“Vontade de sair por aí. Caminhar sem direção. Pra algum lugar que tenha paz…”
— Ana Gabrielle Ramos (via aninharamos)

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“Vontade de sair por aí. Caminhar sem direção. Pra algum lugar que tenha paz…”
— Ana Gabrielle Ramos (via aninharamos)
Natalie Díaz, from "American Arithmetic", Postcolonial Love Poem
caminho sem volta
o portão da minha casa nunca fechou totalmente.
mesmo com mais óleo e uma mão habilidosa vez ou outra, uma fresta continuava solene e impune, permitindo que mais ar entrasse e menos luz se concentrasse do lado de dentro.
neste, as noites eram feitas de pernas entrelaçadas no sofá, mentes que nunca se encontravam e um piso frio que não sentia mais o nosso calor.
aos poucos, então, o ensolarado do sertão foi dando vez a uma tempestividade ruidosa e úmida, que provocava trovões em cômodos fechados e alagamentos em pálpebras já ressecadas.
nos tornamos pessoas que respingavam chuva umas nas outras, culpando-nos entre si, mas sempre com as mãos escondidas quando as acusações eram lançadas para o alto.
o cinza que deu tom à nossa rotina nos impedia de enxergar a bondade dos recomeços. os sorrisos agora temiam adentrar na neblina dos nossos rostos.
existe um momento crítico quando afogar e respirar parecem uma só opção, a mais sensata delas. e foi isso que fizemos. em um mergulho unânime, as faces que tanto se pareciam agora eram irreconhecíveis embaixo d’água.
mas foi aí que lembramos: existia sempre uma fresta no portão, e, naquele momento, só nos restava transformá-la em caminho.
Realidades
Talvez eu não seja uma casa habitável para o amor fazer morada.
tauc.
hahahahahahha eu
pessoas que experimentaram do amor jamais voltam ao que eram antes.
— cartasquechoram
lembrar de tudo aquilo que eu deveria ter feito e não fiz, me dilacera por dentro. eu mesmo me negligenciei, me pus no final da fila. ah, que ódio de mim!
— deixaram
A gente muda um pouco com o tempo. Ou esfria, ou cansa, desanima.
Os fragmentos de Charlie.