A janela de cima
Domingo a noite, nada novo, nenhuma informação nova chegando das trincheiras para o campo, das pedras para as areias finas, das raízes para o ninho projetado no galho mais alto.
Sonhando com uma janela grande que através dela pudesse ver o mundo, encosta sua cabeça no travesseiro e olha para o teto. As mãos calejadas tornam óbvias as páginas escritas na noite anterior, onde esteve exatamente na mesma posição, pensando exatamente na mesma coisa. Relatou seus devaneios em muitas páginas de uma pequena agenda. Seria sua casa mais confortável se a janela fosse maior? Daquelas que ocupa do teto até o chão, e que, quando o sol da manhã atravessa o vidro, é capaz de iluminar o suficiente para desencorajar até a mais amarga alma de fazer qualquer coisa que não seja ficar lá, sentado, olhando toda aquela claridade.
Ao invés disso, passa suas horas no escuro, sem a pretensão de sair dele.















