Acordo e é mais ou menos umas nove e meia da manhã, Chris está sentado na sacada com uma xícara de café em cima da mesa e lendo o jornal. Dou bom dia e sento ao seu lado, dá um sorriso e ergue a jarra de suco me oferecendo, respondo que não.
- Consegue entender jornal em francês? – Melanie Hudson e sua ingenuidade.
- Melanie, eu vinha pra Paris com meus pais uma vez a cada dois anos. É improvável que eu não saiba falar francês.
Rio e abaixo a cabeça para esconder o meu rubor. Christofer sempre tão inteligente e eu sem ter o terceiro ano do ensino médio completo. Mordo meu lábio para esconder meus pensamentos de inferioridade. Levanto e apoio-me no parapeito e aponto o nariz para o céu observando o infinito tão azul quanto a parede do antigo quarto dos meus pais.
- Sim. Quando eu era criança eu adorava deitar na grama e ficar vendo as formas que as nuvens tomavam. – aponto para as manchas brancas no céu, as quais eu sempre achei que era Deus fazendo algodão doce lá em cima, minha mãe sempre ria disso.
- E por que não faz isso?
- Por favor, Chris, eu tenho vinte e dois anos.
- Importa sim, a maioridade te tira muitos benefícios de uma inocência. – encolho os ombros – Quero conhecer Paris.
- Aonde você quer ir? – ele joga o jornal de lado.
- Eu não sei. – me sinto envergonhada por não saber algum dos lugares históricos de Paris. – Golden Gate?
- Melanie, isso fica na Califórnia.
- Eu sei, estava brincando. – fico pasma por ele ter acreditado.
- Realmente fico feliz por ter sido uma brincadeira.
Ele me leva ao Arco do Triunfo, catedral de Notre Dame, Place des Vosges, Pont Alexandre III, Jardin Du Luxembourg e Château de Versailles. Sempre me explicando a história desses lugares
Ele puxa meu braço fazendo com que eu saia de dentro do elevador.
- Americana... Quem é Christofer? – diz quase que gritando
- Ei, solte ela! – Christofer tira as garras do gerente de cima do meu braço.
O gerente do hotel fica assustado, parece que agora sabe quem é Christofer. Desvio meu olhar do olhar de Chris e olho para o gerente.
- O que aconteceu Melanie? – seu olhar é especulativo.
- Não aconteceu nada Senhor Heathy... – o gerente tenta desfazer a merda.
- Eu perguntei para ela. Ou será que as pessoas que ficam hospedadas aqui não têm mais a intimidade de conversarem entre si? Vou ter muito bom senso em não contatar ao dono daqui, o qual conheço muito bem. – seu tom é feroz – E sabe o motivo de eu não falar com ele? Quero ter um bom final de semana. Espero que você me proponha isso. E se eu perceber algum mal trato com ela – aponta para mim – Não irei hesitar em depositar todas as minhas reclamações em um telefonema ou um e-mail.
Chris pega em minha mão e me puxa para dentro do elevador
- O que ele te fez? – olha em meu braço.
- Nada – puxo o meu braço junto ao meu corpo tentando esconder as marcas avermelhadas. – Nunca havia percebido o quanto você pode ser ameaçador.
Deixa a boca em linha reta e suspira. Merda. Será que está bravo?
- Melanie, é em relação a você. Posso ser muito pior se te fizerem algum mal. – Chris me olha e abaixa a cabeça. – Me desculpe.
- Te desculpar por estar fazendo dessa semana a melhor semana da minha vida? Desculpo sim.
Ele ergue os olhos e posso ver seu sorriso ligeiro.
- Mal ele sabe que eu pegaria ele ao invés de você.
- Sim, e tome cuidado com seu namorado – ele ri. – Estou brincando, estou de rolo com um cara, mas não sei se é algo sério.
- A razão pela qual você está para baixo?
Somos interrompidos pelo barulho da porta, Brian me olha e chacoalha os ombros enquanto caminha na direção do novo cliente.
