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Igreja do Bom Jesus da Cruz
Barcelos
Portugal
Fotos Carlos J. Martins Nobre
𝑨𝒏𝒈𝒆𝒍𝒖𝒔 𝑴𝒐𝒓𝒕𝒊𝒔 - Ⓦⓗⓔⓢⓢⓐ ¡
😇🙏🌟⭐️
Savior - Song Kang
Sinopse: Song Kang era um anjo caído que rondava um parque de diversões abandonado, entretanto, quando uma construtora picareta faz uma obra as pressas e decide abrir o parque novamente, seu retiro de descanso acaba tendo fim. Poderia simplesmente continuar sua vida tranquilamente, entretanto, quando encontra uma jovem em perigo, Kang não pensa duas vezes em salvar a vida dela. Não soube porque a salvou, mas depois daquele dia, sua vida pacata mudou drasticamente. Song Kang x female oc.
1252 palavras.
Oneshot especial de halloween que eu esqueci de postar ontem :)
Wattpad, spirit.
CAPÍTULO ÚNICO.
Com um suspiro cansado, sentado no galho da única árvore que tinha naquele parque temático, Song Kang olhava de longe um jovem casal, daqueles típicos clichês. O homem alto, galã, e a mulher baixinha, indefesa, e tão estúpida ao ponto de nem acertar uma argola em uma garrafa. Song odiava clichês, odiava padrões, aquilo lhe irritava imensamente, talvez por essa razão tivesse tão pouco apreço por aquela espécie.
Ficava sempre a observá-los de longe, escondido nos cantos, mesmo que ninguém pudesse vê-lo. Não era do tipo que intervia no mundo humano, ou qualquer coisa do gênero, observá-los era muito mais divertido. Song talvez fosse um pouco masoquista, pois gastando seu tempo com aquilo só lhe fazia sentir raiva. Tinham pessoas de todos os tipos, algumas tinham atitudes louváveis e ele não tiraria o mérito disso, mas outras eram cruéis e asquerosas. Ele, um anjo caído, não conseguiria ser tão cruel e estúpido quanto alguns humanos eram.
Sua vida era pacata, aquele parque antes abandonado era seu lar, mas agora precisava dividir seu espaço com brinquedos malfeitos e comidas gordurosas. Seu casebre era nos fundos, um local que diziam ser mal assombrado, poucas pessoas iam até lá, afinal de contas não tinha nada de muito emocionante, era apenas um casebre abandonado. Tendo aquele parque em seu espaço, ficar isolado se tornou uma tarefa difícil, mas não iria sair dali, se acostumou com a agitação das pessoas.
Estava perdido em seus pensamentos, já cogitando ir para casa, quando flagrou um par de olhos castanhos olhando em sua direção. Uma mulher de longos cabelos ruivos cacheados olhava para onde Song Kang estava, como se uma mera humana como ela fosse capaz de vê-lo ali. Song arqueou uma sobrancelha, encarando-a seriamente, suas asas instintivamente se abriram, a mulher deu alguns passos para trás, e então correu. Kang deu uma fraca risada nasalada, ela o viu, como? Lhe era um mistério do qual iria descobrir.
Andando apressadamente entre as pessoas, Rine procurava uma rota de fuga, estava perdida no meio daquelas pessoas. Mas afinal de contas, o que diabos havia acabado de ver? Desde pequena sempre viu coisas estranhas, foi internada inúmeras vezes e pensava estar melhor. Porém, foi um equívoco, mais uma vez voltava a ver monstros e anjos.
⸺ Rine! ⸺ A ruiva congelou ao ouvir uma voz conhecida por si.
Isabelle era uma colega distante, bem distante, da qual Rine só mantinha contato por educação. Ela estava como sempre rodeada de rapazes, alguns muito bonitos, mas a ruiva pouco se importava com isso, ela só queria ir para sua casa.
⸺ Não sabia que estava aqui, você nunca sai de casa. ⸺ Isabelle se aproximou da ruiva lhe cumprimentando com um abraço. Rine odiava abraços, e como sempre, aceitou por educação.
⸺ Eu decidi dar uma chance ao parque, disseram que era um lugar tranquilo, mas detestei ⸺ admitiu com sinceridade, Isabelle riu, dando um leve tapinha no ombro dela.
⸺ Você não sabe se divertir! Venha, vamos na montanha russa! Você vai adorar. ⸺ Antes que Rine pudesse recusar, Isabelle a arrastou pela multidão.
