Parabéns, CAMILLA BIANCHI! Você recebeu uma carta de aceita no programa Una casa per 1 Euro e agora uma casa aos pedaços com uma vista bonita demais para desistir lhe espera em Monteluna. Seu registro diz que você tem VINTE E SEIS ANOS e veio de VERONA. Seus antigos vizinhos dizem que você é alguém SONHADORA, mas também MANIPULADORA, talvez seja justamente isso que te trouxe até aqui. Por enquanto, tudo que sabemos é que você se parece muito com CAMILA QUEIROZ, será que já podemos te chamar de CAMI? Benvenuto a Monteluna!
aesthetic: blusas de gola alta, vestidos com recortes, joias com pedras naturais e botas de couro, costuma amarrar uma fita no cabelo quando está pensativa, sempre carregando um livro, ainda que nem sempre esteja lendo.
Reza a lenda que Camilla é descendente direta da linhagem sanguínea dos Capuleto, bem, reza a lenda, já que a historia foi contada e recontada para a garota durante toda a sua infância, embora essa tenha se passado em um lugar bem longe dos muros altos e arbustos verdes do casarão em Verona.
Ainda pequena Camilla ficou órfã, assim como Violet Baudelaire, teve a casa destruída por um acidente incendiário e, por sorte -era o que diziam- fora levada para o orfanato junto de seu irmão, perto de Monteluna. O território foi escolhido por se localizar o mais perto do que tinham notificado parentes vivos, sua tia Lucia, que demorara alguns anos para resgata-los de lá.
Ao se mudar para a casa da tia, conheceu nas ruas o que pouco obtinha em casa; amigos, amores, e alguém que era as duas coisas junto, seu melhor amigo, e primeiro amor. Seus últimos anos da adolescência se tornaram anuviados pelo doce encantamento juvenil. Nada era dito, nada revelado, mas a amizade lhe parecia mais do que amizade como se fosse possível saltitar faíscas de seus dedos quando estavam juntos. Talvez todos os jovens sejam tolos demais a esse ponto. Bastou-lhe uma viagem, a contragosto e a mando da tia, para que quando retornasse encontrasse o jovem enroscando um anel no dedo, noivo.
Com a dor, o arrebatamento de dominós se seguiu até que na semana seguinte fosse a jovem que estivesse noiva, de um homem que acabara de conhecer, por vingança, amor, também existiu amor, ou dinheiro, pouco sabia sobre o homem além dos pequenos bolos de notas verdes que se empilhavam aqui e ali. Até que anos depois ela descobriu o que talvez não devesse ter descoberto. Em uma mochila juntou todo o dinheiro que poderia guardar, toda a informação que poderia conter e o diário, sumiu no mundo, voltando para o único lugar do qual não ousava falar, o lugar onde cresceu por alguns anos de sua adolescência, Monteluna.
Moradora da casa destra; Camilla trabalha fazendo bicos pela cidade, ainda não possui um emprego fixo, se mantem com alguns trabalhos improvisados, escreve crônicas para o jornal, engana turistas, pinta paredes, oferta cestos de pão, e com o restante do dinheiro roubado.
Franziu o cenho, fechando a expressão para a garota ao ter dificuldade de acompanhar a informação e o motivo de ter sido arrastado. — Guia turístico? Que sai arrastando qualquer pessoa na rua? — Questionou desconfiado, em fato possuía muito mais perguntas que não faria. — Você mesma acabou de responder o ponto, eu já sou daqui, nós que temos que ser hospitaleiros, com quem não conhece a cidade. Já experimentou ter alguém te ensinando o que você já sabe? — Rebateu ainda um tanto nervoso, não era como se Samuel gostasse da cidade em que vivia e ter alguém tentando lhe mostrar o que não lhe agradava, era irritante. — E sinceramente, esse lugar é um porre, você tá mentindo pra todo mundo que existe algo legal aqui. — Soltou quase como um desabafo, logo estranhando o foco da outra, eventualmente relaxando a postura. — É, chamei. — Confirmou, não dando tanta atenção ao fato.
