ZARA LARSSON photographed for Midnight Sun: Girls Trip
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ZARA LARSSON photographed for Midnight Sun: Girls Trip
Vincent Van Gogh Terrasse de Cafe la Nuit
Não se preocupe, meu bem, eu aguento tudo isso, sempre aguentei querendo ou não.
jm.
É inevitável que a mudança nos encontre. Não podemos controlar o rumo que a vida toma. Quando não estamos preparados para o novo, resta, no meio do imprevisível, lembrar quem somos. É isso que nos conecta à nossa essência e nos impede de nos perder para sempre.
Conectar-se consigo mesmo é um processo confuso, como voltar a ser criança outra vez, como se o encanto das coisas pudesse se desfazer em segundos.
É preciso reaprender os próprios gostos, decifrar as emoções com cuidado e permitir-se senti-las sem pressa. Nada acontece de repente: o tempo é parte do processo, e é nele que nos reconstruímos.
- Caroline Lima
guess who feels like a burden to everyone again
Tenho enfrentado uma dificuldade real para me adaptar à nova fase da vida que estou vivendo. Os trinta chegaram sem pedir licença e me acertaram em cheio. Pela primeira vez, a sensação de ser adulto é concreta, quase palpável. E o que mais pesa não é exatamente a idade, mas tudo o que veio no pacote.
Talvez seja coincidência, talvez seja o envelhecer mostrando suas garras, mas o fato é que todos os meus grupos de amizade de anos se romperam. E não foi um afastamento suave — foram rachaduras profundas. Hoje, os laços que construo parecem ter prazo de validade curto, não se sustentam. E isso dói, porque eu sou uma pessoa amiga. Eu gosto de ter amigos. Gosto de sair, de sentar num bar para conversar sem pressa, de passar horas na casa de alguém sem fazer nada além de existir junto, um olhando para a cara do outro.
Mas a rotina engoliu tudo isso.
Trabalho a uma hora e meia de casa e estou absolutamente exausto desse deslocamento diário. O problema é simples e cruel: não aparece outro emprego que pague o que o atual paga. E junto com a decisão de sair da casa da minha mãe para morar com a minha namorada, veio também a responsabilidade concreta de pagar aluguel, contas, compromissos. Ou seja, pedir demissão não é uma opção. Não existe romantização possível aqui. Eu não sou rico. Preciso fazer a roda girar. Preciso continuar entregando. E isso está me drenando.
No meio desse caos, passei a odiar meu próprio corpo. Não tenho tempo para me exercitar — e, sendo honesto, eu odeio me exercitar. Mas mesmo que não odiasse, em que horário isso caberia? Eu odeio acordar cedo. Odeio ter que performar simpatia com clientes o dia inteiro. Odeio o cansaço constante. Mas quais são as alternativas reais? Não fazer não é uma opção. Parar não é uma opção.
A vida adulta me atingiu de um jeito que eu definitivamente não esperava. Sem manual, sem onboarding, sem período de adaptação. Só cobrança, responsabilidade e a sensação permanente de estar sempre devendo alguma coisa, para o trabalho, para minha namorada, para minha família, para os outros, para mim mesmo.
Talvez esse texto não traga respostas. Mas ele é um registro honesto de alguém que está tentando entender como se sobrevive a essa fase sem perder completamente quem se é no processo.
Vez ou outra, ainda arde.
Sempre fiz questão de viver intensamente o agora. De alguma forma, isso me levou a experimentar coisas diferentes, inusitadas, caminhos que eu provavelmente não teria percorrido se fosse alguém obcecado por planejamentos minuciosos. Ao mesmo tempo, essa forma de viver sempre veio acompanhada de uma sensação incômoda, a de falta de foco.
E isso é curioso, porque eu sou uma pessoa profundamente ambiciosa. Só que ambição sem foco vira só desejo solto no ar. Sem direção, eu acabava não saindo do lugar. Em algum momento, isso mudou. Ajustes aconteceram, escolhas foram feitas, e eu consegui chegar a lugares bons, conquistas reais, espaços que antes pareciam distantes.
Hoje, porém, dentro do meu relacionamento, eu me sinto exatamente como antes: muita ambição, pouco foco. Vou deixando as coisas acontecerem, sem estruturar, sem planejar, apostando demais no improviso. Quando isso dizia respeito apenas a mim, já era difícil mas o impacto era individual. Agora não é mais.
Agora existe outra pessoa nesse processo. E, de certa forma, sinto que estou perdendo. Perdendo tempo, perdendo alinhamento, talvez até ferindo, sem intenção, alguém que caminha comigo. Minha forma desfocada de conduzir a vida pesa ainda mais quando estou ao lado de alguém ansioso, que precisa de organização mental, previsibilidade e planejamento para se sentir segura.
Eu sei que preciso mudar. Isso já está claro. O que ainda não sei é exatamente por onde começar, qual caminho seguir, ou como equilibrar quem eu sou com o que esse vínculo exige de mim. Só sei que permanecer exatamente assim já não parece uma opção.
FRIENDS 5.11 The One With All The Resolutions
Oi pessoal, tudo bem?
Não escrevo aqui desde que eu tinha, sei lá, uns 15 anos. Confesso que nem lembro mais direito como isso aqui funciona.
Mas, em conversa com meu psicólogo, surgiu a ideia de começar a escrever sobre o que eu sinto, como uma forma de organizar os pensamentos, dar nome às emoções e, quem sabe, respirar melhor no meio do caos.
E aí eu pensei: opa, por que não voltar pro Tumblr?
Então aqui estou. Escrevendo algo que talvez não faça tanto sentido agora, meio sem forma, meio cru, mas sincero.
A ideia é usar esse espaço pra dividir um pouco das minhas angústias, das tristezas, das dúvidas… e também das alegrias, porque elas existem e merecem espaço.
Sem muita regra, sem grande pretensão. Só um lugar pra ser eu, do jeito que der.