Aos 19 anos tive a chance de ser o que sempre quis ser. Nesse momento, muitas pessoas apareceram querendo dar opiniões, diga-se de passagem, não requisitadas, confundindo minha mente.
Me perdi no meio de tantas palavras. Me desencontrei. Não enxergava mais o que eu de fato queria ser. Não sabia mais quem eu queria ser.
Escolhi uma coisa que pensei ser o que eu há tanto sonhava ser. Descobri que nunca foi aquilo.
Droga, fiz a escolha errada.
E agora? O que eu vou fazer?
Outra chance dada pela vida. É a minha vez de escolher. Que seja a escolha certa!
Decisão tomada.
Abandonei a mim mesma. Trai o meu coração e o meu querer. Escolhi, mais uma vez, ser o que queriam que eu fosse.
Dor. Muita dor. Choro. Angústia. Pena de mim mesma por ser tão covarde. Medo.
Alguém me entende? Não, não me entendem. Uns me julgam por não ter escolhido ser o que sempre quis. Uns me apoiam por isso, mas não garantem apoiar caso eu venha a mudar meu rumo daqui um tempo.
O que eu faço desta vez? O jeito é aprender a conviver com minha escolha. Tentar não contar as horas, tentar me reencontrar, tentar não desistir e ser forte. Me dar uma chance. Adapte-se. Seja o que desejam que você seja. Não se permita sentir a dor, ela vai te corroendo aos poucos até não restar mais um só pedaço do seu espírito. A dor vai funcionar como um ácido, potencializado pelo remorso de não ter se escolhido. Eu sinto muito, Kamila. Eu sinto muito por ter te traído, por ter aberto mão de nós, por ter lutado tanto por algo e ter deixado a ganância nos tirar o que sempre foi a nossa paixão. Me perdoe por mais uma vez ter nos deixado de lado.
Com pesar e um fino fio de esperança, Kamila.













