Red Shouldered Hawk (Buteo lineatus), 2022

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@ravenzyisad
Red Shouldered Hawk (Buteo lineatus), 2022
26/10/22
Hoje foi uma dia emocionante e decisivo para mim. Durante essa semana me questionei bastante sobre continuar em latim, mas não pelos motivos tradicionais, e sim porque é um espaço majoritariamente branco. Não vou dividir homens e mulheres negras, pois já somos poucos no geral, então eu me senti num desespero muito grande sobre a responsabilidade de ser a primeira e comecei a pesquisar de forma inecifiente sobre professores e professoras negras ao redor do mundo, já que assumi que no Brasil não tinha, afinal eu participei de alguns eventos, segui muitas páginas no Instagram e nunca vi nenhum.
Mas hoje na uff teve um simpósio incrível: Mulheres que traduzem clássicos. No momento em que entrei na sala dei de cara dois monitores negros, o que me deu esperança, sabendo que eles são meus veteranos, me inscrevi e escolhi um lugar no meio uns minutos antes da mesa começar. Eu assisti 3 hoje, porém a primeira foi a mais impactante para mim. As professoras falaram sobre as dificuldades que elas encontraram num ambiente masculino e como as estatísticas são duras, fizeram um breve resumo da área de pesquisa de cada e abriram para perguntas. Nesse momento eu estava aflita pelo silêncio sobre estatísticas negras. De pelo menos mulheres negras, afinal o simpósio era sobre mulheres e não mulheres brancas. Me consola que outra pessoa pensou o mesmo que eu e perguntou se elas conheciam algum/a professor/a negro/a e onde eles estavam e a resposta foi dura e triste, pois eles não estão. Eles não sabiam bem o que dizer ou como responder aquela pergunta, acrescentaram sobre a importância da lei de cotas para que num futuro próximo esses dados mudem até que lá de trás, a monitora negra que me consolou no começo, apareceu na sala e disse que ela era uma futura tradutora, sem hesitar e sem pensar se aquele lugar era dela ou não. Pois se ela decidiu que era, então era.
E agora estou envergonhada por ter me feito essa pergunta. A mesma pergunta que me fiz quando comecei a estudar japonês e a mesma que me faz questionar os lugares onde vou. Eu sempre sinto que não é meu. Eu sempre sentia isso, mas agora mesmo me questionando eu faço. Adotei uma filosofia do "por que não fazer?" e as coisas estão mais simples agora. Me sinto mais leve agora. Acho que esta noite vou dormir melhor e amanhã vou acordar mais motivada.
Enfim.... esse blog é de uma estudante de latim negra, então assuntos como esse sempre serão abordados, porque ser negra muda tudo e ultimamente estou achando isso ótimo. A forma como eu olho para isso me faz mais forte.
23/03/2023
O latim no começo desse ano ficou em segundo/terceiro plano e no momento me sinto meio crua, mas quero comentar o ato de coragem que deu certo no mês passado.
Eu tinha esquecido completamente desse texto do ano passado e é bom lembrar como aquele simpósio realmente me emocionou muito. No começo de fevereiro, assim que meus pais voltaram a trabalhar e meu irmão voltou para escola, eu comecei a me sentir mal e angustiada. Parecia que eu estava perdendo tempo e que o mundo seria muito cruel comigo se eu continuasse parada.
Provavelmente porque dois amigos próximos conseguiram jovem aprendiz e estavam se encontrando, algumas amigas da faculdade com estágio e projetos. Me senti pequena e vazia, como se eu não estivesse fazendo o suficiente, então comecei a procurar por estágios e projetos voltados para o latim.
Dizem que no google você acha tudo. Dizem. Eu não encontrei nada e deixei aquilo me consumir, fui jogar lol e me prometi que no dia seguinte iria começar a estudar latim como nunca.
Não tive a chance de me provar, no dia seguinte, assim que acordei vi as mensagens do meu professor no grupo falando de uma vaga de ic que surgiu e que precisavam de alguém para não perder a vaga e me candidatei. Antes de falar que queria, eu passei mal, tremi, fiquei chocada pelo timing e me perguntei "por que não?".
