Sob ordens diretas do comando da ASTRA, declara-se que AMANDA NONATO, natural de NOVA IORQUE, atualmente atuando como DENTISTA, compromete-se a servir à NOCTEN CLAN enquanto permanecer no território sob domínio dos VAMPIROS. Aos anos VINTE E SETE ANOS, aparentando VINTE E CINCO, jura manter sigilo absoluto e lealdade à liderança que o acolhe. Conhecida por IRRESPONSÁVEL e ARROGANTE, mas dotado de AMBICIOSA e LEAL, desempenha suas funções como ACÓLITA, sob a confiança que lhe foi concedida.
Até onde Amanda sabe, todos os Nonato serviram os vampiros.
Tudo começou no início do século XIX, quando os vampiros chegaram na província de São Paulo, no Brasil, para conquistar e controlar o então emergente comércio de café. Toda a imortalidade, sentidos sobrenaturais e poder de hipnose já resolvem mais da metade do problema, porém os humanos são uma ferramenta mais do que necessária para facilitar o trabalho de qualquer vampiro. Óbvio, precisam deles como alimento, porém, e talvez o mais importante, é tê-los como aliados.
Foi na figura de dona Teresa Nonato Barros que os primeiros vampiros a chegarem no Vale do Paraíba encontraram uma aliada. Aos olhos deles, ela era perfeita: desesperada na medida certa para aceitar a aliança ao ver-se viúva, sem dinheiro e com filhos pequenos, uma fazenda falida e uma reputação para cuidar, ao mesmo tempo em que era mais impiedosa, fria e gananciosa do que muitos dos humanos normais. Para a matriarca, pouco importava se os demônios chupadores de sangue matassem um vizinho ou roubassem toda a fortuna de outro, ela só queria receber aquilo que era dela depois de ter facilitado o trabalho deles e ter a certeza que sua família nunca seria um alvo.
Ao longo dos dois séculos, a família Nonato especializou-se em ajudar os vampiros no que fosse preciso, desde realizar pequenos serviços à luz do dia até assassinato; perseguir um inimigo em locais que vampiros não poderiam acessar a morrer por eles. O que recebiam em troca variava muito de pessoa para pessoa: algumas, queriam apenas provar o delicioso sangue vampírico, outros desejavam todo o poder e a grana que os vampiros podiam oferecer, já um terceiro grupo, esse consideravelmente menor, via-se obrigada a fazê-lo. Além das vantagens, o clã a ser servido não permaneceu o mesmo ao longo dos anos, seja por brigas internas, mudança geográfica ou simplesmente por considerarem a aliança com outro clã mais benéfica; ao mesmo tempo em que eram especialistas no que faziam e confiáveis, também eram instáveis e gananciosos demais.
Amanda nunca estranhou a principal fonte de renda da família, sendo criada por sua mãe para seguir os mesmos caminhos de dona Teresa Nonato Barros e de tantos outros parentes. Nascida em Nova Iorque em um núcleo de imigrantes brasileiros que desembarcaram nos Estados Unidos nos anos 1980 em busca de condições de vida melhores (isto é, de clãs que poderiam pagar em dólar), Amanda cresceu ouvindo as terríveis histórias da Era das Sombras, de todas as baixas que precisaram enfrentar até o surgimento da Astra.
Iniciou os trabalhos no clã Nocten aos 21 anos, aproveitando-se do trabalho conquistado como dentista em uma das clínicas odontológicas mais caras da cidade para fazer os serviços que lhe eram designados. Para Amanda, porém, aquilo era pouco; ela não desejava passar a curta existência sendo uma serva, desejava ser uma deles, tão forte, poderosa e perigosa quanto qualquer vampiro que conheceu ao longo da vida, alguém que pertencia ao topo da pirâmide alimentar.
Não foi tão difícil quanto imaginou seduzir e convencer um dos acólitos a abraçá-la, bastou declarar juras de amor e fingir de apaixonada. (Ou ela estava apaixonada de fato e prefere ignorar esse detalhe, é uma das coisas que Amanda evita pensar). Quando o abraço finalmente aconteceu, arrependeu-se no mesmo instante assim que sentiu a quase-vida preenchê-la, junto com uma sede terrível, uma sede que nunca foi saciada, uma sede daquilo que ela possuía e abriu mão em nome da ambição.
Dois anos após a transformação, Amanda ainda se esforça para abafar o misto de arrependimento e expectativa que sente, se acostumar com o desprezo da família e se concentrar em simplesmente sobreviver dentro do clã e, quem sabe, subir de cargo.
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