Moça virgem, estudiosa, de família religiosa, permeada por culpas e idealizações de vida. Apaixonou-se pelo primeiro namorado no esplendor da adolescência, ofereceu seu corpo a ele como prova de amor, e gostando da ideia de futuro que ele lhe passava, se casou. Ou então, casou-se porque as amigas lhe invejavam muito por ter arranjado um namorado rico, educado e bonito, de tal forma que ela achava que seria impossível encontrar outro partido assim tão bom na vida. Era um moço de boa família (leia-se riquinho), tratava bem o garçom e a empregada, fazia piadas em almoços de família, jamais erguera a voz para falar com ela. Ele sempre tinha muito cuidado com a moça, que se sentia uma princesa ao lado dele. Certa vez ela quis transar no cinema, ele até topou, mas no momento em que ela abaixou a calça e ele sentiu que ela estava mesmo molhada e que a foda ia mesmo acontecer, broxou. Teve medo de que o lanterninha os pegasse e pensasse que a moça era uma vadiazinha qualquer. Outra vez ela quis trepar no banheiro da balada mas dessa vez ele desistiu porque achou que aquele lugar não era propício pra ela, na verdade ficou com nojo das paredes manchadas. A menina era apaixonada pelo órgão sexual do cara. Tinha visto uns filmes pornôs ainda na adolescência, e se horrorizava com o tamanho daquelas coisas veiudas que apareciam na tela da televisão, vou morrer virgem, vão me estourar, ela pensava. Mas quando viu aquele menino simpático que o namorado chamava por um nome engraçado, ficou aliviada. O cara também era muito cuidadoso, no sexo sempre se preocupava em masturbá-la muito bem antes da penetração, era um lord em toda e qualquer situação. Não chegava a abrir a porta do carro pra ela porque…não vamos forçar a barra da história (estamos no século XXI!) mas seguia as regras de etiqueta descendo as escadas na frente dela, e subindo atrás, quando andavam na calçada ele sempre ficava do lado da rua (e…oras, homens, sublinhem essas dicas!) Enfim. Eis que obviamente o sexo caiu na rotina, porque é isso o que acontece na maior parte dos casamentos. O cara tava bem, talvez comesse por fora, provavelmente Joana, a colega de trabalho da qual volta e meia ele falava, visivelmente se arrependendo de cada palavra que proferia. E a moça foi stalkear a tal da Joana, acompanhava suas atualizações no Facebook diariamente, descobriu amigos em comum e lia todos os diálogos. No começo achou que era ciuminho do marido, mas logo percebeu que ela estava encantada pela vida dessa Joana, que parecia ser desencanada e leve. 10 anos mais velha do que ela, tinha 2 filhos grandes e mantinha um corpo invejável, branco, enfeitado com algumas tatuagens, que não apareciam quando com as roupas de trabalho. Nessa stalkeação Joana ficou incrivelmente excitada ao descobrir que o marido e Joana tinham um caso. Mais do que rápido a moça inventou uma desculpa qualquer para liberar a casa para os dois, chegando em casa antes do previsto e toda aquela coisa que sempre dá certo nas histórias. Ao abrir a porta da sala de casa, chegando da rua, a moça encontrou Joana, que fazia café na cozinha, vestindo a camisa do amante aberta. Os seios empinados e nus, os pés descalços no azulejo, os cabelos sedosos e descabelados do jeito que só uma mulher inundada em sensualidade consegue deixar, um resto de batom vermelho borrado por um beijo molhado. Joana olhou para a moça assustada, e a moça lhe retribuiu com um sorriso que a olhava de cima a baixo. E ao invés de usar a boca para proferir uma palavra, a moça se aproximou de Joana lhe beijando os lábios, lambendo-lhe o pescoço, e sendo retribuída com afagos nas costas e nas nádegas. Joana, experiente que era, foi tornando os beijos mais ousados, e os dedos da moça inexperiente dançavam pelo corpo da parceira como se tivesse treinado toda uma vida. Os toques, que eram leves, foram pesando, à medida em que ambas se encharcavam de tesão. Joana, encantada com a surpresa da situação. A moça, apaixonada pela vida diferente que a amante do marido levava. E depois de alguns toques e muitos orgasmos, o café esfriou aguardando a tampa da garrafa térmica que não veio e as moças esfriaram nos azulejos da cozinha, aguardando o marido-amante que não veio. É que ele tinha fugido ao ouvir o barulho da porta, né, porque esse sempre fora frio.
{T.R} - ALICIA
