Passei. Agora estou num projeto muito novo e desafiador e sinto que aos poucos eu vou chegando lá.
Lá significa algum lugar que me satisfaça. Lá é diferente de aqui e para chegar lá eu tive que começar. Ainda bem que comecei. Ainda bem que fui no simpósio e ainda bem que eu me deixei tentar.
Eu me pergunto o que eu faria se tivesse tentado e não conseguido. Eu acho que nunca vamos saber (- falecido ye)
toda a voz passiva entrou ativamente no meu cu em um semestre só
horribilis uisi !
todo dia estudando porque latim morreu
aula de literatura portuguesa é uma tortura
eu tenho tanto trabalho esse semestre, livros para ler e matérias para estudar esse mês :(
tb mereço uma balbúrdia
coroa de louro aos poetas
26/10/22
Hoje foi uma dia emocionante e decisivo para mim. Durante essa semana me questionei bastante sobre continuar em latim, mas não pelos motivos tradicionais, e sim porque é um espaço majoritariamente branco. Não vou dividir homens e mulheres negras, pois já somos poucos no geral, então eu me senti num desespero muito grande sobre a responsabilidade de ser a primeira e comecei a pesquisar de forma inecifiente sobre professores e professoras negras ao redor do mundo, já que assumi que no Brasil não tinha, afinal eu participei de alguns eventos, segui muitas páginas no Instagram e nunca vi nenhum.
Mas hoje na uff teve um simpósio incrível: Mulheres que traduzem clássicos. No momento em que entrei na sala dei de cara dois monitores negros, o que me deu esperança, sabendo que eles são meus veteranos, me inscrevi e escolhi um lugar no meio uns minutos antes da mesa começar. Eu assisti 3 hoje, porém a primeira foi a mais impactante para mim. As professoras falaram sobre as dificuldades que elas encontraram num ambiente masculino e como as estatísticas são duras, fizeram um breve resumo da área de pesquisa de cada e abriram para perguntas. Nesse momento eu estava aflita pelo silêncio sobre estatísticas negras. De pelo menos mulheres negras, afinal o simpósio era sobre mulheres e não mulheres brancas. Me consola que outra pessoa pensou o mesmo que eu e perguntou se elas conheciam algum/a professor/a negro/a e onde eles estavam e a resposta foi dura e triste, pois eles não estão. Eles não sabiam bem o que dizer ou como responder aquela pergunta, acrescentaram sobre a importância da lei de cotas para que num futuro próximo esses dados mudem até que lá de trás, a monitora negra que me consolou no começo, apareceu na sala e disse que ela era uma futura tradutora, sem hesitar e sem pensar se aquele lugar era dela ou não. Pois se ela decidiu que era, então era.
E agora estou envergonhada por ter me feito essa pergunta. A mesma pergunta que me fiz quando comecei a estudar japonês e a mesma que me faz questionar os lugares onde vou. Eu sempre sinto que não é meu. Eu sempre sentia isso, mas agora mesmo me questionando eu faço. Adotei uma filosofia do "por que não fazer?" e as coisas estão mais simples agora. Me sinto mais leve agora. Acho que esta noite vou dormir melhor e amanhã vou acordar mais motivada.
Enfim.... esse blog é de uma estudante de latim negra, então assuntos como esse sempre serão abordados, porque ser negra muda tudo e ultimamente estou achando isso ótimo. A forma como eu olho para isso me faz mais forte.
Mulheres na Filosofia
importante
being insanely obsessive will not get u anywhere but it sure do pass the time
é tão louco como eu literalmente vivo assim!! de obsessão a obsessão e os momentos em que uma termina e preciso encontrar outra são os dias mais mornos da minha vida
“There are times when I am convinced I am unfit for any human relationship.”
-Franz Kafka
essa música é tão linda!!! me acalmando nesse dia cinza
deus vai ter que segurar minha mão para eu passar em LP IV depois dessa prova
strazza, 1860
(minha fonte: aula de literatura brasileira I )
The Dead Romans Society is a humorous webcomic about dead Latin authors set in an imaginary afterlife in which the memory of the living grants the dead a second life. Fun ensues.