Fico parada no meio da sala em uma tentativa estúpida de tentar encontrá-lo, e depois de meia hora ouço o seu grito vindo do banheiro. Abro a porta e está dentro da banheira com o seu sorriso de sarcasmo. Tampo os olhos com as mãos.
- Tira as mãos de frente de seu rosto.
- Não Chris. – sinto minha pele queimar de timidez.
- Melanie, por favor, essa não é a primeira vez que você me vê em tais condições. E tem muita espuma aqui, você não irá ver nada.
Lentamente tiro minhas mãos de frente do rosto, mordo os lábios enquanto abro devagar os olhos. Dou uma olhada e não contém nenhuma espuma dentro da banheira; apenas a água límpida. Christofer sorri como se dissesse: “Te enganei, o que irá fazer?”. Penso comigo mesma: “Então esse é o joguinho? Estou pronta para jogar.” Estou piscando para mim mesma enquanto sento-me na beirada da banheira e passo a mão entre seus cabelos, tentando fortemente não enrubescer.
- Por que me chamou meu amor? – sorrio satisfeita com a minha capacidade de não ficar tímida em uma situação como essa.
Christofer fica pasmo com a sua falha em tentar deixar-me sem graça.
- Temos um jantar para hoje à noite.
- Temos? Ok, vou dar uma olhada em meus vestidos.
Levanto-me e paro em frente ao espelho para fingir arrumar o cabelo. Olho para trás, posso ver a perplexidade em seu rosto enquanto percorro o olhar pela banheira inteirinha, dou uma piscada e logo mando um beijo. Saio do banheiro, fecho a porta em um baque e sento no chão respirando com dificuldade, mas com orgulho da cena anterior.
Depois de tomar banho e colocar o vestido mais apropriado para a ocasião pegamos o caminho para o tal jantar. Christofer para em frente ao portão, o qual logo se abre, logo depois estaciona em um lugar coberto onde mais três carros se encontram; Todos importados e todos estranhamente brancos. Saio do carro e logo tropeço por causa do salto.
- Melanie. – Chris diz em um tom irônico.
Reviro os olhos e olho em volta. Puta merda. Há um longo caminho a percorrer para chegar à porta da casa, é tudo gramado iluminado por grandes faixas de luzes. A fachada da casa é envidraçada e bem longe quando olho não posso esconder minha surpresa. Três piscinas. Tudo é três nessa casa?
- Se você quiser eu te levo embora.
Caio na realidade novamente.
Sr. Miller e sua mulher logo vêm nos receber, Peter cumprimenta Christofer com um enorme sorriso no rosto, coisa que sua mulher também faz comigo. Ela está elegantemente vestida e seu sorriso parece um pouco com o de minha mãe. A casa é perfeitamente arrumada, chão feito de madeira polida, algumas paredes são de um tom bem claro de branco e há alguns lustres de cristal.
- Srta? – Peter pergunta.
- Hudson. Melanie Hudson. – digo e sorrio timidamente logo em seguida.
- Linda Christofer, parabéns. – diz a mulher do Sr. Miller.
- Oh, por favor. Chame-me de Gillian mesmo.
- Christofer, aceita uma dose de The Macallan? – Peter pergunta apontando para a cozinha. – Tenho que aproveitar quando você vem aqui, Gillian não me deixa beber.
Gillian sorri e balança a cabeça. Olha para mim quase que pedindo permissão, movo a boca disfarçadamente dizendo “pouco”. Sorri e segue Peter.
- É uma casa realmente encantadora.
- Minha jovem, obrigada. Bebe? – diz graciosamente movendo tão pouco os lábios com a postura perfeitamente correta.
- Oh – penso um pouco, e será melhor não beber em uma situação como essa – Não, obrigada.
- Fico aliviada por isso.
Seguimos os dois até a cozinha e lá estavam. Chego ao lado de Chris e ficamos ouvindo a conversa.
- 2,7 milhões Christofer? Está bem assim?
- Claro. Já foi definido Peter. 2,7 milhões.