"Foi um convite! só um passeio, céus... você é sempre tão rabugento assim?" de fato tinha o arrastado, como fazia com todos os turistas, ou supostos turistas. não podia dar a oportunidade para que recusassem, aquela era uma alternativa rápida e fácil, os puxava para um canto, engatilhava numa conversa ou historia inventada e pronto, logo se esqueciam até do motivo de terem parado ali. "eu não sabia, como poderia adivinhar? e como não estão fazendo o serviço, eu faço por você." o serviço em questão era a tal hospitalidade que claramente não era performada pelo outro. "pois eu conheço a cidade. sabichão, e você sabe tanto que nem aproveita a experiência! é um lugar lindo, e você nem consegue ver!" a irritação começava a se infiltrar no tom da sua fala e no rubor em sua face, não era o que esperava para uma tarde ensolarada, poderia estar fazendo tanto dinheiro longe dali... "que gracinha da sua parte, mas espero que não trate dessa forma todas as mulheres que acha bonita ou então tudo o que conseguirá é um pontapé." chiou sem saber se esbravejava ou se esperava pela próxima frase.
você ainda está assistindo? era a mensagem que a televisão exibia quando alec despertou do cochilo. não tinha intensão de dormi, estava acompanhando uma boa série na netflix e a maratona tinha lhe prendido. mas entre o episódio quatro e cinco, provavelmente cochilou. de início não entendeu o porquê de ter despertado, mas então logo ouviu o barulho: a porta. alec se levantou meio confuso ainda, o céu escuro indicava que ainda era madrugada e o relógio na parede da sala mostrava o horário. duas horas da manhã. só podia ser alguma emergência. por ter vizinhos idosos, se acostumou a viver em alerta para emergências, mesmo que quase nunca acontecesse nada grave. ao abrir a porta, lamentou não ter vestido um casaco, a camiseta fina do pijama em nada ajudava contra o vento frio. "camilla? o que..?" mais confuso do que antes de abrir a porta, o brasileiro observou-a entrar em sua casa com facilidade. fazia alguns dias que não a via porque estava evitando-a fortemente; até então tinha funcionado tão bem, como que houve aquela brecha? "fermento?" repetiu. ainda estava tentando fazer a cabeça funcionar mas o despertar abrupto do sono e a presença alheia não ajudavam em nada. "um bolo uma hora dessas? você está com insônia? algum problema?" questionou de maneira preocupada. "eu acho que tenho no armário, pode olhar."
"eu mesma. você não me responde a sei lá... séculos? então vim tentar a sorte." deu risada da cara de sono do outro enquanto perambulava pela casa em busca do armário. o ambiente era familiar, claro, já havia estado ali dezenas de vezes, mas camilla tinha a capacidade de perder objetos até mesmo em sua própria cozinha. "é, insônia! acertou em cheio, fantasminha. e os problemas são os de sempre." deu de ombros se empoleirando na prateleira, mais pra lá do que pra cá, claramente cambaleante fosse pelo sono ou pela falta de senso de direção ou espaço. "vai me dizer o que anda te ocupando tanto que tem te impedido de passar tempo comigo?" questionou em um tom ligeiramente mimado, pois tinham intimidade para tal. "quer dizer, eu sei que a boate te consome até os ossos, mas custava dar um oizinho? falando nisso, como estão as coisas por lá?" fato era que sentia a falta dele, talvez por isso tivesse ido parar justamente lá. depois de quase se estabacar no chão finalmente pusera as mãos no fermento, e dele não largou, mesmo enquanto ainda indagava.
tinha percebido alguém se aproximando. já havia dormido nas ruas, come on, tinha um sexto sentido que poderia ser invejado. como um arrepio nas costas, a alertando de uma outra presença. mas o perfume acompanhara, e com seu fraco clássico por aquele tipo de aroma, deixou que o destino se encarregasse. não estava admirando a paisagem. acabara de fumar. não cigarros, claro, e por isso apenas dera um riso baixo, deixando-se ser empurrada sem pronunciar um palavra ainda. não, ouvira até o final para tentar se desvencilhar do toque em seu braço, segurando as mãos alheias. "hey, eu moro aqui. não sou turista. tudo bem que acabei de chegar, mas achei que estava em minha melhor pose italiana. está tipo... um mês atrasada? e com uma cara de quem vai me mandar para a turquia mais tarde."