Ao parar na fila, estava pronta para dar uma desculpa e sumir dali, no entanto seu olhar se encontrou com o daquela criatura de asas pretas. Um sorriso sinistro surgiu nos lábios dele ao encontrá-la, Rine rapidamente se escondeu entre os dois rapazes mais altos da turma de Isabelle, estaria segura com eles, certo?
⸺ O que fez durante esse tempo? Não te vejo desde a escola. ⸺ Isabelle perguntou, se virando para a jovem que estava encolhida logo atrás.
⸺ Ah, nada demais… mudei de psicólogo umas três vezes, e meu novo psiquiatra me receitou remédios novos. Pelo menos a faculdade me aceitou apesar disso ⸺ contou. Rine tinha o defeito de às vezes falar demais sobre seus problemas, principalmente para quem não estava tão interessado.
⸺ Que triste, mas hoje vamos nos divertir! ⸺ Isabelle exclamou, animada, Rine deu um sorriso nervoso. Aquela não era sua concepção de diversão, ficar em casa era bem mais divertido para ela.
Pouco demorou para que chegasse a vez deles, Rine novamente ficou entre os dois rapazes altos, que não conversaram muito, o que lhe agradou. Um rapaz de cabelos longos presos em um rabo de cavalo mal feito, com o uniforme vermelho do parque veio conferir se todos estavam com cintos devidamente colocados. Rine pensou que ele não parecia alguém de muita credibilidade, e quando pensou em chamá-lo dizendo que queria sair, a montanha russa começou a andar.
Suas pernas tremiam feito vara verde, seu coração estava a mil, enquanto via aquele maldito brinquedo subindo lentamente pelos trilhos. Era maluca? Odiava a combinação de altura e velocidade, provavelmente estava tendo um surto suicida para estar ali. Fechou seus olhos, só assim não iria acabar desmaiando. Quando o brinquedo atingiu a altura máxima, despencou com tudo, Rine sentiu como se um soco atingisse seu estômago, e em meio aquele misto de sensações ruins seu cinto se soltou.
Foi como se tudo corresse em um milésimo de segundo, era rápido demais para que Rine conseguisse compreender, quando deu por si, estava nos braços de um homem. Ao olhar para aqueles olhos escuros como a noite, sentiu um calafrio percorrer seu corpo, as asas negras dele se moviam com uma tranquilidade que lhe assustava. Em volta tudo havia parado, como se tivesse congelado no tempo. Rine não conseguia proferir qualquer palavra, mal conseguia respirar, aquilo parecia até mesmo um sonho.
Quando pousaram no chão em segurança, viu o olhar preocupado daquele homem de vestes pretas. Por que ele estava preocupado se não a conhecia? Se não sabia nada sobre ela? Quem ele era?
⸺ Esta salva agora, não tente se matar novamente. ⸺ Ele falou sério, Rine franziu o cenho, curiosa e pensativa.
⸺ Não estava tentando me matar, não desta vez. Só… fiquei com medo.
⸺ De mim? Francamente, não acha que sou bonito demais para se ter medo? ⸺ Ele tinha um ar convencido, que ao mesmo tempo soava engraçado. Era como se aquele anjo lhe pedisse para fazer alguma piada de mal gosto.
⸺ Homens são homens, aprendi sempre a temê-los.
⸺ Anjos não tem gênero ⸺ deu leves tapinhas no topo da cabeça dela, e novamente a ruiva se via curiosa sobre ele.
⸺ Então me perdoe por lhe julgar de forma errônea. ⸺ Um sorriso ladino surgiu no rosto de Kang, quanto mais ela falava mais ele se interessava por ela.
⸺ Você fala bonito, eu gosto disso. ⸺ Aquele sorriso que viu era o mais belo que pode apreciar, ele não era apenas um anjo, era o próprio pecado.
Mas, tão repentinamente quanto apareceu ele sumiu. As pessoas voltaram a caminhar, o parque funcionava como se nada tivesse acontecido. Rine se sentiu atordoada pelo que presenciou, e decidiu não arriscar sua vida mais uma vez, então foi para casa o mais rápido que pode.
Seja lá quem fosse ou o que tivesse acontecido, iria guardar para si, já haviam muitas pessoas lhe chamando de maluca, não precisava dar mais um motivo a eles para isso. Entretanto, no fundo, esperava que encontrasse seu salvador novamente.
Naquela noite antes de dormir acendeu uma vela para seu anjo, pedindo para que ele estivesse bem e agradecendo por ter sido salva. Foi um gesto simples, que para ela poderia ser pequeno, mas foi o que salvou Song Kang de seu exílio na terra. No final das contas, ela também o salvou, e ele seria eternamente grato, se tornando assim seu anjo da guarda.