(( ♟ )) — E valoriza seu corpinho. O que não é ruim, se você for parar para pensar. — Apontou a baronesa com um sorrisinho travesso por detrás da taça de vinho que bebericava. Não achava que Joanna era apenas um rostinho bonito, e nem pretendia, com o comentário, sexualizá-la e diminuir suas habilidades, apenas era mais fácil brincar a respeito do que ir por um caminho tortuoso sobre um problema que ambas sabiam, não era de fácil solução. Era uma festa e nenhuma das duas pretendia remoer coisas que tornaria muito difícil continuar trabalhando para azuis se fossem em frente com aquilo. Assim que um garçom passou, Joan pegou uma taça para a guarda, tilintando a sua, quase vazia, na dela. — A eles. — Ela brindou e antes que ela pudesse questionar, Joan interrompeu seu próprio gole para justificar. — É só água. Eu sei que você está de serviço. — O sorriso era delicado e ela deixou os olhos claros vagarem pelo salão por um momento. Seria fácil para elas odiá-los. Com certeza cada uma tinha o seu motivo, mas Joan vacilava no que tangia a lealdade a azuis e a vermelhos. Ora a realidade de seu sangue era tão aterradora que tornava difícil para ela não enxergar o mundo como branco e preto, eles x ela, no entanto, ela era cegamente fieal a Lorsan, talvez porque acreditava que ele era o melhor dos azuis. A questão é que Johanna há muito tempo havia decidido que não importava muito a cor do sangue, ela havia escolhido viver aquela vida, independente dos altos e baixos que pudessem surgir e isso, na maioria do tempo, simplificava as coisas. — Então deixemos esse assunto de lado. Não vamos deixar que ele arruíne a nossa noite mais do que já fez. — Propôs ela, voltando a encarar a amiga. — Bem… — Ela começou, mas logo percebeu que não podia esconder isso da vermelha. — Céus… Quem eu quero enganar? Eu estou arrasada. Não pude ajudar em nada no evento e Lorsan, claramente, não precisa de mim aqui. Deus… Me sinto tão inutil. O que você faz quando não está trabalhando? — Joan acreditava verdadeiramente que apenas a morena saberia lhe entender. As duas tinham o seu valor medido pelas suas habilidades e suas utilidades, se um dia Joanna não pudesse mais lutar o que isso significaria? Ela esparava que ela nunca precisasse responder essa pergunta com tanta força que ela esperava não ter que se sentir assim novamente.
Meneou a cabeça para os dois lados enquanto dava um leve rolar de olhos ante a insinuação da amiga. Não era vaidosa; muito menos egocêntrica. Qualquer pontuação de seus atributos físicos lhe entediavam. Para ela, as únicas coisas relacionadas com sua aparência que realmente lhe importavam era o fato de estar, ao mínimo, decente, e saudável para uma boa execução de seus serviços. “ ——— Claramente, Joan. Como pude me esquecer desse detalhe? ” acompanhada de um sorrisinho canteiro, ironizou, sabendo que a vermelha sabia de suas preferências. “ ——— To the blue gods. ” simplesmente escapou de seus lábios, sem ao menos conseguir segurar. Bebericou da água, logo depois. “ ——— Sinceramente, só você para suportar essa minha marra. ” murmurou, alto o bastante para a loira escutar. Numa tradução livre: obrigada por isso. Era seu modo de demonstrar apreço à pessoas que gostava. Nunca era direto, e sabia que deveria melhorar seus métodos. Nem com a própria família era capaz de verbalizar o que sentia de verdade, sempre optando por caminhos indiretos, mas que eles fossem aptos para reconhecê-los. Concordou com ela, quando disse para deixar o assunto de lado. Admirava a compassividade e mansidão de Johanna. Se tinha algo com o que deveria tomar cuidado era com o temperamento e impulsividade, traços dominados pela vermelha ao lado. Ela podia não ser literalmente um soldado e ostentar uma farda, porém se tornava uma todos os dias ao enfrentar aquele mar de azuis, para a guarda. Which was way more difficult. “ ——— Não passo muito tempo não trabalhando... É uma jornada longa. Mas, quando se reveza os turnos, gosto de ir treinar. ” uniu as sobrancelhas, mas não por causa do desabafo da Hollord, e sim porque se dava conta do estado da própria vida. Se dedicava tanto ao trabalho que se deixava cegar do que realmente gostava, sendo incapaz de reconhecer seus hobbies novamente. “ ——— Não é muito divertido, eu sei. ” enfatizou a última parte, lembrando-se de um treino no qual convidara a amiga para fazer parte. Não deu muito certo. “ ——— Mas eu ia para casa, antes de tudo isso, eu ficava em casa com meus irmãos. Jogávamos um jogo de derrubar o outro na lama, e quem ficasse por último em pé, ganhava. Modéstia parte, eu ganhava todas as partidas. ” piscou para a loira, orgulhosa, deixando-se suspirar ao recordar a lembrança. “ ——— Agora, não tenho muito o que fazer. ” deu de ombros, encarando a nova realidade, que demoraria um pouco para mudar novamente para que pudesse relaxar no assoalho velho de casa, a chuva batendo no vidro das janelas e dando uma vaga sensação de que tudo iria ficar bem. O piscar dos cílios a trazia de volta à Terra. “ ——— Mas que isso, Joan. Aposto que não se vestiu tão bem assim para nada. Chega até estar mais apresentável que algumas princesas daqui, se quer saber. ” elogios não eram bem o seu forte, mas sentia necessário direcionar algumas palavras à amiga. Até porque também era o seu julgamento sobre. “ ——— Acho que deveria aproveitar a festa, não sei. Flerte, dance. O que gosta de fazer mas geralmente não pode? ”