“ah droga, é… prazer, é claro. não reconheci seu rosto então tentei a sorte.” deu de ombros, um pouco frustrada. não deixava de ser uma perda de dinheiro. “sou camilla, pode me chamar de cami, ou camilla mesmo, eu gosto de… apresentar a cidade para novos visitantes.” ou desavisados. “se tá aqui a um tempo bem que poderia me mostrar uns lugares novos, né? posso acrescentar na minha listinha.” é claro que estava tentando passar a perna e jogar a atenção da conversa para um outro fato, odiava falar demais de si, ou se justificar, acabava se enrolando no meio das palavras, se perdendo. “atrasada sim, mas mandar pessoas pra turquia não está nos meus planos, apesar de que é bem bonito lá, os balões.”
Estava parado observando justamente a quantidade de pessoas que passavam perto do antiquário e que o rosto não era familiar, quando uma mulher com energia forte se aproximou, entrando em seu espaço pessoal e lhe tratando como um turista qualquer. Foi impossível não se deixar levar pela fala acompanhada das mãos lhe direcionando com firmeza, então deu alguns passos quase contra sua vontade, até que se desvencilhou do controle alheio, virou-se bruscamente de frente para a desconhecida. — Ok, para. — Pediu firme, quase ordenando. — Por mais que eu goste de ter uma mulher bonita me arrastando pra algum lugar, eu não sou turista, eu nasci aqui, eu conheço todos os lugares e todo mundo, mas eu não conheço você. Seja lá o que você tá fazendo, pode parar por ai. — Despejou um tanto irritado, muito mais por ela ter mexido com a paz dele do que qualquer outra coisa.
as mãos se ergueram demonstrando inocência, com os olhos ligeiramente arregalados, quase achou que tinha sido pega. "ooops...? eu estava só sendo um guia...? turístico?" sem o aval da prefeitura, claro, mas não deixava de ser. lhe respondeu incerta, ninguém nunca havia lhe feito aquela pergunta antes. "e ouch, não precisava ficar tão bravo assim. o que há de errado com vocês montelunenses, sequer sabem aproveitar uma diversão, um passeio, e já ficam rosnando como cachorros, esbravejando... olha bem, eu só tô sendo legal. hospitaleira, já ouviu falar disso?" esbravejou sem muita força, mais esbaforida do que furiosa, era o medo. medo de ser descoberta e ter que se mandar para fora da cidade, depois de tanto custo... se acalmou, e se concentrou no que sabia fazer de melhor. "a proposito, você me chamou de bonita?" o rostinho inocente, os olhos de bambi, se agarrava na pouca sorte que tinha.
Isaac estava com Ani, sua filha de 7 anos em meio ao centro da cidade, sempre levava a pequena para tomar um sorvete, ou comer algo no centro hitórico, a família só era Isaac e Anora, por mais que soubesse que estava faltando uma figura feminina na vida de Ani, não fazia muita questão de namorar novamente. As falas de Camila tiraram-no do transe em que estava enquanto estava no banco com Anora. Nem deu tempo de ele responder, a morena já o saiu puxar. "Pera ai, minha filha ta aqui comigo. " Deu uns passos para atrás e pegou na mão de Ani e ai sim seguiu a morena, talvez aquilo gerasse um pouco de diversão para a pequena.
uma filha? "ai... merda." a ultima palavra fora dita em um tom baixo, quase inaudível, e disfarçado por uma tosse fingida. não era como se não gostasse de crianças, era justamente o oposto. seus anos passados no orfanato, cuidando de crianças menores, tinham mesmo gerado algum tipo de afeição nela, e era por isso que estava completamente fora de seus planos passar a perna em um pai com sua filhinha, uma família feliz. droga. "quer dizer, claro, claro! ótimo! mais diversão." disse se virando para a menina. "vejo que já está tomando sorvete então não irei oferecer nada que te faça ter uma explosão de açúcar no meio do caminho... nos endoidaria." gesticulou, se virando para ele. "mas posso garantir um balão no final do passeio, que tal?"
