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Giorgio Moroder volta as parada em parceria com Daft Punk
Entre as memórias de acesso aleatório reunidas pelo Daft Punk em um dos discos mais bem-sucedidos de 2013 está o trabalho de um senhor de 73 anos. O compositor e produtor musical italiano Giorgio Moroder é uma das estrelas presentes em “Random access memories”, na faixa “Giorgio by Moroder”, mostrando que as lembranças musicais dos franceses Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo, que formam o Daft Punk, são certeiras. Moroder é um dos principais nomes da revolução causada pela disco music nos anos 1970, com o massivo uso de sintetizadores, abrindo caminho para o que mais tarde se tornaria a dance music eletrônica. Como produtor, ele é particularmente conhecido pelo trabalho com Donna Summer, em sucessos como “Love to love you baby” e “I feel love”.
No Brasil, Moroder ganhou as paradas com “Son of my father”, hit da trilha internacional da novela “Selva de Pedra” (1972), e, mais tarde, em dupla com Chris Bennett, emplacou “Love now, hurt later”, (da novela “Pecado rasgado”, de 1978) e “Love's in you, love's in me” (“Sinal de alerta”, de 1979). Nos anos 1980, Moroder produziu e compĂ´s mĂşsicas para as trilhas sonoras de filmes como “O expresso da meia-noite” (1978), “GigolĂ´ americano” (1980), “Flashdance — Em ritmo de embalo” (1983), “Scarface” (1983), “A histĂłria sem fim” (1984), “Top gun — Ases indomáveis” (1986), “FalcĂŁo — O campeĂŁo dos campeões” (1987), “Um tira da pesada 2” (1987), “Rambo III” (1988) e a versĂŁo restaurada de “Metropolis” (lançada em 1984), de Fritz Lang. Produziu tambĂ©m as bandas Munich Machine, Information Society e Sigue Sigue Sputnik, alĂ©m de Philip Oakey (do Human League) em sua carreira solo. AlĂ©m dos trĂŞs Globos de Ouro, diversos Grammies, mĂşltiplos prĂŞmios internacionais e várias indicações ao Oscar, Moroder ganhou a estatueta-sĂmbolo do cinema de Hollywood pela trilha de “O expresso da meia-noite”, em 1979, e pelas mĂşsicas “Flashdance… What a feeling”, em 1984, e “Take my breath away”, em 1987 (de “Top gun”). Nesta entrevista exclusiva, Giorgio Moroder conta que “trabalhar com Rihanna seria um sonho” e diz que seria Ăłtimo compor com uma banda de rock misturando disco e dance ao ritmo, citando como exemplo o que os Rolling Stones fizeram em “Miss you”.
Como foi a parceria com o Daft Punk?
Foi Ăłtimo, serei eternamente grato aos Dafts, porque estou com 73 anos, nĂŁo me apresentava tinha mais de 30 anos, e agora tenho um novo hit.
Algum outro artista o procurou?
Eu conheci Lady Gaga, e ela me tratou com reverência. É legal saber que os Dafts, David Guetta e Avicci, entre outros, são fãs do meu trabalho. “I feel love” é a base de diversas músicas.
Por falar nisso, como foi trabalhar com Donna Summer? Existe algum outro artista com quem o senhor gostaria de estabelecer uma parceria como a que teve com ela?
Foi inspirador, uma das experiências mais importantes e queridas da minha vida! Meu trabalho na música de discoteca foi em grande parte influenciado pelo desejo de criar o “som do futuro”, que pode perdurar além das simples tendências. Se a gravadora tivesse algum novo artista que quisesse lançar, seria bacana. Mas trabalhar com Rihanna seria um sonho. Eu também gostaria de trabalhar com alguma banda de rock fazendo um som tipo rock-disco-dance, como os Rolling Stones na canção “Miss you”.
“I feel love” é uma música que envelheceu muito bem.
Sim, e fico feliz que várias de minhas músicas ainda causem emoção nas pessoas, como “I love to love you baby”, entre outras da fase disco. Gosto muito de “Flashdance” e “Take my breath away”. Acho que essas duas são as melhores que já compus.
O senhor gostaria de também retomar as velhas parcerias?
Confesso que minha vontade Ă© trabalhar com gente nova. Mas, se Donna estivesse viva, com certeza farĂamos algo juntos. Eu fiz algumas gravações há dois anos, e ela ainda tinha uma voz como se nĂŁo tivesse envelhecido. Encontrei alguns arquivos e acho que existem mĂşsicas de Donna que nunca foram lançadas...
Como Ă© o seu processo de trabalho hoje em dia?
Vou ao meu estúdio e preparo meu gravador. Quando decido para quem vou escrever a música, começo a gravar o ritmo. Depois disso, tenho um microfone e um sintetizador prontos para gravar o que eu estou cantando e tocando. Uma vez que tenho a melodia, continuo com a gravação das faixas, adicionando a linha de baixo, a percussão, as vozes de fundo e mais alguns sintetizadores. Então, faço mixagem de tudo, e está pronto!
Como as novas ferramentas digitais para composição afetaram o seu trabalho?
Eu tenho mais opções de sons e mais opções para usar programas nas faixas.
Qual Ă© o seu trabalho favorito entre os que fez para o cinema?
A trilha de “O expresso da meia-noite”.
O que o senhor acha sobre a popularidade do hip-hop e do rap nas trilhas sonoras dos filmes?
Sempre que um filme requer um certo tipo de música, é isso que o diretor recebe. Há muitos anos que o rap e o hip-hop se encaixam perfeitamente em uma porção de filmes, especialmente nos de ação com suspense.
Como o senhor se sente em relação às trilhas sonoras das séries de TV?
Elas estĂŁo cada vez melhores, especialmente porque temos Ăłtimos compositores escrevendo para a TV.
Como o senhor definiria, de modo simples, a disco music?
A disco music é um estilo de música que reúne vários elementos. O chamado ritmo four-on-the-flour, cordas, guitarras, sintetizadores e os pianos elétricos Rhodes da Fender. E a disco é absolutamente ótima para dançar.
Fonte: O Globo
Sunny Day in Glascow lança single "In Love With Useless