perfectbxy:
𝐆𝐀𝐑𝐀𝐆𝐄 𝐁𝐀𝐍𝐃 𝐅𝐄𝐄𝐋𝐈𝐍𝐆𝐒.
« Pela vigésima vez, Dave, a culpa não é minha. » no começo, as provocações eram engraçadas. claro, porque era sim tudo um plano maligno de miguel que havia reservado o auditório para que ele e dave pudessem ensaiar e escolher as próximas músicas que tocariam no show no mesmo horário do ensaio do clube de teatro. quer dizer, com um conflito de horários, apenas: enquanto ele havia reservado o lugar das 19h30 às 20h30, o grupo teatral reservou a sala das 17h às 20h. claro que era culpa de algum secretário ou estagiário que aceitou o pedido dos dois grupos, no mesmo dia, com um conflito de horários, confirmando com os dois. agora, o hispânico havia aguentado pelos últimos trinta minutos david falando na sua orelha algo sobre “sabotagem”, “irresponsabilidade”, e todas as coisas que miguel já havia aprendido a ignorar. e claro, como se o cenário já não fosse irônico o suficiente: o grupo de teatro estava encenando school of rock. atrás das cochias, onde miguel estava com o baixo nas costas e dave com sua guitarra, foram confundidos pelo menos três vezes pelos pobres novatos e calouros, o que não ajudava na paciência de ninguém. mas, ainda bem, já era 19:55, e a líder do grupo de teatro já havia se desculpado e começado a pedir para que as pessoas arrumassem as coisas um pouco antes do normal. « Tá vendo? Até que deu certo no final, não precisava chorar. Até onde eu sei, não tinha ninguém reservado depois de mim, então a gente pode ficar uns trinta minutos a mais também, ok? » falou devagar, como se estivesse explicando a uma criança. fora interrompido, no entanto, por um barulho altíssimo vindo do palco: a bateria estava sendo tocada mais uma vez. « Dio mio, por favor, acaba con mi sufrimiento. » miguel murmurou, uma das palmas da mão escorrendo pelo rosto assim que o barulho se fez presente. sério? quando finalmente estava conseguindo acalmar a fera o’connor? quem diabos era a pessoa que não havia entendido que o tempo do teatro havia se encerrado?
@rockitdave && @mccoyt
Por que as pessoas precisavam ser tão irresponsáveis? Será que mais uma vez, David O’Connor levaria a banda nas costas? Há três dias o moreno precisou colocar em suas listas de preocupação a desistência do baterista e agora lidava com a irresponsabilidade do baixista. O que era aquilo? Uma creche? Definitivamente David não era familiarizado com crianças e sua curta paciência era reconhecida por muitos, incluindo por García que parecia pouco se importar. Dave ignorava qualquer tentativa de reconciliação de amizade com o homem, a volta do outro para a banda era temporária e, por mais que soubesse que deveria agradecê-lo por não ter abandonado o Disciples Of California como Hugh fez, o O’Connor não queria ter que admitir a ponta de gratidão que sentiu. Abandonou a guitarra por um instante e foi em direção ao espelho tentar ajeitar a franja que já estava com um caimento que incomodava o olho castanho. “Você é burro? Eu faço parte dessa merda de grupo de teatro, mas felizmente não vou participar dessa vergonha de peça que, pra ser bem sincero, tá uma merda. Eu vi os ensaios e você, Sam, você é péssimo. Parece que tá lendo o texto” articulou de maneira irritada para o que jurava ser o milésimo calouro a perguntar sobre sua participação ou não naquilo que ainda chamavam de musical. Assim que percebeu a tentativa de desculpas feitas pelo líder do grupo, se aproximou mais uma vez para pegar o instrumento e seguir ao palco “Fala sério, Miguel, minha intenção era te ignorar o dia todo, mas eu chorando? Por isso? C’mon, eu devia ter expulsar da banda por não saber nem que The Cure já dizia que boys don’t cry.” com as mãos já posicionadas para afastar a cortina que impedia sua visão ao palco, David ouviu o García comentar algo que o fez se sentir culpado por ter faltado em tantas aulas de espanhol no ensino médio, mas, que subentendeu o contexto pelo som da bateria “Shh, Míguel” levou uma das mãos para cobrir a boca do baixista “Ouve só... melhor que o Hugh, não acha não?” perguntou enquanto tentava imaginar quem poderia tocar bateria tão bem e ainda ser daquele grupo de losers do teatro “Aposto cinco pratas que vou conseguir convencer a pessoa misteriosa a ensaiar com a gente pelo menos hoje. Fechado? Fechado” respondeu antes mesmo de esperar a opinião do outro. Abriu a cortina como quem tinha pressa e seguiu até a frente da bateria com algumas palmas “Olha só se não é um futuro astro do rock aqui... carinha do basquete?” o sorriso se tornou numa expressão de decepção, talvez Dave tivesse certo preconceito com esportistas “Sério mesmo? Okay, retiro o que disso, Míguel, não sei se ainda tô querendo fazer a proposta dos cinco dólares”