duas da manhã lhe parecia um ótimo horário para desejar um bolo de chocolate com calda quentinha, de certo era tpm, ou algum tipo de desejo de uma gravidez imaginária, fato era que ela almejava o doce. que os vizinhos perdoassem o barulho da batedeira antiga, já com metade dos ingredientes nela; havia os ovos, farinha, açúcar.. mas depois de procurar por toda a cozinha percebeu que não havia nem sinal de fermento, claramente o fato não a desanimou pois camilla cruzou a rua, de shorts de pijama e camiseta de ursinho, para bater na porta do amigo, sem sequer cogitar que o mesmo poderia estar no decimo sono, depois de algum tempo batendo finalmente foi atendida. "então, é.. eu tô precisando de um favorzinho." se esgueirou para dentro da casa como se fosse natural, sem sequer um convite, "fermento." um sorrisinho de lado apareceu, e então ela começou a gesticular com as mãos. "eu tava fazendo um bolo, não ia conseguir dormir enquanto não fizesse esse bolo, e ai percebi que tinha faltado fermento, e um bolo sem fermento... ninguém gosta de um bolo sem fermento, então eu pensei em você, é claro.” piscou para ele. graciosamente, tentando distrai-lo do absurdo que era aparecer na porta de alguém as 2:05 da manhã.
Camilla se aproximou da figura que observava o centro da cidade, quase como uma fumaça que brotava ao lado, sendo percebida só depois que já era tarde demais, que já havia se engatilhado na conversa. “admirando a paisagem?” ela sorriu doce, mas quase nunca esperava pela resposta. “é mesmo muito lindo, mas isso não é nada, nem a metade. essa cidade tem tantas belezas, paisagens naturais, fachadas histórias, arte em cores vivas… você precisa ver uma coisa! serio! tem que vir comigo!” esse era o começo. seus dedos se enlaçavam nos braços de outrem e de lá não saiam até que ela tivesse lhe mostrado tudo, lá pelas horas da tarde se passando. se encaminhou com elx pela próxima esquina ansiosa para mostrar os pontos turísticos e os segredos escondidos.
Spencer mal podia acreditar que, depois de quase um ano inteiro viajando, agora tinha um quarto fixo. E por mais que estacionar em Monteluna estivesse começando a lhe dar algum senso de normalidade, ela se sentia como um pássaro numa gaiola. Talvez por isso tenha dirigido até as montanhas com Honeycombs e Brutus — só para respirar. Mas agora, no caminho de volta para casa, ao desligar o motor da van e tentar religar... nada. Bateria morta. Ela bufou, revirando os olhos antes de sair e se aproximar de quem parecia ser sua única esperança. — Eu juro que nem tenho a capacidade de te sequestrar — começou, com um meio sorriso exausto. — Só preciso de um jump start. Já devia ter trocado essa droga de bateria — Dormir mais uma noite na van, com um cachorro e uma gata? Nem pensar. O hotel lhe parecia infinitamente mais atraente naquele momento.
“Ah tudo bem, eu sou boa em sequestros, geralmente eles acabam gostando de mim e me dando um suco a cortesia.” sorriu abaixando os ombros e se livrando da postura assustada. preguiçosamente se desencostou do balcão do posto de conveniência, deixando o resto de uma rosquinha açucarada pender sobre os dedos, antes de ser jogada para dentro da boca, logo após a frase. “olha eu não sei nadinha de carros, não sei nem onde fica o motor.” iniciou, batendo as mãos uma na outra para se livrar do açúcar e se aproximando da mulher. “mas fica tranquila, o bob aqui vai te ajudar.” acenou para o homem de boné. provavelmente o nome do sujeito não era aquele, mas havia inventado algo fácil de se lembrar e o chamara assim desde então. “então… qual é o problema? pra onde quer ir? também vai voltar pro centro da cidade?”.