabia se devia se armar contra ele ou tentar recuperar o irmão. De qualquer maneira, não parecia certo simplesmente ignorar a situação por muito mais tempo. - Talvez você já não se importasse, mas ainda estávamos na mesma casa, na mesma família. É bem diferente desde então. - É claro, ele a culpava. Ela mesma sabia que errou e foi negligente, mas não aceitaria as acusações caladas. Havia tentado, apesar de tudo. Não o suficiente, mas tanto quanto sua mente bagunçada permitiu naquele momento, quando tudo desmoronou tão rápido. - Eu falei com ele, Haziel. Por um segundo, parecia que veria a razão, te deixaria fora disso e seria responsável pelos próprios erros uma vez na vida. Mas você conhece Zachary. Sabe o quanto ele é teimoso quando resolve ter a palavra final. Eu não queria que nenhum de nós acabasse no reformatório e aquilo foi o inferno para mim também, ok? Talvez eu devesse ter feito mais, mas não foi fácil pensar com clareza em meio a todos os acontecimentos da noite. - Haziel a olhou de um jeito nada amigável, que mesmo sem suas palavras deixaria claro a opinião dele sobre a irmã e as decisões dela. Heather não sabia se havia mágoa ali ou apenas desprezo. A situação era incomum demais para ela, e a garota não gostava de não estar no controle, não conhecer o próprio quadro. Não estar ciente de tudo era arriscar que as coisas dessem errado. Foi em uma das poucas ocasiões em que não se sentia dominante que acabou presa, junto com os irmãos. - Certo, não é. Mas devíamos ser maduros o suficiente para... Resolver isso. Não precisamos estar em guerra ou o que quer seja essa situação. Já passamos tempo demais assim.
There's no place for two queens. @Rosather
Ela quase riu da frase da garota. - Então a meu ver, sua situação é bem parada? - Insinuou enquanto batucava as unhas em seus livros que havia acabado de pegar do chão. Rosalie poderia não demonstrar, mas algumas daquelas frases que a morena soltava acabavam por realmente afetar seu âmago. Só que ela possuía um orgulho e era temperamental demais para demonstrar a verdade e tudo o mais, preferia cutucar a cobra com vara curta. - Alguém aqui realmente está trocando os papéis, ou não consegue distinguir a realidade da ilusão, tsc. - A resposta viera fácil. Rosalie mantinha sua expressão fechada enquanto continuava na frente dela. - Esse foi um argumento digno de quinta série, Heather, meus parabéns. - Disse ao ouvir tais palavras saírem da boca dela. Rosalie não se moveria até Heather sair dali, e quase riu ao vê-la com sua típica superioridade. Deu de ombros, e continuou seu caminho, até a aula de química, se preparando para a chatice do momento. Até aquele encontro poderia ter sido mais agradável do que ter que ficar ouvindo oras a fio seu professor explicar sobre átomos e moléculas de hidrogênio.
Chegou à sala e sentou-se em seu lugar na fileira da parede cruzando as pernas. Parecia que as notícias andavam rápido demais ali dentro e a discussão das duas já estava na boca dos alunos que iam para cima de Rosalie como animais famintos. Ela lhes deu sua versão da história, até que o professor chegou e mandou cada um para seu lugar. Rose, não prestou atenção na devido explicação, anotando coisas aleatórias em seu caderno de química. Foi quando teve vontade de pegar seu burn book que percebeu que não estava com ela. Em troca, era outro caderno, um caderno de compras. Ela havia trocado os materiais com Heather na queda. Aquilo era ótimo, para falar a verdade. Ela não se importava que a outra lesse o que Rosalie escrevera sobre qualquer um do reformatório. O problema seria quando fossem trocar, previa outra discussão, e não queria ter que ficar perto daquela garota novamente, a presença dela lhe repugnava. O sinal bateu, para irem para a próxima aula. Antes de sair, juntou os materiais e se olhou em seu espelho de bolso. Então saiu dando passos pequenos pelo corredor. Esperava encontrá-la novamente para pegar seu caderno, e não podia dispensar uma boa discussão. A verdade seja dita, que ultimamente os dias estavam sendo tão entediantes que até uma boa discussão com a Parker tornava-se o ápice do dia. O tédio, só era sentido quando Aaron não estava por perto, porque definitivamente ele era o clímax de todo aquele lugar idiota.
