Não há nada como aquela raiva. Aquela maldita raiva que faz qualquer parede de concreto parecer ser feita de borracha.
Meu corpo começou a ficar estranho, leve, suave, o peso de tudo que segurei em minhas mãos, ficou 10 vezes mais leve. E ao mesmo tempo, a sensação controversa e duvidosa de este ser realmente o meu corpo, como se eu estivesse no corpo de outra coisa, ou que outra coisa possuísse o meu corpo.
Era um forte apetite a ser saciado, com socos até o punho cuspir sangue, ou alguns segundos respirando água, ou até os dedos queimarem na chama a gás do fogão.
Novamente sendo consumido por esse desejo de um outro eu, inimigo da minha própria carne.
Então começava a discutir, procurando saber quem deles estava fazendo isso.
E uma voz interior estranha e voraz começava a sussurrar baixinho, até atingir a posse da fala...
- Você me quer aqui. Foi o que disse a raiva. Dando uma resposta inesperada, mas que no diálogo interior, era clara e fazia todo sentido.
- eu não preciso de você ! Dizia rejeitando com pouco de sanidade que ainda tinha.
- não importa o que você diz, você me quer aqui e sabe disso. Precisa de mim, você não é capaz de nada, você é fraco sozinho. Eu cansei de ficar preso em uma gaiola, você não merece esse corpo. O mundo não é lugar para mentes fúteis e choronas.
Contra isso eu não podia lutar, ele me tomou o controle como quem toma doce da boca de criança. E agora ele é quase de todo Eu. E eu desisto de resistir contra isso.
Desejo boa sorte ao mundo contra ele e a outros como ele.