Eu não sou mais a mesma
Durante esses dois últimos anos percebi como as pessoas são egoístas e presas nas suas próprias questões, percebi como o mundo não é tão bonito como aparenta e em como tudo é lamentável.
Eu não consigo esquecer a morte da minha tia, não consigo superar o homem que morreu porque tiraram o oxigênio dele para dar para alguém mais rico, não sei desligar a minha mente da quantidade de pessoas que morrem pela ignorância e falta de respeito.
Eu lamento pelo homem negro que morreu estrangulado por um policial, lamento por todos os negros que morrem todos os dias e aqueles que não podem ser livres para amar e viver da maneira que desejam.
Me sinto adoecida por lutar todos os dias pela vontade de viver quando não sinto esperança no mundo e em fazer parte dele.
Não consigo sentir vontade de viver na minha própria casa quando percebo que nada que eu faça será o suficiente para eu ser respeitada ou digna de uma nota de rodapé.
Eu faço terapia, trabalho e repito todos os dias que eu sou incrível e digna de amor, mas eu continuo cansada e a recuperação nunca parece chegar.
O autoconhecimento me mostrou como eu sou, o que é meu e o que é do outro, me fez estabelecer limites, ter persistência, saber até onde eu consigo ir, me trouxe metas e objetivos, mas eu continuo tendo dificuldade em querer viver.
