Parou, para conversar com seu primo que andava pelos corredores, com seus livros e o caderno dela em mãos. Até Eric já sabia da discussão e tudo o mais. Não demorou em ouvir a voz estridente e imperativa de Heather, virando-se e pedindo licença para o primo. - Claro que não, meu amor. Só espero que não tenha nenhuma bactéria contagiosa em meu caderno. - Um sorriso falsamente doce se fez nos lábios de Rosalie, que pegou o caderno de Heather com as unhas pintadas de rosa, esticando sua mão para entregar o objeto como se estivesse com nojo do mesmo. Ela se aproximou demais de Rose, fazendo com que a loira tivesse que erguer a cabeça para encará-la, já que a outra era alguns centímetros mais alta que ela. Rosalie encarou-a com cinismo em sua face, mostrando certa superioridade com as sobrancelhas arqueadas. - Não é de me admirar little Heath. Com toda sua superioridade, achei que não se ofenderia com algumas bobagens escritas em um caderno. - Falou dando de ombros, afinal o que havia escrito ali eram bobagens, sem algum fim específico. - Animais adoráveis, iguaizinhos a você, não é? Bem que ouvi você mugir alguns dias atrás. - Rose jogou os cabelos para trás, enquanto encarava Heather. Elas estavam perigosamente próximas uma da outra.
Público para suas conversas, amigáveis ou não, nunca incomodou Heather. Era uma boa característica dela, principalmente me momentos como aquele. Algumas pessoas paravam assim que notavam as duas próximas. Sabiam que qualquer diálogo entre elas teria potencial para alimentar fofocas pelo resto do dia. Ignorando a plateia (ou até a apreciando um pouco), continuou. - Imagino que não, mas mandarei rosas ao seu enterro, se for o caso. - Pegou o próprio caderno e o limpou teatralmente com a manga da blusa de frio antes de entregar o de Rosalie. - É claro que não me ofendeu, Rosie. Você é hilária, sabia? - Respondeu, com um sorriso que superava o da outra no quesito falsa simpatia. Sua expressão era sarcasticamente gentil, quase fingindo gratidão pela diversão que as palavras de Rosalie lhe proporcionaram. - Sim, muito melhores que as piranhas, por exemplo. - Continuou, ignorando a última frase da loira. Não se afastaria ou abriria caminho até que ela desistisse. Não se moveu um passo, a encarando de cima, apaixonada pela própria superioridade.
Não se calou depois disso. Nunca esgotaria seus argumentos contra a Prescott. Às vezes isso a lembrava do pai e das coisas que aprendera com ele. Podia odiá-lo por quase arruinar o próprio casamento, entre vários outros erros, mas tinha alguns aspectos que agradavam a filha. Ele lhe ensinara a nunca aceitar perder, nunca ser menos, nunca se rebaixar. O sangue dela a fazia merecer o topo e nada menos, portanto ela devia usar sua capacidade de se manter por cima. O tempo todo, como era digno de alguém como ela. Uma das poucas lições dele que realmente pareciam válidas parar Heather - além daquela de, apesar dos erros, fazer o casamento sobreviver - mas era um dos princípios mais presentes na vida dela, uma marca de sua personalidade. Seu orgulho era um de seus traços mais notáveis, afinal, e ela reinava porque merecia o poder.
Aliás, quanto ódio no seu coraçãozinho. Realmente se sente tão inferior que precisa destilar os pensamentos no seu livro de vingança ao mundo? É, pelo menos você não é cega quanto à própria mediocridade. - Foram as próximas palavras que destinou a Rosalie. Suspirou em sinal de pena antes do próximo comentário maldoso. A essa altura, seu sorriso não tinha tanto da aparência bondosa fingida, era um pouco mais sinceramente deliciado pela situação. - Não é nada inesperado, vindo de alguém que precisa dormir com metade do reformatório para ter algum lugar na dinâmica social daqui. Deve ser deprimente precisar disso para conquistar algum respeito, se é que podemos chamar assim. Tão, tão triste que tantos finjam se interessar por você de qualquer forma só porque sabem que é fácil tirar essa sua roupa ridícula. - Não podia resistir a atacar 'Rosie' de novo no ponto mais óbvio e que, pelo que podia ver nas reações involuntárias da outra, mais a incomodava. Talvez devido à evidente veracidade do que ouvia.