você já me deu todos os motivos para ir embora e eu fui, mas te guardei tão bem dentro de mim que acabou se tornado uma parte minha e eu ainda não sei como ir embora de mim mesma.
(desculpa)
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@rendida
você já me deu todos os motivos para ir embora e eu fui, mas te guardei tão bem dentro de mim que acabou se tornado uma parte minha e eu ainda não sei como ir embora de mim mesma.
(desculpa)
tava aqui pensando nos meus problemas e resolvi tomar uma atitude: dormir
A diferença entre amor e migalha
O amor não é cruel.
O amor é o mesmo de cem anos atrás.
O amor é aquilo que falamos antes de dormir, quando as luzes são desligadas e os celulares param de piscar.
O amor é aquilo que resta quando a bateria acaba e não tem ninguém olhando.
O amor é o que fica entre ir embora ou deixar ir.
O amor transpassa os poros, atravessa frestas, se esconde entre as penumbras.
Está no cheiro do alho que ela insiste em retirar porque você não gosta.
Na lembrança de uma foto. Na memória de um livro. No gosto de um dia tranquilo.
O amor pode ser a paz que a gente sonha aos cinquenta anos ou daqui dois dias.
É quando uma fila de banco se torna menos entediante com a sua presença.
O amor é o silêncio das bocas, mas o rufar intenso dos corações aflitos por uma resposta.
É quando colocamos a cabeça no peito de alguém e sente medo de nunca mais ouvir aquele som.
Você é a canção de amor que cantarolo para dormir e o último pensamento realmente são antes dos sonhos me invadirem as pálpebras. Descartei o silêncio na escrita pra te sentir sussurrar entre os acordes da música, ainda que pause minutos para sentir o amor nos versos. Você está nos detalhes ao redor, nunca tive dificuldade em enxergar teus trejeitos na rotina. A verdade é que há tempos sou incapaz de recordar um momento sem memórias suas. Quis te dizer que estávamos mesmo antes de sabermos, soaria incompreensível para qualquer um, mas sei que entenderá cada colocação.
Gosto de pensar que nos cruzamos na avenida da capital, cada um com seu calendário paralelo, para logo depois andarmos em rumos distintos nos quarteirões largos do interior. Você sempre esteve, em cada caminho desfeito que me tornou quem deveria ser até te encontrar. Eu repetiria os mesmos erros se eles levassem mais uma vez onde estão teus pés, só pelo prazer de uma segunda primeira vez. Conto de quando vi a fachada da tua casa nessas andanças da vida e memorizei o trajeto mesmo ainda desconhecendo seus olhos de sono. Ainda hoje decoro o nome dos quarteirões, mesmo na incapacidade de me localizar mesmo em linha reta. É bonito saber que haverá você no fim da rua, então eu sigo.
Minha fala soa amena como a calmaria que teu nome faz reverberar nas costelas. Somos seres distintos com ideais opostos. Você é simplista o suficiente para não falar das dores que ecoam, esqueço qualquer desalento sob suas mãos.
Talvez amar seja desnudar a alma para o outro, mesmo que as cicatrizes possam assustá-lo. Mostrar-se é também o alívio de ser reconhecido do outro lado. Desde menina faço incontáveis teorias sobre o amor, é bonito saber que você transformou todas elas. Talvez eu goste de supor ainda mais, só pelo prazer de te ver dedilhar meus ideais românticos e desfazê-los. Você nunca se contentou em residir numa só parte do meu peito, proclamou todas. Desde então eu não sei o que é viver sem as marcas do teu afeto. Feito gente que procura por algo que já tem, você cresceu no meu peito como se já o conhecesse.
G.
“O Amor, talvez” - Mia Couto, em Vagas e lumes.
As festas me deixavam doente. Detestava as falsas aparências, os jogos sujos, os namoricos, os bêbados amadores e os chatos. Como solitário, eu não suportava invasões. Isto não tinha nada a ver com ciúmes, simplesmente não gostava de pessoas, multidões, onde quer que fosse, exceto nas minhas leituras. As pessoas diminuíam-me e deixavam-me sem ar.
Bukowski. (via versificar)